Cesar Greco/Agência Palmeiras
Cesar Greco/Agência Palmeiras

'Vivi a mudança do time e isso dá um sentimento diferente', disse Prass

Goleiro fala sobre sua renovação de contrato e como é ver o Palmeiras brigando na parte de cima, após um 2014 tão ruim

Entrevista com

Fernando Prass

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2015 | 07h00

O goleiro Fernando Prass é um dos poucos jogadores do elenco do Palmeiras que estavam na equipe no ano passado. São oito no total (Fábio, Jailson, Nathan, João Pedro, Allione, Cristaldo e Mouche são os outros), sendo que ele é o único titular absoluto. Por isso, o sentimento ao ver a equipe brigando na parte de cima da tabela é diferente dos demais companheiros. Em entrevista exclusiva ao Estado, o experiente goleiro falou do momento do time, disse que espera renovar contrato, que tem duração até o fim do ano, mas caso não entre em acordo, deve continuar no futebol brasileiro e admitiu que as comparações com Marcos o incomoda.

Está ansioso para ver logo o Palmeiras entre os primeiros?

O importante é ser primeiro na última rodada. Óbvio que vamos tentar somar o máximo de pontos e se fizermos a nossa parte e os adversários tropeçarem, podemos chegar. Mas não estamos desesperados para chegar na liderança.

Depois de tudo que aconteceu ano passado, ver o Palmeiras tem um gosto especial?

Muito. Não que os que chegaram agora não tem responsabilidade, mas quem chegou, está zerado. Não viveram tudo aquilo do ano passado. Só passaram por coisas boas no Palmeiras. Final do Paulista, bem no Brasileiro e na Copa do Brasil e recebendo em dia. Eu cheguei em 2013. O Palmeiras tinha nove mil sócios, estava na segunda divisão, salário atrasado e sem estádio. Hoje, são 130 mil sócios, time na ponta e estádio espetacular. Vivi toda a mudança do time e isso dá um sentimento diferente.

Esperava pela reformulação e que ela fosse dar tão certo?

Reformulação a gente sempre espera, pelo que aconteceu. Resultados eram difíceis de prever, porque quando se fala de reformulação, não significa que vá dá certo. Mas eu não tinha expectativa, porque quando acabou o ano, desliguei de tudo. Foi uma carga de estresse muito grande. Precisava recarregar as baterias porque foi um ano estressante. Além da lesão que tive, a situação do Palmeiras, de escapar da queda na última rodada, foi demais.

Como está a conversa para renovação de contrato?

Conversamos na quarta-feira da semana passada e devemos ter uma nova conversa nesta quarta. O que menos quero é que a situação se arraste, porque já criam boatos de que o Palmeiras vai atrás de goleiros e depois vai aparecer que eu acertei com alguém. Espero que a gente resolva logo, porque as pessoas acreditam em tudo que sai e fica uma coisa chata. 

Seu contrato não é de produtividade. Acha que isso pode atrapalhar na conversa?

Não, porque peguei o Palmeiras nas 'vacas magras'. Sem verba de televisão e sem dinheiro. Hoje tem uma situação financeira muito melhor e hoje tem capacidade de investimento. Sinceramente, a parte financeira, claro que é importante, pois sou profissional, mas não será o fator principal para minha renovação.

Quando o Aranha chegou, muita gente achou que você iria para a reserva. Ficou surpreso com a chegada dele e como é relação entre vocês?

A filosofia que o Palmeiras montou, de ter dois jogadores fortes por posição tinha que existir também no gol. A imprensa e a torcida gostam desta discussão, desta fantasia de criar uma situação de que não nos damos bem, mas a relação que tenho com o Aranha e com o Jailson é espetacular. O Aranha é meu vizinho e várias vezes vamos embora juntos.

Já se sente mais identificado com o Palmeiras do que com o Coritiba ou Vasco?

Acredito que sim. Acho que deixarei meu nome marcado na história do Palmeiras e os resultados contam muito. Tenho mais alguns meses de contrato e espero renovar. Já vou superar em tempo de casa os outros clubes e a possibilidade de ficar marcado aqui é muito grande. 

E essa história de ser o sucessor do Marcos. Não incomodava ficar sendo comparado com ele toda hora?

Para falar a verdade, incomoda sim. Porque tem outros assuntos bons para falarmos e sabia que nos primeiros meses iam bater nessa tecla, mas continuavam falando. 

Como um dos líderes do Bom Senso, o que pensa sobre o fato dos clubes estarem atrasando tanto salários e quando isso vai mudar?

Uma das coisas que acreditamos que possa surtir efeito é a MP (Medida Provisória do Futebol). Vai dar um norte. Não irá resolver, mas vai dar uma linha que os clubes devem seguir. Hoje ninguém sabe o que fazer. Tem o fair play financeiro, mas isso não funciona de nada. A denúncia tem que partir do jogador e ele precisa ser nominado. O clube tem 15 dias para pagar e o ambiente fica péssimo. Se paga só o que reclamou, como ficam os companheiros? Sem contar sua relação com a diretoria. É um mecanismo falho. A questão é que a MP pode dar certo. Não queremos a punição dos clubes, mas sim, evitar que fiquem na situação que vivem hoje. Não adianta tentar curar a doença depois que as coisas estão no estado terminal. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.