Andrej Isakovic/AFP
Andrej Isakovic/AFP

Wada diz que eventual punição para a Rússia não afetará Eurocopa e Liga dos Campeões

Agência Mundial Antidoping descarta que país possa ser prejudicado e deixe de receber eventos após escândalo

Redação, Estadão Conteúdo

27 de novembro de 2019 | 10h28

A eventual punição aplicada novamente ao esporte russo em razão de casos de doping não deve afetar o futebol do país, afirmou a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), nesta quarta-feira. Assim, a Rússia não perderia o direito de sediar jogos da Eurocopa de 2020 e nem a final da Liga dos Campeões, em 2021.

Na avaliação da Wada, as duas competições não têm caráter mundial e contam com apenas uma modalidade. Por isso, uma nova punição por doping ao país não impediria a Rússia de receber quatro jogos da Euro em São Petersburgo, incluindo um duelo de quartas de final, em 2020. A mesma cidade ganhou o direito de sediar a final da Liga dos Campeões, no ano seguinte.

Na segunda-feira, um dos painéis da Wada anunciou a recomendação de voltar a punir a Rússia por novas infrações relativas a doping. A sugestão é de impedir o país de receber qualquer grande evento esportivo por quatro anos. Neste mesmo período, os atletas locais não poderiam defender a bandeira russa nas competições internacionais.

"No que concerne à Uefa, a Euro e a Liga dos Campeões não são eventos multi-esportivos e nem não mundiais, mas, sim, regionais ou continentais, de apenas uma modalidade", disse James Fitzgerald, porta-voz da Wada, à agência de notícias Associated Press. "Então, estas competições não serão afetadas pelas recomendações." Além disso, a Uefa não é signatária do Código Mundial Antidoping, definido pela Wada. E conta com o seu próprio código antidoping.

A decisão preliminar da Wada é resultado da uma longa investigação sobre os dados do laboratório russo responsável pela análise de todos os casos do país. A análise detalhada de todas as informações do local fazia parte de acordo para liberar a Rússia, principalmente o atletismo, para disputar normalmente todas as competições. De acordo com a Wada, dados de centenas de casos positivos foram apagados.

Nos últimos meses, contudo, surgiram evidências de que parte destes dados foram alterados ou apagados pelas autoridades russas. Além disso, há suspeitas de que esforço para plantar informações falsas com o objetivo de implicar negativamente Grigory Rodchenkov, ex-diretor do laboratório russo e principal delator do esquema russo de doping.

A suposta manipulação dos dados gerou forte reação do Comitê Olímpico Internacional (COI), na terça-feira. "O COI condena nos termos mais fortes as ações dos responsáveis pela manipulação dos dados do laboratório de Moscou antes de serem transferidos para a Agência Mundial Antidoping em janeiro de 2019. Essa manipulação flagrante é um ataque à credibilidade do próprio esporte e é um insulto ao movimento esportivo em todo o mundo. O COI vai apoiar as sanções mais pesadas contra todos os responsáveis por esta manipulação", anunciou o COI, em comunicado oficial.

REAÇÃO DA RÚSSIA

Também nesta quarta, autoridades russas se manifestaram sobre a recomendação da Wada, que ainda será avaliada pelo próprio Comitê Executivo da entidade no dia 9 de dezembro. Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, disse que a decisão preliminar é "desagradável para nós" e disse que vai esperar pela confirmação.

E disse que as autoridades nacionais vão cooperar com a Wada. "As autoridades esportivas da Rússia sempre cooperaram e vão continuar cooperando com a comunidade esportiva internacional e com a Wada", declarou Peskov.

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