Elziney Santos/Federação de Futebol do Piauí
Elziney Santos/Federação de Futebol do Piauí

Xarás de finalistas da Libertadores, River e Flamengo lutam para manter rivalidade no Piauí

Equipes de Teresina têm histórias bem diferentes e recorrem ao futebol amador para fazer clássicos com mais frequência

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2019 | 10h24

Enquanto Flamengo e River Plate sustentam elencos milionários, atletas em suas respectivas seleção e treinadores renomados, e ainda vivem a expectativa de decidir a final da Copa Libertadores no próximo dia 23, em Lima, os dois xarás piauienses da dupla amargam realidades opostas e lutam para perpetuar a antiga rivalidade no Estado. Em Teresina, o clássico local é conhecido como Rivengo. E ele anda tão em baixa que depende de um jogo amador para continuar a mexer com o brio dos atletas e o fervor das duas torcidas.

No Piauí, Esporte Clube Flamengo e River Atlético Clube levam nos nomes e nos uniformes as homenagens a dois dos principais clubes do continente, um brasileiro e outro argentino. Como estão sem calendário de competições oficiais neste segundo semestre, os times e suas respectivas torcidas trocaram a expectativa pelos clássicos locais para transferir apoio aos xarás mais famosos, finalistas da Libertadores de 2019.

"Onde tenha River e times de uniforme tricolor, nós vamos torcer contra. Somos Flamengo, seja no Piauí ou no Rio de Janeiro. Vou até reunir o pessoal na minha casa para a final da Libertadores", disse ao Estado o presidente da Torcida Fiel Rubro-Negra, Raimundo Brito. Do outro lado, quem é do River rebate. "Não dá para torcer contra o River Plate, ainda mais jogando contra o rival Flamengo. Une o útil ao agradável", comentou o presidente da torcida River Chopp, Ciro César Andrade.

Mas em vez de só torcer pelos xarás famososo, as duas torcidas também se preocupam em não deixar a rivalidade local morrer no Estado. O River é o maior campeão regional do Piauí e vem sentindo nos últimos anos a ausência do seu maior adversário. O Flamengo vive grave crise financeira, precisou vender a sede e outros imóveis do clube para pagar dívidas. Tem lutado nos últimos anos para não terminar o Estadual como lanterna.

A solução encontrada pelas torcidas para amenizar a situação foi criar no ano passado um jogo amador, com a formação de equipes nascidas por apoiadores dos dois clubes no Piauí. A sétima edição do encontro será neste sábado, no campo da Vila Bagdá, em Teresina, e com ingredientes interessantes. O retrospecto do confronto está empatado e os times vão entrar em campo ao som do hino da Liga dos Campeões, em jogo com narrador, sorteio de brindes e arrecadação destinada a fins filantrópicos. Rivengo amador em 2018

"Como o futebol aqui é fraco, a torcida fica parada e sente falta das boas partidas. A gente precisa do clássico na várzea para manter viva a chama da rivalidade entre River e Flamengo", comentou o presidente da River Chopp, Ciro Andrade. "O Flamengo tem enfrentado tantos problemas que a torcida se afastou. A rivalidade tem diminuído", explicou Raimundo Brito, da Fiel Rubro-Negra.

SOBREVIVÊNCIA

Para o jornalista e historiador Severino Filho, autor do livro "Rivengo, o clássico de século", a situação complicada do Flamengo (PI) tem prejudicado bastante a relevância do clássico mais tradicional do Piauí. "O futebol do nosso Estado depende totalmente que os dois rivais estejam bem. Isso incentiva os outros clubes e torcidas da região", diz.

A rivalidade entre River e Flamengo no Piauí se intensificou a partir da década de 1960, embora os dois clubes sejam um pouco mais antigos. O time rubro-negro foi fundado em 1937, com inspiração no xará carioca e para se contrapor ao Botafogo, outra equipe de Teresina. O River tem esse nome desde 1946. Na época, os fundadores vieram para São Paulo comprar um jogo de uniformes e levaram camisas idênticas às da equipe argentina.

"O nome veio em dedicação ao River Plate. A ideia foi bem recebida, até porque Teresina está localizada entre dois rios", comentou o historiador. Severino cita também que no passado alguns jogadores do Flamengo do Rio vestiram a camisa do xará piauiense. Todos eram atacantes: Nélio, Tuta e Edilson Capetinha.

Longe de todos esses capítulos importantes, nomes famosos e cifras milionárias, as torcidas de River e Flamengo se orgulham do passado e esperam que pelo menos o clássico Rivengo possa um dia voltar a mexer tanto com Teresina assim como a final da Libertadores tem agitado a América do Sul.

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