Cesar Greco|Agência Palmeiras
Willian, do Palmeiras, abre empresa de consultoria financeira Cesar Greco|Agência Palmeiras

Willian, do Palmeiras, abre empresa de consultoria financeira Cesar Greco|Agência Palmeiras

Willian, do Palmeiras, abre empresa de consultoria financeira e orienta atletas durante pandemia

Empreendimento tem como clientes, jogadores de futebol, médico, advogado, professor, empresários, entre outros

Ciro Campos , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Willian, do Palmeiras, abre empresa de consultoria financeira Cesar Greco|Agência Palmeiras

Planilhas com movimentações bancárias, livros sobre gastos pessoais e vídeos sobre administração têm sido os principais passatempos do artilheiro do Palmeiras em 2020 durante a pandemia do novo coronavírus. Quando não está atarefado com o futebol, o atacante Willian tem aproveitado a pausa no calendário para se dedicar a um outro projeto paralelo. O jogador é o dono de uma empresa de consultoria financeira, atividade cada vez mais procurada por atletas profissionais.

O autor de oito gols na temporada criou a empresa WLJC no ano passado, junto com uma sócia. O empreendimento conta atualmente com dez clientes, metade deles jogadores de futebol amigos de Willian. Os demais são médico, advogado, professor e empresários. O serviço consiste na orientação financeira e na montagem de planos individuais de metas para se economizar e guardar dinheiro, algo fundamental em tempos de crise econômica. O futebol continua como prioridade para ele, mas o projeto na área de finanças caiu no gosto do atacante.

Willian, de 33 anos, teve a ideia de abrir o negócio ao presenciar no futebol o desperdício de dinheiro de vários colegas. "O futebol te dá a condição de atingir vários objetivos, mas se você não tiver uma estrutura para consolidar esse esforço, vai desperdiçar. Já vi muitos jogadores que depois de terminarem a carreira, foram à falência porque não guardaram dinheiro", disse ao Estadão.

A agenda mais tranquila durante a pandemia permitiu a Willian se dedicar aos estudos sobre finanças. Livros e cursos online são as ferramentas favoritas dele. O palmeirense aposta que em breve o número de atletas interessados em ter serviços de consultoria financeira vai aumentar. As reduções salariais feitas pelos clubes e o momento delicado da economia mundial vão deixar os jogadores mais em alerta.

O próprio Willian admite que a preocupação dele com as finanças aumentou com o decorrer da carreira, ao ver que ao contrário das outras profissões, no futebol um profissional costuma se aposentar bem jovem, em média com menos de 40 anos de idade. "Um jogador precisa entender que tem uma carreira curta e é essencial ter orientação para se entender o quanto ganha e o quanto gasta. O nosso trabalho é complicado porque você começa ganhando pouco e logo depois você muda de time, tem um aumento, se empolga e começa a gastar sem controle", explicou.

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Um jogador precisa entender que tem uma carreira curta e é essencial ter orientação para se entender o quanto ganha e o quanto gasta
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Willian, atacante do Palmeiras

O atacante do Palmeiras ainda não pensa em ter o empreendimento como uma opção de carreira no futuro. Willian prefere pensar no momento na carreira como jogador e no retorno das competições. Mas enquanto a rotina não volta ao normal, o atacante troca temporariamente os campeonatos pela companhia dos três filhos e pelo acompanhamento mais frequente sobre como está o trabalho da empresa.

SÓCIA

Quem atende diretamente os clientes é a sócia dele, a administradora Camila Biasi. Com experiência de 15 anos no mercado financeiro, ela trabalha com o monitoramento da conta corrente, organização de planilhas e criação de metas para que os atendidos pela empresa de Willian consigam diminuir gastos e montar pouco a pouco uma reserva financeira. Ao procurar a empresa, o atleta precisa até revelar o quanto distribui mensalmente para sustentar família e amigos.

"O Willian cuida muito da captação dos clientes e quando consegue conciliar agenda para participar de reuniões. O futebol é um meio difícil de você acessar, porque os jogadores são muito cautelosos. Então é importante que seja um outro jogador envolvido na empresa, para dar credibilidade", disse Camila. Os clientes pagam um valor fixo por mês pela consultoria e podem pedir também para a empresa se encarregar de outros serviços, como o pagamento de contas e transferências bancárias.

Recentemente a sócia de Willian orientou um cliente a não gastar com um carro novo. Às vésperas da pandemia, um jogador telefonou para Camila e perguntou se deveria comprar um veículo de cerca de R$ 300 mil. "Eu falei para meu cliente que não era para comprar, até porque ele tinha um carro novo e bom. Ainda bem que ele me ouviu, porque logo depois a crise econômica veio de vez", contou.

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Jogadores redobram cuidado e mudam hábitos financeiros durante a crise do coronavírus

Atletas apostam em investimentos variados e se preocupam com fake news

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 10h00

O impacto financeiro da pandemia no futebol também mexeu com os jogadores. Seja pelos salários reduzidos ou pela diminuição nos contratos de patrocínio pessoal, os atletas sentiram os reflexos da crise e tiveram de intensificar os cuidados para evitar que a situação desfavorável prejudicasse as finanças pessoais.

Essa preocupação foi sentida principalmente por profissionais especializados na consultoria financeira de atletas. O ramo está cada vez popular entre os jogadores, especialmente pelo conhecimento de necessidades específicas da área.

O empresário Marcelo Claudino é o proprietário da empresa TopSoccer, que atende cerca de 80 atletas profissionais, e explicou ao Estadão que a pandemia exigiu dos jogadores entender a necessidade de novas estratégias.

"A cada dia os atletas estão mais atentos ao dinheiro deles, mas o coronavírus deixou claro que sempre é bom acompanhar o que se passa. Um investimento pode deixar de render e sempre é bom pensar em algo mais que podemos economizar", afirmou Claudino.

O atacante Thonny Anderson, do Red Bull Bragantino, se acostumou desde o início da carreira a poupar mais da metade dos ganhos. Apesar do clube não ter reduzido salários, o jogador precisou rever alguns investimentos.

"Agora busquei investimentos mais seguros para compensar algumas perdas", disse. Na opinião dele, em uma crise como essa, o jogadores vão aprender a ser mais cautelosos. "Nosso foco precisa ser no futuro. Não adianta querer competir com outro companheiro para ver quem tem o celular mais moderno ou o carro mais novo. Na nossa profissão em um ano você está na Série A, mas pode no outro o jogar em uma divisão inferior e ganhar bem menos", completou.

Para outra empresária do setor de atendimento a jogadores, Sandra Ganzert, da Planner Sports, um desafio gerado pela pandemia foi até de desvendar fake news. "Muitos jogadoresvêm até nós questionando se há o risco de um confisco de poupança ou conta corrente, a exemplo do que ocorreu no início dos anos 90. Nisso, é capaz de muitos correrem para tirar suas economias de bancos e dos investimentos", contou.

A crise econômica levou o atacante Thiago Augusto, do Al-Muharraq, do Bahrein, a contratar nesta pandemia um serviço de consultoria. "A pandemia afetou todas as áreas e no futebol não foi diferente. Os clubes pararam e com isso todo o planejamento financeiro mudou também", explicou. O jogador passou a se planejar mais e começou a variar os formatos de investimento.

O mesmo fez o zagueiro Juninho, do Bahia. "Foi preciso cortar gastos desnecessários, trocar um investimento com renda baixa por outro de renda maior ou de menor risco. Tive de garantir que meu dinheiro está investido de forma diversificada, no Brasil ou no exterior", disse. O defensor contou que assim como os clubes, os jogadores também torcem para a volta rápida do futebol, para que os salários voltem ao normal.

TRÊS PERGUNTAS PARA:

Léo, zagueiro do Cruzeiro

Quais cuidados você tomou para não ter problemas com a crise?

Eu sempre tomei cuidado com a diversificação dos investimentos e com a liquidez, para ter uma reserva rápida em um momento de crise. Consegui montar nesses anos uma reserva de emergência para conseguir nesses tempo de crise e de redução de salário, ter uma precaução e contar com a grana na mão.

No que a crise econômica te afetou?

A crise me fez ficar mais preocupado e em alerta. Mas meus investimentos me resguardam nessa crise. A gente fica mais preocupado e ansioso porque vê a questão da queda da Bolsa de Valores. Eu tinha uns investimentos na Bolsa, mas depois de aprender como funciona, fica mais fácil.

Você acha que mais jogadores vão passar a cuidar das finanças depois dessa pandemia?

Sempre procuro orientar os jogadores mais novos para não se empolgarem com carros e ostentação. Acredito que a pandemia deu um clique na vida dos atletas e reforçou a necessidade de não se gastar muito e de ser responsável com o dinheiro.

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