Zagallo e Parreira também no Madureira

Do campo do Madureira, clube do subúrbio carioca, foram revelados nomes expressivos do futebol, como o inesquecível "mestre" Didi, o habilidoso Jair Rosa Pinto e o meia Marcelinho Carioca. Agora, a agremiação inovou ao tentar "clonar" a mais vitoriosa dupla de técnicos do Brasil, contratando para o time principal e o infantil: Paulo Zagallo, de 46 anos, e Alexandre Parreira, de 28 anos, respectivamente filho do coordenador e sobrinho do treinador da seleção brasileira.Tanto Paulo Zagallo quanto Alexandre Parreira asseguraram que o sobrenome famoso causa alguns problemas, mas também tem seus benefícios. O técnico do profissional do Madureira ressaltou ser impossível fazer comparações entre ele e seu pai. "Sei que as cobranças são grandes pelo sobrenome que a gente carrega, mas sempre falei que comparações não podem ser feitas entre eu e meu pai. Ele foi um grande jogador, teve várias conquistas e sou somente um teórico do futebol", contou Paulo Zagallo, que iniciou sua carreira em 1997, após fazer um curso para treinadores. "Sou um treinador teórico dos teóricos, porque nunca auxiliei ninguém. Mas tenho a felicidade de ter em casa uma pessoa vitoriosa, experiente, com mais de 50 anos dedicados ao futebol, que me passa muita coisa."O reencontro entre os descendentes da família Zagallo e Parreira ocorreu quando Paulo assumiu o cargo de técnico do time profissional do Madureira, em novembro de 2003. Na ocasião, o clube já havia acertado com Alexandre, que contou com uma "força" do tio, intercedendo por sua contratação junto ao presidente do clube Elias Duba, para comandar o time infantil. Mas, até janeiro, o sobrinho de Parreira atuou como o auxiliar de Paulo.Feliz por estar pela primeira vez no comando de uma equipe, Alexandre Parreira não escondeu a admiração pelo tio. Lembrou ter decidido seguir carreira no futebol, aos 7 anos, após acompanhar Carlos Alberto Parreira, então treinador do Kuwait, em uma pré-temporada, em Teresópolis, região serrana. "Vejo o meu tio como um cara que quero seguir em todos os exemplos, não só como homem, mas também como profissional", afirmou Alexandre Parreira, que tem um irmão, Carlos Eduardo, trabalhando como preparador-físico do time infantil do Flamengo. "Por ele ter duas filhas, e, eu e o Carlos, sermos filhos de seu único irmão, o convívio foi maior. Desde criança sempre o acompanhamos."Alexandre festejou o fato de pela primeira vez poder comandar um time, treinando cerca de 30 atletas, porque até o momento só havia sido auxiliar técnico ou de preparação-física. Contou que também não dispensa os "valiosos" conselhos de Parreira. "Vou sempre à casa do meu tio e acompanhamos juntos os jogos pela TV. Ele me ensina e conversamos", falou Alexandre, que é formado em Educação Física e fez Pós-Graduação em futebol. "Meu tio até brinca comigo, me dando materiais didáticos, dizendo que somente ele e eu temos isso."Física e Tática - Carlos Alberto Parreira elogiou os sobrinhos mas deixou claro que não teve influência alguma em suas decisões. O técnico da seleção disse ver futuro na carreira dos dois e ressaltou que somente o tempo dirá se está certo. "O Alexandre gosta de táticas e está sempre em minha casa fazendo análises de jogos. Já o Carlos prefere mais a parte física", disse.

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