Guilherme Costa/Futura Press
Guilherme Costa/Futura Press

Wendell Lira vive dia de ‘popstar’ e não descarta sair do Vila Nova

Autor do gol mais bonito de 2015 é recebido com festa em Goiânia

ISABELA BONFIM, ENVIADA ESPECIAL A GOIÂNIA, O ESTADO DE S.PAULO

13 de janeiro de 2016 | 17h57

Quando Wendell Lira desembarcou ontem à tarde no aeroporto Santa Genoveva, com cinco horas de atraso, mais de 300 torcedores do Vila Nova gritavam o seu nome. Dois dias depois de derrotar o argentino Messi e o italiano Florenzi na disputa pelo troféu de gol mais bonito de 2015, o atacante estava de novo em casa.

O primeiro abraço foi na mãe, Maria Edileuza, e também o mais longo. “Minha mãe é tudo na minha vida. Ela abdicou de tudo para que eu e meu irmãos pudéssemos realizar nossos sonhos. Só tenho a agradecer a ela”, afirmou.

Depois de abraçar os irmãos e matar a saudade da filha Marcela, de dois anos, que não pôde viajar com ele e a esposa para Zurique, posou para fotos segurando o choro.  Agarrado ao troféu Puskás, Wendell foi em direção aos jornalistas. “Mudou tudo na minha vida. Foi como um furacão que passou, mas que veio para o bem.”

O gol foi marcado com a camisa do Goianésia em março do ano passado em uma partida pelo Campeonato Goiano. Quando Wendell foi indicado ao prêmio da Fifa estava desempregado, ajudava na lanchonete da mãe e também vendia panos para poder comprar fralda e leite para a filha. 

De lá para cá, foi contratado pelo Vila Nova, levou a esposa para a cerimônia da Bola de Ouro na Suíça e realizou a viagem de lua de mel que não puderam ter antes. Conheceu pessoalmente os ídolos Cristiano Ronaldo, Kaká, Marcelo, Neymar, entre outros badalados nomes do futebol internacional. E, para finalizar, derrotou o melhor jogador do mundo, Lionel Messi, na disputa pelo gol mais bonito do ano.

“A minha história é também a história do João, da Maria e de todo brasileiro que se esforçou e passou dificuldade para ter um pouquinho de felicidade na vida. Espero ser um exemplo aos muitos jogadores que jogam porque têm uma família para criar”, afirmou.


Depois de sair do aeroporto, Wendell foi para o estádio do Vila Nova – onde deu entrevista coletiva e posou para fotos com a camisa do time e segurando o troféu que trouxe da Suíça. Ele deveria ter feito o trajeto em carro aberto, mas a programação teve de ser alterada por causa da chuva. O encontro que ele teria com o governador Marconi Perillo (PSDB) foi adiado para hoje.

Na sede do Vila Nova ele falou sobre os rumores de que clubes de fora do Brasil já estão interessados em contratá-lo, embora ainda não tenha sequer estreado pelo time goiano – foi contratado em novembro, quando já não podia mais ser inscrito na Série C (o Vila acabou subindo para a B).

“Meu foco é o Vila, quero ajudar o time a conquistar o Estadual e subir para a Série A. Agradeço muito ao Vila Nova e vou fazer tudo o que puder pelo clube”, disse. Mas ponderou que “se a proposta for muito boa, vai ser boa para o Vila também”.

O presidente Guto Veronez disse que ainda não recebeu nenhuma proposta oficial pelo atacante. E garantiu que a multa pela recisão do contrato seja de apenas R$ 50 mil, valor mencionado inclusive por alguns assessores do clube. “Não posso dizer, mas o valor é bem mais alto do que esse.”

Ele conta com Wendell para a estreia no Estadual contra o Goiás no dia 31, e acredita que a situação só será diferente se chegar uma proposta muito boa de um clube chinês. 

Quando deixou o estádio do Vila Nova, Wendell seguiu para o prédio em que vive sua mãe. Ao chegar foi recebido com a queima de fogos de artifício, e atendeu a todos que pediam um autógrafo ou uma foto ao seu lado.

A volta ao trabalho está marcada para amanhã, quando treinará em dois períodos.  Enquanto isso, Wendell volta à rotina normal e treina amanhã com o Vila Nova em dois períodos. 

RECEPÇÃO

Com faixas de apoio, as primas Kamila e Karynne Lira aguardavam no salão de desembarque desde 9h. A tia, Jaciara Lira, funcionária do Ministério da Saúde, recebeu liberação no trabalho para acompanhar a chegada do sobrinho. "Lá no trabalho, todos acompanharam a premiação comigo. Hoje me liberaram para vir buscar o Wendell, porque estão todos felizes por ele", conta Jaciara.

Logo se uniram a elas outras tias, os irmãos, o padrasto e a mãe de Wendell. A chegada estava prevista para a parte da manhã, mas com atraso no voo de Lisboa para São Paulo, ele acabou chegando apenas à tarde. O atraso colaborou para reunir ainda mais pessoas no saguão do aeroporto Santa Genoveva, que já estava tomado também por jornalistas de vários cantos do país.

A família, que passou o dia por ali, foi assediada por passageiros, torcedores e repórteres. "Já perdi a conta de quantas entrevistas dei hoje, se eu não pedisse para parar, ia acabar ficando sem almoço", disse a mãe, Maria Edileuza.

Com a notícia da chegada do jogador premiado, mais curiosos e torcedores se acumulavam. Roberto Silva, 39, estava de passagem em Goiânia e decidiu esperar para ver a chegada da nova estrela do futebol brasileiro. Ele conta que participou da votação da Fifa, aberta ao público pela internet. "Não poderia deixar de votar. Brasileiro não desiste nunca e ninguém quer ver um argentino na nossa frente", brinca. Wendell concorria com o argentino Lionel Messi e o italiano Florenzi. 

O aposentado Alfredo de Souza, 61, veio ao aeroporto exclusivamente para receber Wendell. "Qual goiano não estaria feliz com a conquista dele?", indagou. Ele conta que acompanha a carreira do jogador desde que foi revelado pelo Goiás. Questionado se o gol mais bonito foi o de Wendell ou do Messi, ele não teve dúvidas. "O do Wendell, com certeza. O gol do Messi foi trabalhado, mas o gol do Wendell acontece de cem em cem anos." 

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