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Primeiras técnicas a integrar comissão da seleção brasileira de vôlei celebram oportunidade

Comandada por Adriana Behar, Confederação Brasileira de Vôlei quer maior participação feminina na entidade; as escolhidas para iniciar o projeto são Mirtes Benko e Karina de Souza, com mais de 20 anos de experiência na modalidade

Pedro Ramos, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2022 | 15h00

Duas técnicas vão integrar as comissões técnicas das seleções de base pela primeira vez na história do vôlei brasileiro. Com mais de 20 anos de experiência, Mirtes Benko e Karina de Souza vão assumir o cargo de auxiliares nas equipes femininas sub-18 e sub-20 respectivamente. A oportunidade é reflexo da diretriz da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) de buscar maior participação de mulheres. "É um caminho sem volta, assim espero", diz a gerente de seleções da entidade, Julia Silva.

A orientação de gerar um ambiente mais inclusivo e diverso resultou na criação de um processo seletivo para inserir técnicas nas seleções de base. Alguns nomes foram sugeridos internamente, currículos foram analisados e perfis traçados. Por se tratar de um cargo de confiança, os próprios técnicos conversaram com as candidatas, explicaram seus projetos e compartilharam suas experiências em quadra. Coube a eles a palavra final.

"Muitos jogadores se tornam treinadores quando encerram a carreira, mas não acontece tanto com as mulheres. A minha conclusão é a ausência de referências. Esse é um pontapé inicial, queremos expandir dentro das comissões e para outras funções também. O que fizemos foi dar oportunidade para técnicas muito capacitadas. Que elas sejam pioneiras e referências. O fato de ter as treinadoras ali pode influenciar em ter mais mulheres em outras áreas", explica Julia.

Assim como quer ser espelho para outras técnicas, Mirtes Benko teve sua irmã como modelo. Ela começou cedo a treinar e, na sua primeira equipe, só tinha nove anos de diferença para os jogadores do time. Hoje, a nova auxiliar da seleção feminina sub-18 tem uma larga bagagem de 28 anos no Corinthians e comemora as portas abertas para maior inclusão feminina no esporte.

"Minha irmã foi técnica por muitos anos, fui na cola dela. Fomos atletas adolescentes, comecei a fazer estágio e ouvi que eu levava jeito. Essa é a maior conquista da minha vida, com certeza. Eu fiquei muito feliz, é a sensação de dever cumprido saber que as pessoas estão olhando o seu trabalho, foi muito bacana. Soube da convocação na segunda-feira, deu uma tremedeira na hora. Eu não estava acreditando que isso estava acontecendo. Estou em um estado de euforia gigante e vontade louca de trabalhar e contribuir da melhor possível", conta empolgada. "É construir uma história não só para mim, mas para as mulheres e meninas do esporte".

Karina de Souza, que será auxiliar do técnico Wagão na seleção feminina sub-20, dedicou sua vida ao vôlei e ajudou a revelar grandes nomes do vôlei brasileiro como Natália e Rosamaria. Nos 25 anos de carreira, travou uma luta diária para conquistar seu espaço.

"Estou há anos sonhando com essa oportunidade. É o reconhecimento de anos de trabalho em Santa Catarina. É uma grande oportunidade de conseguir quebrar um pouco esse tabu, de buscar igualdade e mostrar todo nosso potencial. Sendo pioneiras, temos essa responsabilidade de exemplo para as próximas treinadoras. Potencial a gente tinha, faltava oportunidade".

Mirtes e Karina, mesmo no cargo de auxiliares, sabem que o caminho para serem técnicas da seleção brasileira se abriu mais ainda a partir de agora. As duas se apresentam à seleção brasileira no próximo dia 4, em Saquarema, no Rio de Janeiro.

A gerente de seleções da CBV, Julia Silva, avisa que as mudanças em busca de maior diversidade de gênero na entidade vão continuar. "Para processos futuros, devemos ter mais profissionais mulheres no nosso radar. Esse é um primeiro, outros vão acontecer e esperamos que seja uma porta que nunca mais se feche". 

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