Felipe Szpak/Agência Corinthians
Felipe Szpak/Agência Corinthians

Vítor Pereira vê queda de rendimento do Corinthians e pede frieza no duelo contra o Boca Juniors

Treinador ressalta que time produziu o suficiente para bater o Always Ready, apesar do tropeço, mas descarta 'medo' e pede 'cabeça fria' para o segmento da temporada

Redação, Estadão Conteúdo

27 de maio de 2022 | 15h55

Vítor Pereira reconheceu nesta sexta-feira que o futebol do Corinthians nas últimas rodadas vem deixando a desejar. Apesar da série de oito jogos sem derrotas, são quatro empates seguidos, o mais recente tratado como vexame diante do Always Ready (1 a 1), pela Copa Libertadores, na quinta-feira. O treinador português admitiu uma queda da equipe, mas enfatizou que o time produziu o suficiente para golear os bolivianos. Acabou em segundo da chave e terá o Boca Juniors pelas oitavas com decisão na Argentina. Ele descarta o sentimento de medo, pede concentração e cabeça fria para o mata-mata e reconhece que será impossível dar sequência aos 11 titulares por causa do calendário justo. O rodízio será mantido.

"Não podemos temer rivais. Caiu o Boca Juniors, vamos lá, nós somos Corinthians e vamos ao trabalho", afirmou, sobre novamente ter os argentinos pela frente. "Temos de encarar a realidade e ir à luta. É hora de tentar fazer nosso melhor e tentar passar a eliminatória", enfatizou.

"Quem garante que diante de uma equipe mais fácil o time não seria eliminado? E quem garante que contra um forte não será mais concentrado? Quem quer disputar algo, como o Corinthians, que é enorme, não pode ter medo do Boca ou de outro qualquer", questionou. "Sabemos que lá é difícil pelo ambiente que se cria, não é fácil, tem essa particularidade de a torcida jogar com o clima do jogo, eles são peritos (em provocação). Há muita pressão, de ir para cima do árbitro, de confronto com o adversário, e temos de controlar isso. Não podemos voltar a perder o equilíbrio emocional lá."

O treinador só lamenta a dura sequência que envolve os jogos das oitavas. O Corinthians faz o clássico com o Santos antes da ida com o Boca Juniors, depois enfrenta o Fluminense, faz a volta com os argentinos e já tem o Flamengo pela frente.

"Temos de estar preparados, mas o jogo (eliminatória da Libertadores) vem em uma sequência terrível. Minha preocupação neste momento, porém, é que perdemos Paulinho por muito tempo, temos Cássio, João Victor, Fagner, e agora o Jô machucados. A principal preocupação é olhar dentro do grupo, para estarmos o mais forte possível e só depois que vou poder dizer se estamos preparados. Eu reconheço: com o pouco tempo que temos aqui, a falta de tempo de treinos prejudicou nossa qualidade e vamos investir no esquema base novamente (4-3-3-).

Na avaliação do português, o 4-3-3 implantado inicialmente, com marcação sobre pressão, precisava de uma alternativa. Ele lançou o 3-4-3, utilizado inclusive no clássico com o São Paulo, e reconheceu que as peças começaram a não render o esperado, como Renato Agusto, segundo ele com uma queda pela culpa da mudança de posição.

"Admito que começamos bem com o 4-3-3, no pouco tempo para definir o sistema que pretendíamos. Mas logo estávamos com problemas, a pressão forte muitas vezes estava sendo ultrapassada com facilidade. O time não estava sendo efetivo e pensamos: bom, vamos ter de achar um alternativo. Para darmos resposta no jogo", explicou. Mudou e reconheceu que foi um tiro errado.

"Chego à conclusão que a alternância nos fez cair na qualidade do jogo. Só poderia saber após experimentar. O time não tem jogado no nível que gostaria, o resultado às vezes são melhores que as exibições, mas precisava dar resposta a esse problema", disse. E avaliou a queda de Renato Augusto. "Renato estava pela esquerda, com dinâmica com o lateral e com William ou outro de extremo, isso o tornava mais influente. Jogava onde era mais confortável. Como quisemos dar resposta para o sistema defensivo, o deslocamos para a direita para não ficar lado a lado com o volante. Esse 3-4-3, essa alteração, o prejudicou. Arrumamos um problema novo e vou tentar ajustar as funções e ver o que os jogadores vão nos dar."

Mais uma vez cobrado por não utilizar os 11 considerados titulares, o treinador se defendeu e disse que isso só seria possível com jogos uma vez por semana, não de três em três dias. Desta forma, manterá o rodízio do elenco. Quem encarar o América-MG, domingo, provavelmente ganhará descanso diante do Atlético-GO, no meio de semana, ambos pelo Brasileirão.

"Cheguei na ilusão de poder definir os 11 mais fortes e ficar jogando com o time mais forte, substituindo um ou outro. Mas rapidamente percebi que não é possível perante um calendário desses, não é viável", afirmou. "Muitas vezes queremos fazer muita coisa, mas tem vezes que não acontece e isso é sintoma de fadiga. Temos um plantel que quer trabalhar e dar resultado. Temos de olhar para os experientes e pensar que, apesar de maior qualidade, não conseguem jogar com fadiga."

Sobre o jogo com o América, ele deve utilizar quem foi poupado e os titulares escalados somente no segundo tempo. "Domingo queremos ganhar outra vez, só que é completamente impossível com a mesma equipe. Imagina usar os mais fortes (contra o Always Ready) e com o América voltar com eles, como seria competitivo? No início pensei que fosse possível e depois do São Paulo percebi que não tínhamos essa hipótese."

Chega de polêmicas!

Vítor Pereira resolveu findar com as polêmicas com Roger Guedes e não quer mais falar sobre o atacante. Em sua visão, isso já está virando uma novela. "Não entrou pelo pedido da torcida, pois onde eu estava nem conseguia ouvir", brincou. "Mas vou tentar finalizar esse assunto, não sou muito de novela e esse é um País de novela. A verdade não vende, só a polêmica. Quero dizer que para o Róger e para qualquer jogador, o Duilio (Monteiro Alves, presidente) pediu para ser igual e exigente com todos. Meus títulos foram na base da exigência, do compromisso, de trabalhar no limite, dar tudo, estar no nosso melhor, coisas que não são negociáveis. Então, eles têm de ir para treino e fazer tudo para melhorar, entregar de corpo e alma."

O treinador revela que já havia cobrado o atacante por três vezes e que agora só se convence com mostra no campo. "Preciso ver o lutar para ser o melhor e ele claramente dizer que quer ajudar, isso não vai com palavras, pois tive uma, duas, três conversas... ´É bom menino, mas não vejo alteração. Só acredito com ações. O filho diz: pai vou estudar, vou fazer isso e não vejo mudança, não vejo resultado, chega uma altura que não adianta mais conversa. Fico achando que eu estou errado por estar exigindo, fico mal. Chega uma altura que é preciso impor, pois sempre sou cobrado. Falo dele e de todos os outros", disparou.

E não se importou em ver seu comandado de cabeça quente. "Também estou muitas vezes injuriado, por isso veio aquela minha infeliz declaração do Liverpool. Mas já vi um Róger diferente e espero para o bem de todos que se entregue à causa e tenha compromisso e esteja no melhor nível. O mínimo que podemos fazer é estar no nosso melhor nível."

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