Washington vai deixar o Atlético-PR

Washington não jogará pelo Atlético Paranaense em 2005. Isso é certo. E para onde quer que o artilheiro vá - Japão, Europa ou Corinthians -, mais que o cartel de recordista em gols em toda a história do Campeonato Brasileiro, ele levará uma prova de vida. E por escrito. Sobre a mesa de negociações, além de calculadoras e contratos, estará o resultado do cateterismo cardíaco a que ele se submeterá antes do Natal.O exame mostrará aos interessados nos gols de Washington como estão funcionando os três stents que ele tem instalados no coração. O equipamento - um pequeno balão construído por delicados fios de aço cirúrgico, que mantém a artéria que apresentou entupimento em 2002 com o calibre normal - garante a vascularização normal do órgão e permite que o jogador, embora monitorado dia e noite, siga com a carreira normalmente.O resultado deste cateterismo é vital para Washington, o primeiro caso da literatura médica de um atleta com tamanho problema - e diabético - seguindo na profissão. Além dos cuidados adicionais - como monitoramento, dieta especial e sempre tendo um desfibrilador ao alcance da mão - Washington toma insulina todos os dias.O exame será feito em Curitiba, onde está estabelecido há 30 anos o médico Costantino Costantini, um argentino tão competente quanto garganteador. E na presença de médicos do clube interessado. Costantini, cardiologista conceituado e caridoso (mantém em Curitiba o Clube do Coração, entidade filantrópica que socorre doentes sem condições de pagar) foi o homem que apostou na recuperação de Washington e, com isso, aumentou ainda mais a sua fama.No começo de 2003, quando retornou da Turquia, onde foi operado pela primeira vez, ainda como jogador do Fenerbahce, Washington foi se oferecer ao Atlético-PR para jogar. Examinado por Costantini, foi reprovado. "Eu estava bem, mas para ter uma vida de sedentário, não de atleta", lembra o jogador, cuja carreira sempre foi marcada pelo sacrifício e pela dor. Antes, em 2000, sofreu fratura na fíbula direita e ficou cinco meses parado.O especialista argentino, porém, disse que ele teria uma chance de continuar jogando profissionalmente - e resolveu tratá-lo de imediato. Washington topou, fez nova cirurgia para a instalação de mais dois stents e ficou oito meses treinando sozinho e morando no CT do Caju sem receber um tostão do clube. Em dezembro de 2003, foi liberado para jogar e assinou contrato com o Atlético-PR.O tempo mostrou que Washington e Costantini estavam certos quando apostaram na única chance que tinham.

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