Viúva de Dener ainda luta na Justiça

Sete anos depois da morte do jogador Dener, completados nesta quinta-feira, o caso ainda provoca polêmica. A viúva do atleta, Luciana Gabino, garante que ainda não recebeu da Portuguesa parte do seguro de vida e os direitos trabalhistas (fundo de garantia, férias e 13.º salário). Do Vasco, cobra salários, luvas referentes à transferência de clube e o depósito do Fundo de Garantia. Tudo que conseguiu nestes últimos anos foi uma ajuda de custo de R$ 100,00 e uma cesta básica para cada um dos três filhos: Denis Henrique, de 11 anos, Felipe, de 9, e Dener Mateus, de 7, que jogam nas divisões infantis da Portuguesa. Os garotos também contam com condução para irem até o local dos treinamentos. Do Vasco, conseguiu a quitação de seu apartamento. "Na Portuguesa me tratam muito bem. Mas já se foram sete anos e nada", lamenta. "Fome não passo, mas dificuldades sempre existem." Sobre o imóvel, foi direta: "O Eurico deu apenas uma parte do que devia ao Dener." Luciana, no entanto, diz desconhecer a atual situação do caso. "Sou leiga no assunto. Deixo nas mãos dos meus advogados." Responsáveis pelo caso, os advogados Válter Eustáquio Franco e Paulo Henrique Marques Franco não poupam críticas a Portuguesa e Vasco. "Eles nunca deram um centavo para a família", disse Marques. "Eurico Miranda tentou subornar a mãe do jogador (Vera), dando-lhe um apartamento em troca de uma assinatura. Deu-se mal, pois ela não é a beneficiária, mas sim a Luciana." O advogado afirma que o caso está bem adiantado e próximo de um desfecho. "Aguardamos apenas o julgamento. O recurso está em Brasília desde o dia 4 de outubro de 2000 e o Vasco já foi condenado em segunda instância." O juiz responsável é Horácio Raymundo de Senna Pires. Até um perito está no caso, elaborando os cálculos provisórios que definirão o valor final da indenização. Impasse - O pesadelo da família começou no dia 15 de janeiro de 1994, quando Portuguesa e Vasco acertaram um contrato de empréstimo do jogador, que defenderia o clube carioca até 31 de julho do mesmo ano. O item 9 do "Termo de Empréstimo de Atleta Profissional" ressalta que o clube cessionário, no caso o Vasco, era obrigado a fazer um seguro de vida e de acidentes pessoais para o atleta no valor de US$ 3 milhões. Os cariocas não fizeram o seguro e o pagamento acabou indo parar na Justiça. A Portuguesa ganhou a causa e recebeu os US$ 3 milhões do Vasco, em três parcelas, mas diz que já pagou à família tudo a que teria direito. "Logo que o Dener morreu, acertamos com os familiares do atleta todos os seus direitos, salário, férias, 13.º salário e tudo o mais. Tanto que a ação que a Luciana move é contra o Vasco," alega o presidente da Portuguesa, Amílcar Casado.O dirigente ainda confirma que a Lusa dá ajuda aos três filhos de Dener por eles jogarem nas divisões infantis do clube. "Isso dá uma idéia de como é nosso relacionamento. A Luciana está sempre no Canindé e nos damos muito bem." Truculência - Já o presidente do Vasco, Eurico Miranda, diz que o alvo de Luciana é a Lusa. "Acho que não deveríamos ter pago nada, mas tudo o que tínhamos para pagar foi acertado. Além disso, pagamos o apartamento dela e o da mãe dele," esbravejou. Na época do acidente, o cartola vascaíno teria ficado com a custódia do veículo do atleta, um Mitsubishi Eclipse branco, placas DNR 0010, atualmente abandonado em um pátio do Detran do Rio.

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