José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

WTorre solicita estádio por 270 dias e Palmeiras leva caso ao jurídico

Acordo entre clube e construtora obriga as partes a se acertarem: clube ganha 20% das bilheterias dos shows

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 17h18

O Palmeiras foi notificado nesta quinta-feira pela WTorre que terá de ceder o Allianz Parque para a construtora durante 270 dias da temporada 2018. Isso significa que o time terá de esperar para saber se as datas serão, de fato, confirmadas pelos promotores para os eventos. A construtora tem a obrigação de informar ao clube, seu parceiro na arena, com antecedência sua programação para o estádio a cada 90 dias. "Em 2018, a arena vai receber praticamente o mesmo número de shows e eventos do que recebeu neste ano. O torcedor pode ter certeza de que o clube é nossa prioridade", disse o gerente geral do Allianz, Eduardo Rigotto.

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O Palmeiras entregou o pedido da WTorre ao seu departamento jurídico na esperança de que a intenção seja derrubada. Palmeiras e WTorre tem por acordo que o clube só poderá se valer da nova arena caso a construtora não tenha nada agendado para o local, como shows musicais e eventos. Pelo contrato das partes, o futebol do clube e a agenda da construtora precisam se "conversar". Este ano, o Palmeiras mandou cinco partidas fora do seu estádio, contando a desta quinta-feira, com a Ponte Preta, pelo Brasileirão.

Oficialmente, a diretoria do clube confirma o recebimento da solicitação, mas tenta demover a WTorre da iniciativa. Os dias solicitados dizem respeito a eventos e shows musicais, além do período de preparação do local para os mesmos. A arena multiúso se orgulha de ser a que mais recebeu cantores internacionais na temporada. Foram 15 shows. Pelo acordo entre as partes, o Palmeiras recebe 20% do valor da bilheteria dos eventos e tem parte dos seus gastos no aluguel de outro estádio para jogar como forma de compensação.

COMO FUNCIONA

O Allianz Parque recebe solicitações de promotores para a realização de shows na  temporada. Esses espetáculos reservam a arena por determinado período, sem ter ainda a confirmação oficial das datas. O Allianz marca a reserva e espera pela confirmação dos dias dos shows. De acorco com o que o Estado apurou, as datas reservadas não são necessariamente usadas pela WTorre. Nesta ano, a construtora reservou 250 dias para suas atividades, vinte a menos do que solicita para 2018.

O Palmeiras aguarda decisão do seu departamento jurífico para se pronunciar. A WTorre enviou comunicado informativo explicando a condição de uso da arena palmeirense.

COMUNICADO OFICIAL DA WTORRE

O Allianz Parque é o modelo de negócio mais vitorioso de uma arena multiúso no Brasil e começa a se tornar referência internacional. E por que o modelo é vitorioso? Porque a Sociedade Esportiva Palmeiras, proprietária do antigo Palestra Itália, teve a capacidade de negociar o maior acordo da história do futebol brasileiro. Neste acordo, o clube ganhou um estádio ultra moderno, viu a capacidade de sua casa crescer de 27 mil para 42 mil pessoas, manteve 100% da receita de bilheteria dos jogos, ganhou novas receitas e deixou, a cargo de uma empresa privada, todo o investimento e o risco do negócio.

Em contrapartida, a empresa tem controle da agenda para a realização de outros eventos (além dos jogos de futebol do Palmeiras), para que o investimento feito para erguer o novo estádio e os 22 mil metros quadrados em novas instalações para o clube social, seja recuperado.

Em menos de 3 anos, esse modelo, criticado por diversos órgãos de imprensa, pelos torcedores rivais e até por alguns membros do próprio Clube, foi colocado à prova e se mostrou extremamente bem sucedido. Não há nenhum exagero em afirmar que, assim como a aquisição do antigo Parque Antárctica e o acordo com a Parmalat, o Allianz Parque é um marco positivo e definitivo na história do Clube e que já mudou de forma extremamente positiva a história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Desde a inauguração do novo estádio, o Palmeiras bate recordes de público, recordes com receita de bilheteria, conquistou dois títulos de expressão nacional e apresenta números exuberantes.

Esse êxito na gestão de um estádio, sem paralelo no futebol do continente, é difícil de ser reconhecido, em especial por quem (até hoje) critica o acordo entre o Palmeiras e a WTorre. Por isso, quando documentos privados trocados entre o clube e a empresa vazam (para servir apenas aos invejosos e ressentidos de plantão), nos damos o direito de não comentar e, ao mesmo tempo, de reprovar de forma veemente tal fato. Se queremos mudar para melhor a realidade do futebol brasileiro, todos os agentes envolvidos (clubes, empresas, mídia, torcida) deveriam desestimular esse tipo de prática. Da mesma forma que a TV não exibe quem invade o gramado, não deveríamos dar publicidade a práticas ilícitas.

A postura dessa gestão do Allianz Parque, o respeito dessa mesma gestão para com o Clube e seu torcedores, são intoxicados permanentemente por esse tipo de iniciativa. Entretanto, para desgosto daqueles mesmos invejosos e ressentidos de plantão, eles já perderam essa batalha. O palmeirense tem orgulho de sua arena, construída integralmente com recursos de uma empresa privada. Orgulho de torcer para o time que, mesmo sem ter a maior torcida, fez o maior acordo da história do futebol brasileiro. Orgulho de ter visto nesse período de quase três anos, verdadeiros shows da turma de Prass, Dudu, Gabriel Jesus e cia,, além do privilégio de receber em sua casa monstros sagrados como Paul McCartney, Andrea Bocelli e o palmeirense Neymar Jr.

Por tudo isso, não comentamos documentos vazados de forma antiética, cujo único objetivo é causar mal-estar. Sem nenhuma pretensão além de criar um modelo de gestão bem sucedido, nós provamos todos os dias que é possível sim um clube e uma empresa privada celebrarem um acordo de longo prazo, esse acordo ser colocado em prática com êxito e mostrar novos rumos para o esporte no país. Apesar do barulho causado pelos invejosos e ressentidos de plantão, a mais moderna e bem sucedida arena multiuso do continente é o Allianz Parque, casa do Palmeiras, gerida pela WTorre".

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