Volta Redonda faz o jogo da sua vida

O Volta Redonda Futebol Clube pode fazer história hoje e desfazê-la em parte amanhã. Basta um empate com o Fluminense, às 16 horas, no Maracanã, para que o clube, fundado em 1976, conquiste pela primeira vez o título do Campeonato Carioca. E comece também a montar um novo time. Dos 11 titulares, pelo menos 10 devem ir embora. "O sonho pode virar pesadelo em menos de 24 horas", diz o técnico Dário Lourenço. O Voltaço só vai disputar novamente um torneio oficial em agosto, a Série C do Campeonato Brasileiro. "Não tem como segurar esses atletas sem atividades importantes por quatro meses. A debandada será inevitável."Numa tentativa pouco promissora, o presidente do Volta Redonda, o empresário do setor de transportes Rogério Loureiro, promete ir à sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) amanhã mesmo para fazer um apelo a seus dirigentes: que a entidade abra uma exceção e inclua o clube, campeão ou vice do Carioca, na Série B do Brasileiro, cujo início está programado para sábado. "Como devemos agir para não perder a equipe? O que fazer? É um absurdo pensar na hipótese de ficar parado com um grupo valorizado por vários meses." Apesar da disposição de lutar pelos interesses do clube, Loureiro reconhece que sua missão é quase impossível.A vitória por 4 a 3, de virada, no primeiro jogo da final, passou a ser assunto encerrado no Volta Redonda desde o início da semana. O otimismo na equipe é grande e ninguém conta nem com a possibilidade de o título com o Fluminense ser decidido em cobranças de pênaltis - vai ser assim se o Tricolor vencer por diferença de um gol. A palavra de ordem no Volta Redonda é humildade. E não é para menos. As limitações no clube são numerosas. A começar pelos recursos diretos dos dois patrocinadores. Um deles, que representa a marca de um café, paga apenas R$ 10 mil por mês. O outro, prestador de serviços para metalúrgicas, contribui com R$ 40 mil.O clube fatura com a exploração das placas e dos bares do Estádio da Cidadania, que em 2004 foi utilizado várias vezes por Flamengo e Fluminense, e ainda com uma ajuda da prefeitura. "Mas tudo isso junto ainda é insuficiente para nossas despesas de R$ 150 mil", conta Loureiro. Ele tem três objetivos imediatos: ganhar o título, esforçar-se ao máximo para manter pelo menos a "espinha dorsal" da equipe e concretizar finalmente uma parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). "Já tentamos um acordo com a empresa, fomos até bem recebidos, mas estamos esperando uma resposta faz um ano e meio."Se o Volta Redonda receber a ajuda da CSN vai poder resolver alguns problemas crônicos. Por exemplo, conseguir uniforme novo para cada jogo dos profissionais. Atualmente, as mesmas camisas são utilizadas por cinco, seis partidas seguidas. Com mais recursos, teria a oportunidade ainda de criar um quadro social - não dispõe hoje de nenhum associado - e juntar seus troféus num salão: estão espalhados pela concentração dos atletas e o da Taça Guanabara, o mais expressivo, fica na recepção, sobre o fichário dos funcionários do clube.A eventual conquista do Volta Redonda, inédita também para o interior do Estado do Rio, possivelmente estimularia novos investidores. "Já há vários contatos", afirma o presidente. Para o atacante Túlio, o Volta Redonda "é um milagre". "Com todas as dificuldades, chegar onde chegou é inimaginável."FLUMINENSE - Em busca do 30.º título do Carioca, o Tricolor aparentemente não se deixou abater pela desvantagem parcial. Os jogadores procuraram manter a calma para a disputa desta tarde e pesou o argumento de a equipe ter o ataque mais positivo da competição, 28 gols contra 19 do adversário. Para o técnico Abel Braga, uma nova "virada", a favor de seu time, é possível.

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