Andy Rain/EFE
Andy Rain/EFE

Vitória sobre a Suécia fez torcida inglesa começar a louvar o potencial do time

Inglaterra precisa passar pela Croácia para enfrentar a França na decisão

Liz Clarke / Londres, The Washington Post

11 Julho 2018 | 05h00

Cabem todos no Elbow Room, um pequeno pub localizado na multiétnica e multilíngue periferia do norte de Londres. Com o antes improvável avanço da Inglaterra para as semifinais da Copa do Mundo pela primeira vez em 28 anos, um refrão une agora todas as raças no Elbow: “O futebol está voltando para casa”.

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O refrão, de uma canção pop de 1996, foi alegremente adaptado para o momento em que a Inglaterra, que se considera o berço do futebol, faz uma trajetória viável para a vitória na Copa da Rússia. Trata-se de uma ocasião que muitos sofredores/torcedores ingleses não acreditavam que chegassem viver para ver.

Mas a possibilidade ficou mais próxima na tarde de sábado – depois que uma cabeçada de mestre de Harry Maguire e outro gol, de Dele Alli, 29 minutos depois, fecharam o placar de 2 a 0 contra a Suécia e levaram a Inglaterra para a semifinal com a Croácia, sua adversária desta quarta-feira – o vencedor enfrenta, na final de domingo, a França, que derrotou a Bélgica por 1 a 0 nesta terça-feira.

No clima de euforia dos pubs e das ruas, de Birmingham a Portsmouth, a psique nacional inglesa, que havia elevado o “prepare-se-para-o-pior” futebolístico a uma forma de arte, passou subitamente a transbordar otimismo, tomada por uma Febre da Copa.

“Todos comigo agora: “Ele está voltando”, puxou no domingo o coro Glenn Dale, de 49 anos, ocupando exatamente o mesmo lugar no Elbow que ocupou em todos os jogos da Inglaterra na competição russa.

“O que Gareth Southgate fez é pouco menos que um milagre”, vibrava Dale falando do técnico inglês de 47 anos, convertido em herói nacional por forjar uma equipe competitiva com jovens que treinou ainda como técnico no time sub-21 da Inglaterra. “Em menos de dois anos, ele transformou totalmente a seleção inglesa”, completou o fã entusiasta.

 

A partida de sábado paralisou o comércio inglês – pelo menos o comércio não ligado diretamente a pubs e cerveja. Lojas e cafés de todo o país já estavam sem funcionários horas antes do jogo. Noivas lamentavam ter programado o casamento para 7 de julho – quem iria à festa? O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, propôs feriado bancário se a Inglaterra ganhar a Copa. Ele está entre os que têm idade suficiente para lembrar do Mundial de 1966, o último e único que o país venceu.

Ainda não havia a Febre da Copa quando o campeonato começou, três semanas atrás: as esperanças dos torcedores já haviam sido destroçadas vezes demais em Copas anteriores. Técnicos estrelados e jogadores internacionalmente festejados como David Beckham e Wayne Rooney fracassaram tão logo vestiram a camisa inglesa. Uma constelação de superastros não dá necessariamente liga.

Em contraste, a equipe inglesa de 2018 é jovem, formada por jogadores de origem humilde e procedências diversas, que abriram caminho através de times pouco conhecidos. Junte-se a eles um técnico também humilde e ninguém esperava muito da disputa na Rússia. “As chances da Inglaterra antes da Copa eram 1 e 14”, comentou Dave McGilynn, de 54 anos, frequentador do Elbow Room. “Muita gente – incluindo eu mesmo – apostou na Espanha.”

A poucos quarteirões dali, em outro pub, o Beehive, Tom Greatorex, de 37 anos, pensava em como seria bom ganhar a Copa. “Estávamos sem nada de que nos orgulhar, a começar de um governo terrível que não fala com o povo”, disse Greatorex, professor de arte no bairro de Hackney. “Mas agora temos esse time incrível, cheio de gente de outras raças e diferentes origens. Isso para mim é a Grã-Bretanha. Ela foi feita com a ajuda de pessoas de outros países – e nossa seleção, também.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

 

 

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