David Klein/Reuters
David Klein/Reuters

Wolverhampton, o clube com o sotaque português da Premier League

Grana de bilionário chinês e parceria com agente de Cristiano Ronaldo fazem equipe sonhar alto entre os gigantes

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2018 | 05h00

Uma proposta de futebol ofensivo, alto investimento e uma pitada de sotaque português. Campeão da segunda divisão inglesa na última temporada com sobras, o Wolverhampton volta à elite com grandes aspirações na Premier League depois de cair para a terceira divisão em 2013 e quase chegar ao fundo do poço na última década.

Enquanto o Manchester City encantava a Inglaterra ganhando a primeira divisão com recorde de 100 pontos conquistados na temporada 2017/2018, o modesto Wolverhampton também brilhava na divisão inferior, mas sem tanto holofote. Impulsionado pelo dinheiro do bilionário chinês Guo Guangchang e pela ajuda do empresário português Jorge Mendes, que tem como cliente Cristiano Ronaldo, o clube localizado em uma das maiores cidades inglesas montou seu projeto em torno do futebol lusitano e conquistou a Championship (Série B) com 99 pontos.

Sete portugueses fizeram parte da vitoriosa campanha, liderada pelo treinador (também português) Nuno Espírito Santo, com destaque para o meia Rúben Neves e o atacante Diogo Jota. Quem também foi decisivo para o acesso foi o brasileiro Léo Bonatini. Autor de 12 gols em 47 partidas, o atacante mineiro revelado pelo Cruzeiro diz não se surpreender com o sucesso do clube.

"Eu imagina porque conhecia o projeto. No ano passado fizeram um grande investimento e trouxeram jogadores de qualidade. Eu não fiquei surpreso com nossa campanha. O objetivo principal era subir, mas era claro que lutaríamos pelo título e foi o que aconteceu. Isso foi bom para subirmos com moral e cada vez mais confiarmos no nosso potencial", explicou o jogador, que teve seu passe comprado em definitivo junto ao Al Hilal por 4 milhões de euros (R$ 18 milhões).

Na última janela de transferências, o Wolverhampton gastou R$ 340 milhões para reforçar seu elenco. Além trazer mais dois portugueses com experiência de Copa do Mundo, João Moutinho e Rui Patrício, o tricampeão inglês em 54, 58 e 59 bateu seu recorde de investimento ao comprar o espanhol Adama Traoré, ex-promessa do Barcelona, por R$ 86,5 milhões. Após todas as negociações, o elenco atual do Wolverhampton continua com sete portugueses: Rui Patrício, Rúben Vinagre, Rúben Neves, João Moutinho, Diogo Jota, Ivan Caveliro e Helder Costa.

"Nossa ideia é fazer uma temporada digna da camisa do Wolves. A gente sabe da nossa qualidade e vamos trabalhar para alcançar o que vier de melhor. Sabemos que é um campeonato difícil e vamos enfrentar grandes adversários ao longo do ano, mas não foi falado em nenhum momento qual o objetivo. Se deixarem a gente ser campeão, vamos ser", disse. "Não vamos fugir da responsabilidade e ter medo de jogar só porque estamos estreando na primeira divisão. Sabemos das dificuldades e respeitamos nossos adversários, mas também sabemos da nossa qualidade e vamos entrar para tentar vencer todos os jogos"

O Wolverhampton ocupa a nova posição do Campeonato Inglês após cinco rodadas: foram duas vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

Investigação

A proximidade de Jorge Mendes com o clube fez a Liga Inglesa (EFL) abrir uma investigação. Clubes questionaram que 25 jogadores que assinaram entre 2015 e 2017 pelos Wolves chegaram através da empresa Gestifute, gerida pelo empresário. No entanto, a EFL não encontrou nenhuma irregularidade. "Foi determinado que Jorge Mendes não tem qualquer papel no clube e não deve ser categorizado como 'Pessoa Relevante' de acordo com os regulamentos da Liga. Nesse sentido, não há qualquer requerimento para que ele seja submetido ao teste dos Donos e dos Dirigentes", disse a nota emitida à época.

Confira bate-papo com Léo Bonatini:

Chegar em um clube com tantos jogadores falando português te ajudou na adaptação?

É sempre bom falar no nosso próprio idioma, mas eu já falava inglês e acredito que esse tenha sido o principal fator da minha adaptação no país. Foi ótimo poder me virar no extracampo e entender no dia a dia como o clube funciona.

O André Villas-Boas no Chelsea obrigava os jogadores a falarem inglês dentro do clube. O Nuno Espírito Santo faz algum pedido semelhante?

Ele não pede que a gente não fale em português. A gente tem uma relação muito boa com os ingleses ou com outros estrangeiros. Como eu já disse em outras oportunidades, esse é um dos melhores grupos que eu já trabalhei, se não for o melhor. O Nuno (Espírito Santo) sabe disso e nós jogadores também sentimos que  nosso grupo é bom, tem comunicação e se apoia nos bons e nos maus momentos.     

Como os torcedores e a cidade estão vendo todo esse crescimento do clube?

Acredito que os torcedores estão tão felizes quando a gente. Subimos no ano passado conquistando o título. Foi um campeonato muito difícil, mas fizemos por merecer e isso foi bom para chegarmos esse ano com confiança para desenvolver nosso futebol. O Nuno (Espírito Santo) sabe como comandar a equipe e estamos fazendo o mesmo trabalho que foi feito no ano passado.

Quando você chegou imaginava a boa campanha da última temporada e toda essa projeção do clube?

Eu imagina porque conhecia o projeto. No ano passado fizeram um grande investimento e trouxeram jogadores de qualidade. Eu não fiquei surpreso com nossa campanha. O objetivo principal era subir, mas era claro que lutaríamos pelo título e foi o que aconteceu. Isso foi bom para subirmos com moral e cada vez mais confiarmos no nosso potencial. 

E qual a principal diferença que você sentiu entre a Championship e a Premier?

Acredito que a Championship é um campeonato que tem mais marcação e é muito mais físico. É diferente da Premier League, onde os times tentam jogar mais. O legal é que nos dois os estádios estão sempre cheios. Foi muito bom e fiquei muito feliz com a oportunidade de ter jogado aqui e muito mais por ter continuado.

 

 

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