Washington prepara volta ao futebol

No dia 23 de novembro de 2002, oatacante Washington, de 28 anos, ex-Ponte Preta, entrou em campo para defender o Fenerbahce contra o Kocaelispor, pelo Campeonato Turco. Marcou um gol na vitória por 2 a 1, garantindo-se como vice-artilheiro da competição. Mas, no dia seguinte, uma dor no braço começou a incomodá-lo mais que as indisposições aparentemente estomacais que vinha sentindo havia alguns dias e que o haviam atormentado no aquecimento para aquela partida. O jogador procurou o médico do clube. "Ele olhou assustado", lembra. O teste de esteira mostrou alteração nos batimentos cardíacos. Encaminhado para um cateterismo, constatou-se uma lesão grave na artéria descendente anterior esquerda do coração. "Foi muita sorte não ter dado enfarte." A primeira recomendação era para uma angioplastia e colocação de stent. "Como já estava no hospital, optei por fazer naquele dia mesmo", revela Washington. Hoje, o jogador vem sendo acompanhado por uma junta médica do Atlético-PR, com participação de cardiologistas renomados da capital paranaense. E as perspectivas são boas. Washington já está participando dos treinos diários em dois turnos e poderá atuar no Campeonato Paranaense, que começa em meados de janeiro. "Deus me ajuda em tudo e sei que vou voltar a jogar."Tudo dependerá de exames a serem realizados no início de dezembro. "Será uma reavaliação muito rígida", afirmou o cardiologista Costantino Costantini. A avaliação clínica será complementada com estudos de irrigação do músculo cardíaco, por meio da cintilografia miocárdica, associada à coronariografia, com ultra-som intracoronário, e estudo funcional do fluxo cardíaco. Além disso, serão realizados exames com telemetria para avaliação do ritmocardíaco durante os treinos. "Estou apostando que ele possa voltar a competir", disse o médico. "Deus queira." Washington começou a jogar em Brasília, cidade onde nasceu. Mas com 15 anos já estava no Caxias, em Caxias do Sul (RS), cidade que adotou e onde faz a maioria de seus investimentos, sobretudo em imóveis. Ainda agora está às voltas com a inauguração de uma franquia da Livrarias Siciliano na cidade gaúcha, onde vivem sua mulher Andréia e a filha Ana Carolina, de um ano e oito meses. Sua vocação de artilheiro foi mostrada na Ponte Preta, em 2000, ganhando a confiança da torcida. Os gols valeram-lhe sete convocações para a seleção brasileira. Em 2002, o Fenerbahce pagou US$ 5 milhões para ter seu futebol. Masficou devendo para o jogador. Em agosto do ano passado, Washington recebeu o último salário. O atraso fez com que entrasse na Justiça e o caso está sendo decidido na Fifa. Durante o processo de recuperação da cirurgia ele veio ao Brasil e recebeu propostas de times paulistas. A amizade com o então treinador atleticano, Osvaldo Alvarez, o Vadão, e a estrutura do clube o levaram a optar por Curitiba. Os exames médicos voltaram a detectar o problema cardíaco. Em julho, fez nova angioplastia, para colocar o stent com rapamicina. Agora, já está a pleno vapor nos treinamentos. "Só não faço os mais pesados", admite. Mas nos coletivos vem mostrando que o faro pelo gol continua o mesmo. Morando no Centro de Treinamento do Atlético, ele já aprendeu a torcer pelos companheiros. Mas prefere não ir aos jogos. A "saudade" bate forte. "Fico vendo a torcida, a preparação no vestiário, a entrada no campo", enumerou. "Meu primeiro objetivo é voltar a jogar e fazer uma grande campanha no Atlético, aí posso pensar em seleção brasileira." O jogador tem um acordo verbal de futuro com o clube paranaense. Hoje, ele desfruta apenas da infra-estrutura do Atlético. "As luvas que peguei (15% da venda para o Fenerbahce) estão me segurando", explica.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.