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Volta da interrogação

O São Paulo virou incógnita, de novo, com saída de atletas e com desempenho oscilante

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2017 | 07h00

No ano passado, em diversas ocasiões escrevi que o São Paulo estava envolto em enorme ponto de interrogação. Difícil saber o que se poderia esperar do time, entregue a vários e díspares comandos ao longo da temporada, e com baixas constantes. Houve momentos nos quais flertou com a zona de descenso na Série A. No final, livrou-se do desconforto de vexame histórico e terminou em banho-maria, com perspectivas melhores para 2017. Novo treinador, jogadores que chegavam, o aparente controle na política do clube, etc.

Pois a folhinha mostra o meio do calendário atual e as dúvidas ressurgem no Morumbi. Se não na parte administrativa – que interessa a cartolas e sócios –, mas no campo, este sim que chama a atenção de milhões de tricolores, lhes tira o sono e provoca apreensão.

O Brasileiro teve disputadas só oito das 38 rodadas previstas e já embaçou a situação da equipe de Rogério Ceni.

O futebol mostrado até esta altura do ano não é um primor – embora na largada tenha adoçado a boca da plateia com estilo agressivo. Em pouco tempo, acumularam-se desclassificações e restou o campeonato nacional para salvar a honra. E, também nele, com inconstância, com altos e baixos, com tendência de mais baixos do que altos. Afinal, a rapaziada de Ceni perdeu quatro jogos, empatou um e ganhou três. Está na zona do lusco-fusco.

Para complicar, as saídas no elenco são constantes, o que afeta a consolidação de um esquema, de uma estratégia clara, como por exemplo tem o Corinthians. O público mal consegue cantar uma escalação titular, e eis que muda na semana seguinte. Neres, Lyanco, Luiz Araújo tinham feito as malas, anteriormente, e a eles se junta Maicon. A lista pode aumentar. O dinheiro entra, as finanças parecem equilibrar-se, mas as opções diminuem. E não convencem muito as promessas oficiais que haverá reposição de qualidade. 

Fica a sensação, na prática, de que o São Paulo virou time comum, participante com currículo brilhante e que, nos últimos anos, assumiu a condição de coadjuvante, quase figurante. Insuficiente para quem ostenta a condição de uma das mais estreladas agremiações do futebol mundial. Há possibilidade imensa de fechar outro ciclo sem conquistas – depois do tri nacional em 06/07/08, festejou apenas a Sul-Americana em 2012 e nada além disso. Nem o mais fanático imagina que o grupo de hoje venha a ser campeão brasileiro.

Ao contrário, é preciso tomar cuidado para não descer mais algumas casas, se perder nesta noite para o Atlético-PR, em Curitiba. Apesar de o adversário estar em fase igualmente estranha, deu sinais de reação ao bater o Atlético-GO fora de casa no sábado.

Não adianta nem desviar o foco, recurso são-paulino habitual. Na derrota para o Atlético-MG, no domingo, não se discutiu a anemia do ataque, não se questionou nenhuma decisão de Ceni; no entanto, falou-se à exaustão da falha de Lucão no segundo gol mineiro e, sobretudo, nas declarações que deu de cabeça quente. Para todos os efeitos, creditou-se o insucesso a um erro individual.

No dia seguinte, para aplacar o impacto da despedida de Maicon, focou-se no treino de Brenner, a nova promessa de craque local. A esperança no garoto serviu para dar como páginas viradas as derrotas e minimizar o perigo de despencada na tabela. Ok, agenda positiva serve para manter a moral erguida; mas o São Paulo há muito carece de olhar crítico apurado, para detectar por que essa potência vive período opaco. 

 

Obrigação verde

A propósito de sombras, o Palmeiras tem obrigação de ganhar do Atlético-GO, no Allianz Parque, se quiser engatar sequência de bons resultados que o leve a brigar pelo topo e não a desistir precocemente da briga pelo título.
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