Zagallo: passaporte na mira de americanos

A ânsia dos americanos por encontrar terroristas e a neurose após os atentados e a Guerra do Golfo fizeram de Mário Jorge Lobo Zagallo uma vítima. O auxiliar-técnico da seleção brasileira passou por maus momentos nesta segunda-feira, no Aeroporto Tom Bradley, em Los Angeles, onde a delegação fez escala antes de seguir até Guadalajara.Após passar pelos oficiais, Zagallo foi chamado a uma sala separada. Teve de tirar os sapatos, o paletó, a gravata e responder a uma longa série de perguntas. É que os americanos desconfiaram de seu visto, que lhe permite a entrada no país, emitido na Arábia Saudita. Antes de liberarem o treinador, lhe deram um aviso: "Esse visto parece falsificado, é melhor tirar um outro se quiser voltar aos Estados Unidos." Os americanos, que pouco conhecem de futebol, nem imaginaram que estavam conversando com um das mais importantes personalidades do esporte brasileiro, com quatro titulos mundiais no currículo. O velho lobo ficou aborrecidíssimo com a situação e, quando reencontrou os colegas brasileiros, desabafou. "Pô, eles não acham o Osama bin Laden nem o Sadam Husein e agora querem me pegar?" Zagallo contou que pensou em fazer essa afirmação aos oficiais americanos, mas desistiu. "Se falasse isso, aí é que eu não iria sair de lá." Mas a falta de sorte, do normalmente sortudo treinador, não parou por aí. Quando chegou a Guadalajara, foi o único brasileiro que teve de parar na alfândega e abrir as malas para inspeção. Todos os outros receberam luz verde e não tiveram nenhum problema para deixar o aeroporto.A seleção brasileira conseguiu sair do aeroporto pelos "fundos" e, por isso, quase não foi notada por centenas de pessoas que esperavam os craques. Somente os mexicanos que estavam na área de desembarque ou que viajaram no mesmo avião conseguiram tirar fotos e pedir autógrafos.Parreira foi o mais festejado.PRIMEIRA VEZ - Os jovens Diego e Robinho não estranharam a primeira viagem internacional com a seleção. Pelo contrário, descontraídos, fizeram brincadeira como se estivessem no CT Rei Pelé, em Santos. Só lamentaram a demora para chegar até o México. O vôo saiu de São Paulo e levou quase 12 horas até Los Angeles, onde a delegação ficou parada por 2 horas e meia. Depois foram mais três horas até Guadalajara.Na tarde desta terça-feira, o time fará o reconhecimento do gramado do Estádio Jalisco. Deverá haver cobrança para quem quiser ver o treino. A dupla santista atuará pelo menos por algum tempo quarta-feira, contra o México.

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