Ale Vianna/Photo Press
Ale Vianna/Photo Press

Vítimas e testemunhas da morte de torcedor santista ‘desaparecem’

Delegado reclama que nenhum dos colegas de integrante da Torcida Jovem assassinado prestou queixa. Líderes de organizadas não reconhecem sócios

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2014 | 05h01

SÃO PAULO - Responsável pelas investigações sobre a morte de Márcio Barreto de Toledo, ocorrida no domingo, o delegado Moisés Teodoro Messi Filho, do 21.º DP, estranha o fato de nenhum dos santistas que aparecem em imagens gravadas por uma câmera de segurança correndo de são-paulinos – após serem vítimas da emboscada que terminou no assassinato do torcedor – ter prestado queixa até agora.

“Um grupinho correu. Alguém tem de aparecer. Se eu sou vítima, tenho um amigo que morreu e tive a sorte de conseguir fugir, tenho a obrigação de ir à delegacia”, disse Messi Filho ao Estado.

O delegado reforça que os santistas que escaparam da embosca armada pelos são-paulinos são peças-chave para tentar identificar os responsáveis pela morte de Toledo. “É possível até que eles saibam quem os atacou já que esse pessoal costuma estar sempre nos estádios.”

Integrante da Torcida Jovem, Toledo tinha 34 anos e morreu na noite de domingo após ser espancado no Jardim Aricanduva, zona leste da capital, depois de assistir ao clássico entre Santos e São Paulo, no Morumbi. Câmeras de segurança registraram o momento em que são-paulinos, dentro de dois carros, ficam de tocaia à espera de um grupo de santistas e partem para o ataque com barras de ferro na mão. Policiais encontraram Toledo desacordado, com ferimentos na cabeça. Ele foi levado para o Hospital do Tatuapé, mas não resistiu.

“Recebemos denúncias anônimas relativamente contundentes. Uma, inclusive, nos deu as placas dos carros e agora estamos investigando. Mas se conseguirmos pegar quem fez a emboscada, cadê a vítima para fazer o reconhecimento?”, questiona Messi Filho.

Já prestaram depoimento os presidentes da Torcida Jovem e da Independente. Ambos não reconheceram sócios das organizadas entre as pessoas que aparecem nas imagens que antecederam a morte de Toledo. O líder da Jovem confirmou que, após retornar do Morumbi, um grupo de torcedores deixou a quadra da facção a pé, mas não soube dizer quem eram essas pessoas. Já o presidente da Independente alegou que a organizada tem mais de 30 mil associados e outros 50 mil simpatizantes que usam a camisa da facção, mas não são cadastrados.

“Será que ninguém conhece aquelas pessoas que aparecem nas imagens ou o pessoal não quer colaborar?”, pergunta Moisés Filho, que pediu empenho das organizadas no reconhecimento dos torcedores. “A identidade será preservada. Só o delegado, o juiz e o promotor terão acesso ao nome do vítima.”

O delegado já analisou as imagens de câmeras de monitoramento da CET, mas a qualidade é muito baixa. Agora, ele espera a gravação de câmeras de segurança do Metrô.

Também no domingo, por volta das 12h, na Rodovia Anchieta, na região do Sacomã, Luan de Lima Croce, 22 anos, torcedor do Santos, foi baleado após uma briga com são-paulinos. Integrante da subsede Baixada da Torcida Jovem, ele levou um tiro de raspão no queixo, mas no depoimento que prestou à polícia não revelou o nome dos amigos que estavam com ele nem a placa do carro utilizado pelo grupo. Também não descreveu as características físicas dos são-paulinos que o atacaram.

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