Hélvio Romero/Estadão
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Mauro Cezar Pereira
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Volta ao passado

São Paulo tem boas chances de fechar a primeira metade do campeonato na liderança

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 04h00

O São Paulo reocupa a primeira colocação do Brasileiro após 124 rodadas, o que equivale a mais de três campeonatos inteiros. Tempos difíceis para o clube que dominou boa parte do futebol nacional na década passada, ganhando um Estadual, uma Libertadores, um Mundial da Fifa e três títulos nacionais em sequência. Tudo isso entre 2005 e 2008. 

O tricolor no topo da classificação reflete uma volta no tempo não apenas pela posição na tabela, mas também pelo estilo. 

O São Paulo de Diego Aguirre é pragmático como fora o de Muricy Ramalho tricampeão do Brasil. Na vitória suada sobre o Vasco, mais uma vez teve menos a bola (47%) e foi bem mais faltoso – 27 infrações contra 9. 

O gol veio na marra, com Tréllez formando dupla de centroavantes ao lado de Carneiro e cabeceando bola cruzada por Éverton. 

A questão é o repertório. Na quarta-feira o time sofreu diante da retranca do Colón, sendo derrotado na Copa Sul-americana. E diante dos vascaínos, que não se apresentaram da mesma forma, se viu em dificuldades após o gol de empate. 

Aguirre conseguiu a vitória na marra, o que faz parte numa campanha de 38 rodadas. Mas com 21 a disputar e 63 pontos ainda em jogo, será preciso mais futebol, uma coletânea minimamente ampla de jogadas, pois nem sempre o jogo se apresentará como gosta. O uruguaio montou a equipe para esperar o rival e jogar com espaço, algo que o Vasco deu no segundo gol.

As próximas rodadas, fechando o turno, preveem visita ao Sport, com pífia campanha após a Copa do Mundo, e Chapecoense no Morumbi. Boas possibilidades de o São Paulo fechar a primeira metade do campeonato na primeira posição. Ainda mais com o Flamengo, segundo colocado, recebendo o Cruzeiro, em meio a jogos de mata-mata, e visitando o Atlético, no Paraná. 

Mas ser “campeão” do primeiro turno é algo simbólico, sem peso prático no desfecho. O futuro do campeonato vai depender do desempenho do novo líder e da postura de seus perseguidores na temporada. 

Um cenário seria o Flamengo avançando na Copa do Brasil e na Libertadores. Outro teria os rubro-negros somente na Série A. 

O mesmo vale para outros oponentes. O Grêmio, por exemplo, ficaria 10 pontos atrás do líder, caso perdesse para o Flamengo sábado. Ao vencer, mesmo com reservas em campo, fincou bandeira a cinco da primeira posição. Caso seja eliminado dos outros dois torneios, obviamente mergulhará de cabeça no Brasileirão, aumentando a concorrência. 

Falando em volta ao passado, nessa análise dos possíveis adversários sob uma perspectiva são-paulina, fica evidente que um de seus maiores rivais não pretende desafiar o novo líder. 

O Palmeiras poupou titulares no empate sem gols com o América, em Belo Horizonte. Tal fato na reestreia de Luiz Felipe Scolari evidencia o que não surpreende ninguém, a prioridade pelos jogos eliminatórios. Ante um adversário cauteloso, que mesmo em seus domínios assumiu postura conservadora, marcando na maior parte do tempo atrás, os palmeirenses tiveram a bola por mais tempo e finalizaram mais. 

Os cruzamentos foram fartos: 30, com 14 finalizações, quatro no alvo, uma delas o pênalti desperdiçado por Jean na defesa de João Ricardo. 

Foi a segunda penalidade máxima perdida pelo Palmeiras em quatro dias. No empate (também 0 a 0) de quinta-feira com o Bahia, pela Copa do Brasil, em Salvador, Bruno Henrique acertou o travessão da Fonte Nova, em Salvador. 

O serviço Data ESPN, do canal esportivo, registra que o time bateu 15 pênaltis entre 2017 e 2018. Perdeu oito, mais da metade. 

 

 

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