Amr Abdalla Dalsh/Reuters
Pela República Democrática do Congo, o destaque é o veterano goleiro Kidiaba, destaque do Mazembe no Mundial de Clubes de 2010 Amr Abdalla Dalsh/Reuters

XARÁS SEPARADOS POR UM RIO, 'CONGOS' JOGAM PELA COPA AFRICANA

Congo e República Democrática do Congo abrem as quartas de final da competição em partida inédita e que reúne países cujas capitais fazem fronteira

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2015 | 07h00

Apenas um detalhe no nome diferencia a República do Congo da República Democrática do Congo. Somente um rio, que também se chama Congo, separa as duas capitais, as únicas do mundo a fazerem fronteira. E pela primeira vez na história as duas seleções vão se encontrar pela Copa Africana das Nações, em confronto neste sábado pela abertura das quartas de final, em Bata, na Guiné Equatorial.

Nos três confrontos anteriores pelo torneio a República Democrática do Congo ainda era chamada pelo nome mais conhecido. Como Zaire, o país se classificou para a Copa de 1974, quando enfrentou a seleção brasileira e entrou para a história do esporte no mesmo ano quando a capital, Kinshasa, recebeu a luta dos pesos-pesados do boxe Muhammad Ali e George Foreman.

Na época, o confronto foi organizado pelo ditador do país, Mobutu Sese Seko, que assumiu o poder em 1965 em golpe apoiado por Estados Unidos e Bélgica. Uma das primeiras ações dele foi mudar o nome do país de Congo Belga para Zaire, enquanto do outro lado do rio, a capital vizinha de Brazzaville vivia também sob um regime autoritário, mas alinhado com o comunismo. 


Fora o nome, os dois vizinhos também têm em comum o francês como idioma oficial e foram disputados por colonizadores. Segundo Amailton de Azevedo, professor de história da África da PUC-SP, a França chegou primeiro e transformou a atual República do Congo em seu território. "A França despertou a inquietação de outros países europeus, a exemplo da Bélgica, onde o rei Leopoldo II manifestou uma certa preocupação. Invejoso do poderio francês e holandês, o rei tinha projetos ambiciosos para a Bélgica: transformá-la também em uma potência colonial", explicou.

O monarca, então, passou a ser um grande articulador do imperialismo na África e começou a enviar exploradores pela região. A empreitada deu certo e os belgas acabaram como soberanos do território onde é agora a República Democrática do Congo. As relações diplomáticas entre os países africanos são amistosas hoje em dia. "As tensões vividas atualmente se referem à imigração ilegal e ao pequeno comércio nas fronteiras que dividem os dois países e a Angola", afirmou o professor.

EQUILÍBRIO

As duas nações têm um retrospecto equilibrado e apostam em armas opostas para se classificar. O Congo teve a melhor campanha da primeira fase e conta com o artilheiro da competição, o garoto Bifouma, de 22 anos. Já os xarás, passaram pela etapa inicial com três empates e mostraram força defensiva. A estrela é o goleiro Kidiaba, jogador mais velho da competição, com 38 anos.

O capitão da equipe ficou famoso no Brasil em 2010, quando no Mundial de Clubes, ajudou a equipe do seu país, o Mazembe, a eliminar o Inter na semifinal por 2 a 0. Fora as defesas, também chamou a atenção pela curiosa coreografia nas comemorações.

Em toda a história as seleções se enfrentaram 26 vezes, com ligeira vantagem do Congo em vitórias: 9 a 8, fora outros nove empates.  

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