Weggis pronta para a revolução

A pequena cidade de Weggis, no centro da Suíça, se prepara para uma verdadeira revolução. O vilarejo de pouco menos de 4 mil habitantes e com uma história de séculos foi escolhido pela CBF para ser o local de preparação da seleção duas semanas antes do início da Copa do Mundo de 2006. Mas se o local é ideal para garantir aos jogadores tranqüilidade, as autoridades do vilarejo planejam algo bem diferente. ?Queremos uma cidade ?caliente??, afirmou Joseph Odermatt, um dos administradores do vilarejo. A seleção brasileira ficará em Weggis em maio do próximo ano e a cidade quer aproveitar para entrar no mapa mundial. Depois de consultar mais de 40 locais na Europa, a CBF escolheu o local, que até o final da negociação sequer sabia quem era o misterioso grupo que fazia tantas exigências. ?Eu nem acreditei quando fechamos contrato?, disse Odermatt. O administrador, que é quem está na realidade se ocupando dos preparativos, diz que irá organizar shows e sonha até com a participação de alguns jogadores brasileiros nos eventos. ?Vamos organizar uma Semana Copacabana?, revelou Philipp Musshafen, um dos gerentes do Park Hotel Weggis, onde a seleção ficará. Foto/DIVVista de vilarejo de Weggis - que vai abrigar a Seleção antes da Copa. A seis meses da chegada dos astros, a realidade é que a cidade, um pequeno paraíso, começa a ganhar as cores do Brasil. Na principal rua de Weggis, um gol já foi montado, com faixas verde e amarela e uma placa que não passa em branco: ?Os campeões do mundo estão chegando?. Em outra rua, as roseiras também foram pintadas com as cores do País. Na escola local, o professor Marcus Wolfisberg já começou a ensinar a seus alunos de dez anos algumas palavras em português. ?Ensinei aos alunos expressões como ?bom dia? e ?tudo bom?. Eles se divertem muito com isso?, afirmou. O professor conta ainda que levou um mapa da América do Sul para que os alunos saibam onde fica o Brasil. ?Eu poderia ensinar história romana, mas acho que precisamos aproveitar que a seleção está chegando para mostrar a nossos alunos o que é a cultura brasileira?, disse o professor, de 30 anos, que já esteve no Brasil. Ele confessa, porém, que espera conseguir um emprego na organização dos eventos em homenagem ao Brasil. ?As pessoas aqui nem tem idéia do que vai ocorrer na cidade?, disse.Imperadores - Situada aos pés dos Alpes e à beira do Lago Lucerna, Weggis é uma típica cidade suíça: com chalés, uma capela do ano 1200, um café onde todos se reúnem e uma praça central onde ocorrem as votações para decidir praticamente todas as questões. Em 1359, a cidade decidiu se juntar à Suíça, mas ainda hoje o acesso não é dos mais fáceis. Ao contrário da maioria das vilas suíças, Weggis não tem uma estação de trem. Quem quiser chegar lá tem apenas duas opções: carro ou barco. A pequena cidade de Weggis ficou conhecida como refúgio de imperadores, rainhas e artistas que buscavam tranqüilidade. A cidade se orgulha em dizer que personagens como a rainha Victoria, da Inglaterra, e o unificador da Alemanha, Otto von Bismarck, escolherem a cidade para recarregar energias. Escritores mundialmente famosos como Alexandre Dumas, Emile Zola e Mark Twain também optaram por Weggis para passar suas férias. Há poucos meses, foi a rainha do Butão quem se hospedou no vilarejo.?Os imperadores e artistas serão outros agora com o Brasil?, afirma Kasper Widmer, presidente da comuna de Weggis, uma espécie de prefeito.Mas Weggis também quer lucrar com a seleção. As autoridades locais vão montar pacotes de férias que incluirão a possibilidade de assistir aos treinos da seleção. ?Teremos milhares de pessoas vindo todos os dias para ver a seleção?, afirmou Odermatt, o principal administrador da cidade. O governo suíço espera que parte dos 40 mil brasileiros que vivem no país passem na cidade em maio de 2006. Widmer admite que desde que a notícia sobre o Brasil foi publicada o número de jornalistas interessados pela cidade disparou. ?Tínhamos duas possibilidades de nos tornarmos famosos. Convidar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para tirar férias aqui ou receber a seleção brasileira.? Outra esperança de Weggis é conseguir ser reconhecida como local ideal para a preparação das seleções, principalmente para Eurocopa de 2008, que será na Suíça e na Áustria.Mudança de ritmo - Apesar de apontarem a chegada da seleção como uma oportunidade única, os governantes reconhecem que vão precisar preparar a população para o acontecimento e para a mudança no ritmo da cidade, situada numa das regiões mais conservadores da Suíça. Nas pequenas cidades do país, almoços são rigorosamente servidos entre meio-dia e 12h30, ninguém é autorizado a fazer barulho após as 22 horas e não é raro quando um vizinho delata outro à polícia por causa de festas à noite. ?Temos de preparar a população para o que vai ocorrer?, diz um membro do escritório de turismo. Ele garante, porém, que toda a cidade recebeu bem a notícia da chegada do Brasil. ?Do padeiro aos funcionários da prefeitura, todos querem ver a seleção?, afirmou Musshafen, gerente do hotel. Alguns moradores, porém, admitem que os mais velhos, acostumados à tranqüilidade, começam a colocar certas questões. A principal delas é a financeira. Ninguém em Weggis está disposto a gastar dinheiro público com o futebol. Os políticos sabem que precisam fazer um bom trabalho para sobreviver às próximas eleições. Nos próximos dias, o governo colocará publicidade no jornal local esclarecendo sobre os gastos.Resta saber como a população da cidade reagirá se o Brasil pegar a Suíça no Mundial. Os suíços conseguiram vaga na Copa pela primeira vez desde 1994. ?Meu sonho é ver uma final Suíça e Brasil, mas sei que isso pode ser difícil para nós?, disse Marie, funcionária de um café perto do hotel da seleção. ?O que temos de torcer é para não cair no grupo do Brasil na primeira fase?, completou Widmer.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2005 | 08h49

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