Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Vítima de suposto abuso sexual pode jogar na Áustria

Ruan Petrick, que denunciou suposto abuso de coordenador da base do Santos, tem proposta do exterior, diz o pai

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2018 | 07h00

Dois clubes brasileiros (um da Série B e outro da Série C) e um time austríaco estão negociando a contratação do atacante Ruan Petrick, que teria sido vítima de abuso sexual cometido pelo coordenador das categorias de base do Santos, Ricardo Marco Crivelli, quando tinha 11 anos – hoje, ele tem 19 anos. 

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De acordo com o pai do jogador, Regis Santana, ele está estudando as propostas para voltar a jogar profissionalmente. O pai do atleta evita citar os nomes dos clubes, pois teme represálias do Santos. De acordo com Régis, o time da Vila Belmiro ainda defende o ex-coordenador, apesar de tê-lo afastado assim que Ruan registrou um Boletim de Ocorrência, no dia 13. “Vou esperar que o negócio se concretize. Sabemos que estamos mexendo com gente poderosa. Essas pessoas do Santos vão longe para defender o Lica e eles podem querer prejudicar meu filho ainda mais”, diz. 

O negócio mais encaminhado é a ida para a Áustria. Se aceitar a proposta, ele deverá viajar no dia 15 de maio. O principal empecilho é a distância da família, que prefere sua permanência no Brasil. “Depois de tudo o que aconteceu, não quero meu filho muito longe de mim. Por isso, não queria a Europa, mas estamos conversando”, afirma. 

Além de temer represálias, a família reclama da falta de apoio do Santos ao jogador. “Desde o nosso primeiro contato, eles só falam da política do Santos”, afirma Regis. 

O clube rebate. Fontes próximas à diretoria santista afirmam que houve uma tentativa de contato, que não foi bem recebida. Ao Estado, a diretoria enviou uma nota. “Tão logo soube do caso, o profissional acusado foi prontamente afastado de suas atividades pelo Comitê de Gestão do Clube. O Santos vai continuar contribuindo plenamente com as investigações que já estão em andamento”, informa o documento. 

O inquérito da Delegacia de Repressão e Combate à Pedofilia corre sob segredo de justiça. Na semana passada, uma nova testemunha teria confirmado a versão de Ruan. Ela afirmou à polícia que esteve no mesmo local do suposto crime delatado por Ruan e que também teria sido assediado pelo acusado.

O local é a residência de um antigo empresário do jogador, fora das dependências do clube. A idade da nova testemunha não foi revelada. Adriano Vanni, advogado de Lica, diz que o seu cliente é inocente e que está à disposição das autoridades. 

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