Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

'Vou para a CBF para esclarecer tudo', afirma Del Nero, no Brasil

Após deixar congresso da Fifa, presidente desembarca no Rio

O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2015 | 07h18

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, está no Brasil. O dirigente desembarcou nesta sexta-feira, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, às 4h40, em um voo vindo de Frankfurt, na Alemanha. Ele deixou o congresso da Fifa, realizado em Zurique (Suíça), na quinta-feira, em meio ao maior escândalo de corrupção do futebol.

Del Nero prometeu esclarecer tudo o que for necessário. "O que aconteceu, envolvendo esta prisão, me fez voltar ao Rio de Janeiro para acompanhar os fatos de perto e prestar todos os esclarecimentos necessários", afirmou o presidente da CBF, em entrevista ao SBT. "A prisão dele (Marin) nos chocou profundamente e agora vamos aguardar os acontecimentos. Estou aqui na CBF no dia a dia para mostrar o nosso comportamento, a nossa lisura no trabalho."

Sobre Marin, Del Nero ainda completou. "Na medida que a Fifa determina o banimento do presidente José Maria Marin, que esperamos que tenha sorte no seu processo, que consiga fazer as provas necessárias a seu favor, a entidade e a diretoria entendeu de deixar fora pelo menos momentaneamente."

O nome do presidente da CBF não é citado nominalmente no documento divulgado pela Justiça norte-americana na quarta-feira, mas o Estado apurou que Del Nero faz parte das investigações de fraude e corrupção, embora não tenha sido convocado a depôr e não exista um pedido de prisão contra ele.

O dirigente deve ser o principal alvo da CPI no Senado para  investigar crimes de corrupção na CBF. O senador Romário (PSB-RJ) é o autor do requerimento e já avisou que Del Nero será o primeiro convocado. "Assim como o Marin, comprovadamente um ladrão, ainda temos que tirar outro câncer do futebol, o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero", disse.

O Ministério da Justiça também informou na quinta-feira que será aberto um inquérito pela Polícia Federal para investigar se foi praticado crime no Brasil relacionado ao escândalo da Fifa. A investigação, que  irá correr na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, vai apurar possíveis práticas de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro.

A CBF, inclusive, se antecipou e decidiu não esperar pela visita dos agentes da Polícia Federal (PF) e optou por entregar "de forma espontânea" ao Ministério Público Federal (MPF) os contratos firmados nos últimos anos. A informação foi divulgada em nota pela entidade no início da noite de quinta-feira.

Del Nero vai se reunir com os outros dirigentes da CBF nesta sexta-feira e, após o encontro, deve conceder uma entrevista coletiva.

EM ZURIQUE

Joseph Blatter, presidente da Fifa, abriu o congresso anual da Fifa apelando por "unidade" e se recusa a aceitar a responsabilidade pela crise. Nesta sexta-feira, ele concorre a um quinto mandato no comando da entidade. Mas nunca seu reinado esteve tão ameaçado como hoje e usou seu discurso para atacar os EUA e a Inglaterra por estar questionando a Fifa. 

*Atualizada às 9h57

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