Vitória perto do seu 1º tetracampeonato

Hoje é dia de quebrar tabu na decisão do Campeonato Baiano. Fundador da primeira liga há exatos 100 anos, o Vitória precisa de um empate para ganhar o inédito tetracampeonato. E o Bahia, que já foi tetra quatro vezes, vai tentar se livrar de uma escrita de sete anos sem vencer no Estádio Manoel Barradas, de propriedade do Vitória, para conquistar o título. O clássico é abençoado pela principal líder religiosa da Bahia, a mãe-de-santo Stella de Oxossi, do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, homenageada com o nome da taça oferecida pela Federação Bahiana de Futebol (FBF). O volante Vinícius volta ao time do Vitória depois de cumprir suspensão, mas o lateral Edílson, expulso no primeiro Ba-Vi da final, empatado em 2x2, cede o lugar para Carlos Magno. O Leão, como o rubro-negro é chamado por seus torcedores, fez melhor campanha que o tricolor e terá a vantagem de jogar por um segundo empate. Os treinadores preferiram fazer suspense na escalação. René Simões, pelo Vitória, admite escalar o veterano Alex Alves, revelado no Vitória há 11 anos, quando perdeu uma final para o Bahia, graças a um gol marcado nos descontos pelo atacante Raudinei. No caso de Alves entrar, Gilmar, um dos principais artilheiros do time, iria para a reserva. Já o meia Zé Roberto alega sentir uma contusão e Magnum está de sobreaviso, mas pode ser que tudo seja um teatrinho para deixar na defensiva o treinador do Bahia, Hélio dos Anjos. Com Zé ou sem ele, nem precisava encenação, pois Hélio está sempre na defensiva. Tanto que não tem dúvida em relação ao seu esquema. Mesmo precisando vencer, o Bahia continua com três zagueiros e dois volantes marcadores, Neto e Fernando Miguel, que estão de volta ao time. As dúvidas estão na ocupação das posições estratégicas na zaga, entre Alysson e Reginaldo Cachorrão, e na ala direita, disputada por Paulinho e Marcos Vinícius. O zagueiro Leonardo, negociado ao Palmeiras, está confirmado. Para o técnico do Bahia, uma boa proteção à defesa vai liberar para criação o meia Guaru, esperto nas ligações na intenção de Dill, artilheiro do campeonato com nove gols, e do artilheiro paulista Viola, veterano de 36 anos, mas um dos destaques do time. Mesmo com os times na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, a torcida está animada. Foram trocados por notas fiscais todos os 7 mil ingressos disponíveis em uma promoção do governo do estado. Outros 28,5 mil ingressos colocados à venda vão esgotar, de acordo com a expectativa da direção do Vitória, clube mandante. A polícia baiana ficou de vigiar a torcida até de helicóptero, pois este ano, facções organizadas como Bamor, pelo Bahia, e Imbatíveis, pelo Vitória, estão se enfrentando em freqüentes escaramuças, copiando o exemplo negativo dos torcedores de clubes do Sudeste do País. O campeonato baiano é o segundo mais antigo do país e já teve 102 campeões em um centenário de disputa. Em 1938, foram realizadas duas competições e em 1999, Bahia e Vitória foram declarados campeões depois de um desentendimento entre os rivais sobre o mando de campo da decisão.

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