Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Votação da MP do Futebol volta a ser adiada no Congresso

Clubes se mobilizam e buscam modificação do texto

ISADORA PERON, Estadão Conteúdo

17 de junho de 2015 | 21h58

A "bancada da bola" conseguiu adiar, mais uma vez, a votação da MP do Futebol, que tem como principal objetivo refinanciar as dívidas dos clubes brasileiros. A medida perderá a validade em 17 de julho e, após ser aprovada na comissão especial que discute o assunto, ainda terá de tramitar na Câmara e no Senado.

Apesar de o governo ter mobilizado seus senadores para garantir o quórum nesta quarta-feira na comissão, que não conseguia se reunir há semanas, os parlamentares decidiram pedir vista para analisar o parecer que foi apresentado pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ).

O presidente da comissão, senador Sérgio Petecão (PSD-AC), tentou marcar a sessão já para esta quinta-feira, mas os membros do colegiado disseram que precisavam de mais tempo para estudar o texto.

Durante a reunião, parlamentares ainda tentaram argumentar que será difícil votar a matéria na próxima semana, já que muitos deputados e senadores do Nordeste não vão comparecer ao Congresso por causa dos festejos de São João. Nos bastidores, parlamentares da base acusam a CBF de mobilizar seus aliados no Congresso para impedir que a tramitação da MP prossiga.

Nesta quarta, antes de apresentar o seu relatório, Leite teve um encontro com representantes de clubes, que pressionaram por mudanças na MP. Na reunião da comissão, o deputado afirmou que acatou algumas das reivindicações dos principais times do País, mas classificou como "inviável" a nova proposta para pagamento das dívidas que foi apresentada pelas agremiações.

A principal mudança que será feita no relatório é em relação à exigência de uma Certidão Negativa de Débito (CND) da Receita Federal para que os clubes possam participar de competições. Segundo Leite, ele não retirou a exigência, mas criou procedimentos para facilitar o cumprimento da medida pelos clubes.

O deputado também decidiu retirar o ponto que tratava da participação de atletas nas eleições internas dos clubes, o que preocupava os representantes dos grandes times.

"Eu tinha colocado que atletas poderiam participar das eleições das direções dos clubes, mas acolhi que isso era um ponto exagerado. Deixei apenas que os atletas terão representação nos órgãos técnicos das entidades de administração, aí faz muito sentido. Os clubes queriam tirar a CND. Eu mantive, mas incluí um dispositivo para dar solução a entraves burocráticos que, às vezes, realmente atrapalham a emissão do documento. Mas de forma nenhuma isso diminui ou acaba com a exigência da CND", disse Otávio Leite.

Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, foi o único dirigente de clube que permaneceu no Congresso para acompanhar a apresentação do relatório da MP. Ele havia se posicionado contrário às mudanças que os demais presidentes de clubes queriam ver na MP. Bandeira de Melo teve uma áspera discussão com Eurico Miranda, presidente do Vasco.

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