Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Vitória do futebol

Acima de tudo, a arbitragem, com ou sem VAR, anda estragando o futebol

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 04h00

É muito dolorido perder uma decisão em casa. Também é muito difícil não acreditar no potencial de um finalista. Para muitos, a partida que vale a taça sempre iguala a competência dos adversários, apaga deficiências e transforma times mais frágeis em potências do futebol. Mas nem sempre isso acontece, como não aconteceu na Arena Corinthians nesta decisão da Copa do Brasil, lotada de corintianos esperançosos e cruzeirenses aflitos. Todos, de modo geral, roendo unhas – antes do jogo, a CBF fez uma festa bonito e bem organizada.

A conquista do Cruzeiro, sua sexta, foi justa e premiou o melhor time da final. Esse é o sentimento que fica.

Se o Corinthians fosse campeão, quem perderia seria o futebol. E nosso amado e glorioso (de outras épocas) futebol não sobreviveria a mais um baque. Digo isso porque uma vitória corintiana premiaria o time que menos se preparou para ficar com a taça, que tem um elenco fraco e formado por jogadores que atuam no limite, sem reposição à altura no banco de reservas. O clube vem de uma gestão até agora ruim, com a venda de bons jogadores (que queriam sair mesmo), mas sem reposição adequada, com alguns veteranos que já não ajudam como ajudavam no passado. Pior. Com uma recente mudança de comando técnico – Osmar Loss deu lugar para Jair Ventura.

Ver o Corinthians campeão poderia dar a falsa ideia de que é possível ganhar taça importante e valiosa (a premiação ao campeão é de R$ 50 milhões) sem planejamento, sem jogadores, sem bom futebol, de qualquer jeito, como vem atuando esse Corinthians na temporada – a equipe disputou a final da Copa do Brasil e se vê enroscada com ameaça de rebaixamento no Brasileiro. O próprio torcedor corintiano, embebecido então pela conquista, pelo novo milagre – o primeiro talvez tenha sido eliminar o Flamengo na semifinal ou derrubar o Palmeiras dentro do Allianz na conquista do Paulista –, sairia às ruas acreditando que o improviso é o caminho. Digo que não é. Digo que a derrota desse gigante Corinthians vai fazer com que sua diretoria melhore as condições do elenco para a temporada de 2019. Repense, qualifique, sustente e renove. 

A conquista empurraria tudo o que há de errado nesse Corinthians para debaixo do tapete verde de Itaquera.

Daí a necessidade de o Cruzeiro ficar com o título. O time de Mano Menezes se preparou melhor. Tem os melhores atletas, como Arrascaeta, autor do segundo gol. O Cruzeiro jogou melhor e esteve mais próximo do gol nas duas partidas, sem medo – é bem verdade que teve vitória magra em Minas apesar do volume de jogo e jogadas de gol. Ontem , na casa corintiana, precisou de alguns minutos para respirar e retomar a consciência após o gol de empate de Jadson, de pênalti. Os jogadores azuis perderam o sentido com a marcação da falta capital com a ajuda do VAR, o árbitro de vídeo. Ocorre que o lance, discutível e que dará pano para mangas o restante da semana, inflamou a torcida alvinegra, que foi a Itaquera três dias seguidos: para conseguir ingresso do treino, para assistir ao treino e ontem no jogo. Essa torcida também é vitoriosa.

ARBITRAGEM

Desisto dela. Não consigo mais entender o que os árbitros marcam, o que o VAR faz, o que as pessoas que comandam a arbitragem enxergam. É preciso tomar o apito de alguns árbitros, como de todos que participaram na decisão de ontem da Copa do Brasil. Meus cansados mas atentos olhos para o futebol não viram o pênalti dado em Ralf em falta creditada a Thiago Neves. Também não viram a falta cometida em Dedé por Jadson que anulou o gol de Pedrinho, que havia acabado de entrar. Andamos para trás nesse quesito por pura falta de competência e coragem dos envolvidos.

 

 

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