Gonzalo Fuentes / Reuters
Gonzalo Fuentes / Reuters

‘Vou agarrar com unhas e dentes essa chance na seleção’, diz Fred

Meia do Shakhtar Donetsk voltou a ser convocado depois de dois anos.

Entrevista com

Fred

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 07h01

O meia Fred, do Shakhtar Donetsk, está de volta à seleção brasileira depois de dois anos. Nesse período, foi suspenso após ser pego no exame antidoping e viu o seu clube o impedir de disputar os Jogos Olímpicos do Rio. Agora, se apresenta ao técnico Tite, em Teresópolis, para os jogos contra Bolívia e Chile, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, e corre contra o tempo para convencer o treinador que merece estar no Mundial.

O torcedor brasileiro tem pouco acesso aos jogos do Shakhtar Donetsk. Como você avalia seu atual momento?

Realmente, o Campeonato Ucraniano não é tão forte e não tem tanta visibilidade como outros mercados. Não tem como comparar com o Inglês, o Alemão, o Espanhol... Do Brasil, é difícil de acompanhar os nossos jogos, mas agora, com a Liga dos Campeões, o pessoal consegue nos ver bem e avaliar o nosso grupo e desempenho aqui. Venho numa sequência muito boa, fazendo boas partidas e ajudando a equipe a evoluir. Estreamos bem na Liga dos Campeões, com uma boa vitória sobre o Napoli, e perdemos na Inglaterra para o Manchester City, que conta com um grande elenco.

Faltam apenas seis jogos da seleção (duas partidas de Eliminatórias e mais quatro amistosos) até a convocação final para a Copa do Mundo. Na sua opinião, o que será preciso fazer nesse período para convencer o Tite que você merece jogar o Mundial?

O que preciso fazer é mostrar o meu trabalho dentro de campo. Todos os convocados querem estar no Mundial, e comigo não é diferente. Todos sonham em jogar uma Copa do Mundo e vou procurar fazer o meu melhor para agarrar com unhas e dentes essa chance na seleção e poder ser chamado mais vezes. E, claro, tenho de manter o alto nível de atuações aqui no Shakhtar.

Como você vê a disputa por posição no meio de campo da seleção. Quais são os seus principais concorrentes e qual é o seu diferencial para ganhar a vaga?

A disputa é sadia, com grandes jogadores. Na minha posição, temos Renato Augusto, Paulinho, Fernandinho, que foi meu adversário agora pouco na Liga dos Campeões... Só jogadores de ponta. O que importa é que o Brasil está muito bem servido, com uma safra de muita qualidade. Farei de tudo para buscar uma vaga dentro do grupo do Tite.

Qual é a sua expectativa para os jogos contra Bolívia e Chile?

Queremos a vitória. O Brasil tem sempre de entrar para vencer e propor o jogo. É do nosso DNA, não tem jeito. E aquele respeito voltou. Teremos jogos difíceis pela frente. O Chile, por exemplo, ainda briga por uma vaga para estar na Copa. Não será fácil. Que a gente possa fazer duas grandes partidas e vencer bem, para fecharmos com chave de ouro essas Eliminatórias.

Por que você foi pego no exame antidoping na Copa América de 2015 e ficou suspenso por quase um ano? O que aconteceu?

Infelizmente, fui pego no doping. É sempre difícil para o jogador entender o que se passou. Sempre fui profissional ao extremo, atleta na essência da palavra, e foi duro para mim ficar tanto tempo sem fazer o que mais gosto. Graças a Deus, só tive grandes pessoas ao meu lado durante todo esse tempo, que trabalharam comigo e não me deixaram desanimar. Agradeço a cada um deles. Mas já passou e a gente amadurece com tudo isso. Estou ainda mais focado no Shakhtar, na Liga dos Campeões e, agora, na seleção. O que aconteceu ficou para trás e serve de aprendizado.

Você achou que o veto do Shakhtar Donetsk para que participasse dos Jogos Olímpicos de 2016 pudesse lhe prejudicar na seleção?

É complicado falar. Não sei o que poderia acontecer. Infelizmente, fiquei fora da Olimpíada pelo Shakhtar não ter me liberado. Acho que algumas outras boas oportunidades poderiam, sim, ter aparecido caso tivesse disputado os Jogos no Rio. Mas, tudo tem o seu momento. Continuei trabalhando firme no clube, o Tite conseguiu ver esse meu desempenho e acabei chamado. Talvez devesse ser assim mesmo.

Você ficou de fora da seleção por dois anos. O que fazia você manter a esperança de um dia voltar a ser convocado?

A gente tem sempre de trabalhar, buscar os nossos objetivos e viver um dia após o outro, com dedicação e sabedoria. Todos querem estar na seleção, quero muito ser convocado sempre, ainda mais depois de ter ficado tanto tempo parado. Mas sempre fui um cara com a cabeça boa, focado no trabalho, e consegui mostrar o meu futebol e ser lembrado novamente para a seleção. A oportunidade pode aparecer a qualquer momento e temos de estar prontos, não tem jeito.

Como o fato de a final da Liga dos Campeões este ano ser em Kiev tem motivado o elenco do Shakhtar Donetsk?

Claro que motiva. Uma final dentro de casa, onde estou morando, quem não quer? Sabemos que a Liga dos Campeões é uma grande competição, uma vitrine imensa, com as maiores equipes do mundo, e a gente procura fazer o nosso melhor, com grandes atuações para chegar o mais longe possível. Mas, sabemos que é um caminho árduo chegar até a decisão. Quem sabe?

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