Votação da MP79 fica para amanhã

Mesmo depois de várias horas da reunião pela manhã e de um acordo firmado entre parlamentares, a Medida Provisória 79/02, que estabelece regras para os clubes de futebol, não foi votada nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. O PFL e o PSDB obstruíram a votação, exigindo a manutenção de um artigo que obriga os clubes de futebol a se transformarem em empresa.Depois de votação nominal, deputados decidiram pela leitura do projeto ainda nesta quarta-feira. Assim, ele deverá ser apreciado novamente na quinta."Agora ou é a nossa versão ou a deles", afirmou o deputado Gilmar Machado (PT-MG). O ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, que havia participado do encontro pela manhã, foi chamado às pressas para uma nova negociação, no fim da tarde. Ele atribuiu a reviravolta às pressões sofridas pelo PFL e PSDB. "O que eles pedem é inconstitucional. Não podemos determinar a forma de organização dos clubes", afirmou o ministro. Gilmar Machado, por sua vez, creditou a mudança à nova fase na vida dos dois partidos. "Eles não sabem fazer oposição."Do acordo firmado pela manhã, alguns pontos haviam sido retirados: o que beneficiava os clubes com a Lei Roanet e o que fixa o limite para o valor do direito de imagem de acordo com a faixa salarial do jogador. Os deputados podem apresentar nesta quinta-feira destaques que retirem ou modifiquem alguns artigos do projeto. As negociações devem continuar até o horário da votação. "Vamos continuar conversando para chegar a um ponto comum. Mas há tópicos que não podem ser alterados", afirmou o ministro Agnelo Queiroz.O deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) sustentou que as alterações são imprescindíveis para o maior controle e transparência na atuação dos clubes. Além da obrigatoriedade de os clubes se transformarem em empresas, ele defendeu a necessidade de as empresas que não cumprirem as regras serem impedidas de obter empréstimos. E ainda a determinação de quais integrantes da direção do clube que estariam sujeitos às penalidades, no caso do descumprimento das normas. "Caso contrário, um tesoureiro ou qualquer outro integrante responderia pelos atos, em vez de presidentes de federações, ligas ou clubes", justificou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.