Volta à seleção pesa na hora de optar pelo Corinthians

Apesar das recentes lesões e dos 32 anos, Ronaldo acredita que ainda pode jogar uma Copa do Mundo

Anelso Paixão e Fábio Hecico - O Estado de S. Paulo,

10 de dezembro de 2008 | 10h19

Ronaldo com saudades da bola não é novidade. Mas seu sonho vai bem além de voltar a defender grandes clubes, como tem enfatizado. A vontade de apresentar novamente futebol de alto nível, agora defendendo o Corinthians, além de mais uma vitória pessoal, é uma forma de convencer o técnico Dunga de que ainda tem condições de servir à seleção brasileira. Veja também:Jorginho diz que dificilmente Ronaldo retornará à seleçãoRonaldo Fenômeno acerta com o CorinthiansRonaldo avisa: 'Está chegando mais um louco ao Corinthians' Corinthians não teme inflação de salários no restante do elenco Diretoria e torcida do Flamengo ficam indignadas com Ronaldo Veja imagens da carreira de Ronaldo TV Estadao: Corinthians acerta com a contratação de Ronaldo O Corinthians acertou em contratar Ronaldo Fenômeno? Bate-Pronto: Ronaldo e o sonho do Corinthians Dê seu palpite no Bolão Vip do Limão Ronaldo ficou muito frustrado com a eliminação da seleção na Copa da Alemanha, em 2006, nas quartas-de-final, com derrota para a França por 1 a 0, gol de Thierry Henry. Aquele foi seu último jogo pela equipe nacional. Na época, quatro anos após brilhar e garantir o título no Japão, não achou justo despedir-se por baixo. Para pessoas próximas, o Fenômeno - maior artilheiro da história dos Mundiais, com 15 gols - admitiu que ainda sonha disputar a Copa da África do Sul, em 2010, para "apagar a má impressão de 2006." Seria seu quarto Mundial. "Ele é um craque e a seleção ainda precisa dele", ponderou o diretor técnico Antônio Carlos, que também ouviu, da boca do jogador, o desejo de defender a seleção. "Ele sabe que a visibilidade no Brasil é grande. E jogando em São Paulo, maior ainda". Desde que Dunga assumiu a seleção, com discurso de renovação no grupo que naufragou em 2006, Ronaldo esteve fora dos planos. De início, Adriano, Kaká e Ronaldinho, outros integrantes do quarteto mágico que teve fim de linha em Frankfurt, também foram preteridos. As primeiras opções ofensivas de Dunga foram Vágner Love e o desconhecido Afonso Alves, então do Heerenveen (Holanda). Robinho foi o remanescente do Mundial a manter prestígio intacto. Com o tempo, o treinador viu que tinha de mudar conceitos. A volta dos "medalhões" era inevitável. Primeiro foi Kaká, depois Ronaldinho e, por último, Adriano. Vendo os amigos ainda nos planos da seleção, Ronaldo também sentiu que pode ter nova chance. Pelo menos fora de campo, o entrosamento com a nova turma de Dunga já começa a ser maior. Em setembro, o craque não resistiu. Antes do jogo da seleção contra a Bolívia, no Rio de Janeiro, foi ao hotel em que a equipe estava concentrada para desejar "boa sorte" aos ex-companheiros. Na visita, conversou bastante com Robinho, de quem ganhou elogios, e viu Luís Fabiano, o dono da camisa 9 da equipe verde-amarela, desejar seu retorno. "Torço muito para que ele volte a jogar, quem sabe do meu lado na seleção", afirmou o atacante, se considerando "parceiro" do Fenômeno. Seria mais um dos vários retornos à equipe canarinha. Antes da Copa do Mundo de 2002, após passar longo tempo afastado dos campos por causa de cirurgias nos dois joelhos, Ronaldo chegou a ouvir de especialistas que estava acabado para o futebol. Convenceu o então técnico Felipão do contrário e, naquele ano, encantou o mundo com gols, muitos - foram oito no total, dois deles na decisão diante da Alemanha - e bom futebol. Sem contar o corte de cabelo ao estilo Cascão (personagem de Maurício de Souza), que encantou crianças, marmanjos e até jogadores profissionais, como o lateral Leandro, agora no Palmeiras e que o imitou na época. Ronaldo também ficou fora de jogos da seleção em 2003 e em 2005. Sempre deu a volta por cima e agora aposta, mais uma vez, surpreendeu o mundo.

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