Zagallo lembra final de 98 com naturalidade

Atual coordenador-técnico da seleção brasileira, Zagallo volta amanhã ao Stade de France onde, há quase seis anos, viveu um dos momentos mais difíceis de sua longa carreira. Naquele 12 de julho de 1998, ele era o técnico da equipe que decidiria a Copa do Mundo contra a mesma França. Apesar de enfrentar os donos da casa, o Brasil estava confiante, até porque vinha de uma vitória sensacional nos pênaltis sobre a Holanda na semifinal, após um empate por 1 a 1 no tempo normal e 0 a 0 na prorrogação num dos melhores, senão o melhor jogo daquele Mundial. Mas a convulsão sofrida por Ronaldo, o maior nome do time, horas antes do início da decisão, mudou o ânimo dos brasileiros. A seleção entrou em campo abatida e abalada e tornou-se uma presa até fácil dos franceses, que venceram por 3 a 0 e ficaram com a taça. O sonho do pentacampeonato era adiado. Zagallo lembra bem daquele dia, mas trata o episódio com naturalidade. "Foi apenas uma coisa que aconteceu. Algo grave, marcante, que nos atrapalhou, mas que não fica martelando na minha cabeça. O filme que sempre passa na minha cabeça quando o assunto é Brasil e França é o de 1958, quando ganhamos deles nas semifinais e, na seqüência, fomos campeões do mundo?, prefere. O coordenador, porém, tem certeza de que, se Ronaldo não tivesse sido vítima do problema médico, a história daquela decisão seria diferente. "Não é menosprezando a França, que tinha um grande time. O problema é que o que aconteceu com o Ronaldo tornou um dia alegre, festivo, num dia fúnebre. Os jogadores, que sempre iam cantando e batucando para as partidas, naquele dia formaram um grupo de surdos-mudos. Isso atrapalhou. Se o Ronaldo estivesse bem, o resultado não seria aquele.? Ele confirmou a escalação de Ronaldo naquela decisão minutos antes do jogo começar - havia, inclusive, feito a preleção com Edmundo na equipe titular -, a pedido do próprio atacante e com a concordância do médico Lídio Toledo e não se arrepende. "Sempre tive a consciência tranqüila, faria Tudo novamente. Escalei o jogador com a liberação do médico. Senão, não seria maluco de colocá-lo para jogar. Se pudesse mudar alguma coisa que aconteceu naquele dia, não teria deixado Ronaldo ficar doente.? Por todos estes motivos, Zagallo não vê a partida de amanhã como a oportunidade de vingança. Até porque não será a primeira vez que irá ao Stade de France depois da Copa de 1998 - no ano passado, esteve no local com a seleção, durante a Copa das Confederações. "Esse é um jogo festivo para a Fifa, que faz 100 anos. E o Brasil ser convidado é uma honra. Mas não tem essa de revanche. Para nós esse jogo vai servir como preparação para o jogo com a Argentina pelas Eliminatórias?, disse. O coordenador admite, no entanto, que quando entra no Stade de France se recorda do epidósio. "Quando você retorna ao local, passa pela cabeça, mas isso não vai afetar. Você sempre tem de pensar de hoje para amanhã e não de hoje para ontem.? Além de Zagallo, quatro jogadores que integravam aquela seleção vão voltar amanhã ao Stade de France: Cafu, Roberto Carlos, Zé Roberto, além do próprio Ronaldo. Os atletas não são tão expansivos quanto o coordenador sobre o assunto, mas não fogem aos comentários. "Aquilo está superado. Em 2002 o Brasil foi campeão. Depois, ninguém sabe direito o que aconteceu naquele dia, é passado?, diz Roberto Carlos. "Já faz um bom tempo, foi uma pena tudo o que ocorreu, não ganhamos a Copa, mas o negócio é pensar para frente?, considera Cafu.

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