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Yamada nega conflito de interesse e avisa: 'Vamos recuperar a credibilidade do Corinthians'

Novo diretor da base era empresário de jogador até semana passada

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2017 | 10h59

Antes mesmo de ser anunciado como novo gerente geral da base do Corinthians, Fernando Yamada foi alvo de protestos de muitos torcedores pelo fato dele estar trabalhando como empresário de futebol, o que poderia causar um conflito de interesse. Ex-goleiro com uma longa história no clube, onde foi campeão mundial em 2000, dentre outros feitos, o novo dirigente corintiano, em entrevista exclusiva ao Estado, falou sobre sua polêmica contratação e contou os projetos que pretende levar para o clube. 

Em que você pode agregar para a base do Corinthians?

Eu quero fazer uma integração total com o profissional. Tenho alguns projetos de eleger um coordenador para fazer uma função técnica e alinhar as categorias para estarem na mesma sintonia, respeitando, claro, a idade de cada garoto. Quero um funcionário 'full time' no clube e que seja competente não só em sua função como em outras, pois hoje em dia é preciso ter profissionais multifuncionais.

Qua sua experiência para trabalhar na base de um clube do tamanho do Corinthians? 

Eu nunca escondi de ninguém que tinha esse objetivo. Tentei voltar ao clube como atleta, mas não conseguiu. Eu me preparei para esse momento. Estava encerrando a carreira e recebi o convite do Grêmio Osasco para jogar até conseguir e depois assumiria uma função de gestor no clube. Em 2014, parei e comecei como gerente de futebol no Audax e no ano seguinte virei coordenador geral, quando passei a trabalhar mais com a base e comecei a chamar a atenção, pois comandava um clube que tinha cinco anos de vida e já havia chegado em duas finais. Fomos finalistas do Sub-20 e perdemos o título nos pênaltis e fomos campeões do Sub-15, derrotando o Santos. Isso chamou a atenção do Corinthians, mas só agora deu certo a minha vinda. 

Mas até pouco tempo, você era empresário de futebol e cuidava da carreira de garotos. Isso não pode gerar um conflito ético?

De forma alguma. Prestei serviço para o escritório, mas não tenho qualquer relação com a empresa. Me desliguei na semana passada. Entendo a desconfiança, afinal de contas, o Corinthians foi vítima de muitos escândalos recentemente, mas temos que lembrar que as supostas irregularidades não foram feitas por empresários, mas sim, por quem tinha cargo no clube e fez as coisas por interesses pessoais. Temos que parar com essas coisas. O Carlos Nujud (diretor da base) me conhece há mais de 20 anos. Fui atleta dele no Corinthians e vim porque ele me falou que precisava de alguém de confiança, com experiência, identificação no clube e com trânsito livre entre todas as categorias.

Você espera ser vigiado de perto pela torcida?

Acredito que isso seja algo natural e acho bom que aconteça. A torcida atenta e participando de tudo e de olho em qualquer deslize é bom, porque servirá para ela ver o meu trabalho. Isso é ótimo. 

A passagem pela Thinkball pode te ajudar em algo nesta nova função?

Aprendi muita coisa. Saber gerenciar a carreira de um menino, pois nem todos serão talentosos para jogar em um Corinthians ou um grande clube da Europa. Estamos falando de 3% ou 5% e o resto? Aprendi a abrir possibilidades para que esses outros garotos também possam ter uma carreira honesta e realize o sonho de jogar futebol e ganhar seu dinheiro. Repito: fui prestador de serviço, um executivo. Essa experiência vai agregar ao meu trabalho, somando com a minha experiência de atleta. 

Acredita que ainda é preciso recuperar a credibilidade da base do clube?

Com certeza. Se eu ver que tem pessoas que estão agindo por seu interesse pessoal, essa pessoa não serve. Tem que pensar no macro, no Corinthians. Se alguém quiser tirar proveito, não serve. O Corinthians é grande e a responsabilidade de trabalhar aqui é grande. Preciso de comprometimento total.

O que pretende levar de novidade para a base?

Primeira coisa, é detectar as funções ociosas, identificar os profissionais e definir quem tem o perfil, de fato, para trabalhar na base. Teremos ainda um coordenador para cada função técnica e criaremos uma metodologia para ser usada em todas as categorias. E o ponto principal é ter uma captação positiva para que no futuro, não tenhamos que gastar para contratar um garoto e trazer um atleta tendo uma pequena fatia dele e sem qualquer identificação com o clube. 

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