Antonio Calanni/AP
Antonio Calanni/AP

Xavi busca título do torneio para coroar ciclo vitorioso na Espanha

Pela seleção espanhola, meia levou a Copa do Mundo de 2010 e as Eurocopas de 2008 e 2012

TIAGO ROGERO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2013 | 08h02

RIO - Xavi Hernández já entrou para a história do futebol espanhol. Jogador que mais vestiu a camisa do Barcelona, mais ganhou títulos pelo clube espanhol, disputou três Copas do Mundo pela Fúria e a conduziu com mestria a seu mais importante título: a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, fora duas Eurocopas - em 2008 (foi eleito o melhor da competição) e 2012. Conquistou tudo pela Espanha e Barça. Ou melhor: quase tudo. Só falta a Copa das Confederações e amanhã, aos 33 anos, Xavi terá sua última chance.

O meia já anunciou que não vai disputar a edição de 2017, na Rússia. Seu contrato com o Barcelona vai até 2016, quando Xavi terá completado 36 anos. Ele quer encerrar a carreira no clube catalão, que defende desde os 11 anos de idade, Motivado por enfrentar o Brasil, o jogador do Barça disse esta semana que a Espanha tem uma "espinha engasgada" há quatro anos, referindo-se à surpreendente eliminação para os EUA nas semifinais da Copa das Confederações de 2009. A Fúria ganhou a disputa do terceiro lugar - pouco para um time que se acostumou a encantar o mundo nos últimos anos.

Na seleção espanhola, com o avanço da idade e um problema crônico no tendão de Aquiles dos dois pés, Xavi tem cada vez mais dividido o protagonismo com seu companheiro de Barça, Andrés Iniesta, quatro anos mais novo. Mas, se não tem a mobilidade e explosão de antes (embora ainda tenha ambas as qualidades em alto nível), Xavi compensa na inteligência. Tanto que Vicente Del Bosque, o comandante espanhol, chegou a dizer ao El País em 2012 que Xavi era "mais importante que o técnico" na seleção espanhola.

Tal poder de Xavi também tem seus inconvenientes. No domingo passado, após a vitória sobre a Nigéria por 3 a 0, o técnico admitiu divergências entre o meia e a comissão técnica. "Tivemos alguma discrepância", minimizou. "Quem manda tem de ter a humildade para escutar", afirmou Del Bosque. A polêmica começou após o auxiliar técnico Toni Grande revelar que Xavi havia demonstrado insatisfação - ou, vá lá, feito sugestões - à comissão técnica em relação ao seu posicionamento.

Foi graças à boa relação entre maestro e comandante que Xavi veio ao Brasil com a Fúria. Em 2012, depois da vitória por 4 a 0 sobre a Itália e a conquista de sua segunda Euro, o meia procurou Del Bosque e disse que iria se aposentar da seleção espanhola. O técnico o impediu: "Eu lhe disse que é um homem chave para nós. Tenho a obrigação de lhe dizer a verdade sobre o que tem sido e o que é para a seleção", revelou depois o treinador.

Xavi, claro, já não é mais o menino que estreou em 1998 pelo time profissional do Barcelona, numa final de Supercopa espanhola, e marcou o único gol do time catalão nas duas derrotas para o Mallorca (2 a 1 e 1 a 0). O gosto amargo do vice-campeonato ele conheceu também em 2000, quando a Espanha foi derrotada por Camarões na disputa pela medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Sidney. Mas foram as conquistas que marcaram a carreira do meia: só pelo Barça, foram 21 títulos (jogador que mais vezes foi campeão pelo clube), fora os três pelo time principal da Fúria.

Hoje, ao lado de Iniesta, Xavi terá a responsabilidade de encontrar os espaços na defesa do Brasil. E ele conhece bem os brasileiros. Além de companheiro de Daniel Alves e Adriano no Barça, Xavi jogou ao lado de dois grandes nomes da seleção brasileira: Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Hoje, Xavi vai jogar pela segunda vez contra Neymar, seu futuro companheiro de time. Na primeira, a final do Mundial de Clubes, levou a melhor - marcou um dos quatro gols da goleada.

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