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Bragantino, do técnico Antonio Carlos Zago, está na liderança da Série B Reprodução/Twitter/Bragantino

Zago comemora sucesso da parceria entre Red Bull e Bragantino: 'Torcida abraçou'

Equipe lidera a Série B do Campeonato Brasileiro e está perto de conquistar o acesso à elite nacional; ao Estado, treinador falou que tem estabilidade para trabalhar

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 04h30

Líder da Série B do Campeonato Brasileiro com oito pontos de vantagem para o segundo colocado, o Red Bull Bragantino está perto de conquistar o acesso à elite nacional. Para o técnico Antonio Carlos Zago, a fusão entre os clubes no primeiro semestre foi fundamental para o sucesso. Afinal, uniu uma estrutura do Red Bull com uma torcida que faz cobranças e comemora a boa fase da equipe.

Em entrevista ao Estado, o treinador contou como tem sido trabalhar na "nova" casa. Ele foi contratado pelo Red Bull Brasil em setembro de 2018 e tem vínculo até o fim de 2021. Sem conselheiros para "infernizá-lo", Zago confia no projeto do clube e acredita que o elenco já tem uma base muito forte até para disputar a Série A.

Como foi essa montagem do elenco com a fusão dos clubes?

Não podemos falar só depois da parceria, porque aconteceu desde quando ainda era só Red Bull Brasil. Jogamos a Copa Paulista, na qual chegamos à semifinal, e mantivemos a base para o Paulista deste ano, quando conquistamos o Troféu do Interior. Do Paulista para a Série B, já tínhamos uma base forte, escolhemos mais alguns jogadores do Bragantino e contratamos outro. O importante foi manter a base desde o ano passado, porque a maioria das equipes não faz isso, nos regionais tem um time e no nacional outro, com quase uma equipe inteira contratada. Nossa força é essa: os jogadores se conhecem e também conhecem o meu trabalho, então estamos jogando um bom futebol que só com o tempo é possível atingir.

Esperava que o projeto daria certo logo no primeiro campeonato?

Minha mentalidade que eu carrego desde quando era jogador que a vontade é de vencer sempre. Esperávamos fazer uma boa campanha, e as coisas foram acontecendo naturalmente. As vitórias começaram a aparecer e deu no que deu até agora.

O que mais ajudou na fusão entre os clubes?

O mais importante dessa fusão foi a cidade (de Bragança Paulista) ter abraçado essa parceria. Temos uma boa média de público e você vê a cidade empolgada com o que o time vem fazendo na Série B. Não só pela liderança do campeonato, mas jogando um bom futebol. Isso que empolga também. Agora temos uma casa que é em Bragança. Antes jogávamos em Campinas e a torcida era composta por amigos e parentes, eram 500 pessoas por jogo. Agora tem uma torcida, uma cobrança que é importante, porque no futebol tem que se acostumar a ser cobrado. Tem essa pressão da torcida e mais imprensa também, e acho que isso tem ajudado.

O que muda trabalhar em um clube-empresa?

Tem mais estabilidade e segurança para trabalhar, principalmente para o treinador. E o que acontece aqui é com uma multinacional por trás, porque vimos o exemplo do Figueirense que virou empresa e vem passando por dificuldades. Aqui temos segurança, pagamento em dia, estrutura boa para trabalhar... Temos tudo o que precisamos. Outra diferença é que aqui não tem conselheiros do dia a dia, que na maioria dos clubes quando perde você é uma m... e quando ganha é o melhor do mundo. Não tem esses caras enchendo o saco, então acho que fica mais tranquilo. Aqui tem o presidente e o diretor, que é o Thiago (Scuro), com quem eu me reporto.

Como está ansiedade para o acesso?

Temos que estar ansiosos mesmo, não tem jeito. Vamos procurar conter um pouco na base da conversa durante os treinos. O mais importante é os jogadores estarem muito motivados.

Faz contas para o acesso e para o título?

A média que calculamos, com base nos últimos anos, é que de 60 a 65 pontos fica com pelo menos a quarta colocação (o time atualmente tem 54). Temos 11 jogos pela frente, então com mais três vitórias acho que conseguimos o acesso. Para o título, acredito que 70 pontos sejam necessários para ser campeão. Pensamos também em título, porque assim você deixa seu nome marcado na história do clube. A última Série B do Bragantino foi em 1989, então é importante para o clube ser campeão também.

Acha que essa base dá para competir na Série A em 2020?

Acompanhando um pouco a Série A, eu vejo que temos uma base muito forte para disputar o campeonato no ano que vem. É um campeonato diferente, com pelo menos dez grandes equipes, é superdifícil. Temos uma base forte para o ano que vem, mas vejo que o primeiro objetivo é permanecer na Série A, fugir do rebaixamento. E é importante que todos estão cientes disso aqui no clube, então é um bom caminho andado para que ano que vem possa ter tranquilidade para trabalhar caso realmente a gente confirme o acesso.

Como vê o mercado de técnico no Brasil, com a volta dos 'medalhões' e chegada de estrangeiros?

Acho muito bom os estrangeiros. Não sei se é porque passei mais de dez anos da minha carreira como jogador fora, mas eu acho que você sempre está aprendendo com os estrangeiros. O Sampaoli (técnico do Santos) para mim é uma referência, o acompanho desde a Universidade do Chile, onde fez um bom trabalho. Também fez um bom trabalho na seleção chilena e também no Sevilla. Só na seleção argentina que foi ruim. É um treinador que vem fazendo um ótimo trabalho aqui, pegou um time que ninguém acreditava, jogou um excelente futebol no Paulista e agora ninguém colocava o Santos nem como candidato a uma vaga na Libertadores e está aí na segunda colocação. O Jesus (técnico do Flamengo) é um cara que está implementando novas ideias também; São treinadores que vêm fazendo um ótimo trabalho e acho que são exemplos para os mais jovens. Já a volta dos mais antigos eu nunca vi com tanta diferença, não acho que tem que ter essa questão de idade. Acho que eles também são importantes. Nossa profissão cresceu muito nos últimos anos e pode melhorar ainda mais.

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Bragantino pode ser 4º clube da Red Bull a figurar na elite de seu país

Marca de energéticos conta com outros três clubes fora do Brasil: Salzburg, da Áustria, Leipzig, da Alemanha, e New York, dos EUA

Ítalo Lo Re, especial para o Estado

11 de outubro de 2019 | 04h30

O Bragantino está muito próximo de ser o quarto time de futebol da Red Bull a figurar na 1.ª Divisão nacional nos países onde a empresa possui clubes – a equipe lidera da Série B do Brasileiro, com 54 pontos, 13 a mais do que o quinto colocado, o Paraná. O feito o colocaria ao lado de outros três times da companhia: o austríaco RB Salzburg, terceiro maior campeão do país que disputa a fase de grupo da Liga dos Campeões após 24 anos; o alemão RB Leipzig, terceiro colocado da última edição da Bundesliga, que também está presente nesta edição da Liga dos Campeões; e o americano New York RB, que já contou com estrelas como o francês Thierry Henry, carrasco da seleção brasileira na Copa de 2006.

Muito antes de chegar a Bragança Paulista, a marca de energéticos iniciou sua participação no futebol brasileiro por meio do Red Bull Brasil, que foi fundado na cidade de Jarinu, interior de São Paulo, em novembro de 2007. Dois anos depois de sua inauguração, o clube venceu a 4.ª Divisão paulista e, em 2014, foi vice-campeão da Série A-2, chegando à 1.ª Divisão de futebol no Estado. No Paulistão de 2015, o RB Brasil conseguiu o surpreendente sexto lugar, melhor colocação de sua história.

Em março deste ano, a Red Bull fechou acordo com o Bragantino, tradicional clube do estado, e passou a estampar seus emblemáticos touros na Série B do Brasileirão. “Ao contrário do que muitos pensam, com a nova fase, o RB Brasil não acabou. Estamos em via de definir um cenário para ele no próximo ano, mas não existiu junção com o Bragantino. São dois clubes diferentes e a intenção da marca é continuar investindo em ambos, ainda que de diferentes formas”, destaca o CEO de futebol da Red Bull na América Latina, Thiago Scuro.

Em boa fase, o clube de Bragança Paulista tem fortes chances de acesso à Série A do Campeonato Brasileiro do ano que vem. O grande desafio, caso título e classificação se concretizem, é se manter na elite. “Estou muito satisfeito pelos resultados que estamos conseguindo. Ao meu ver, é um projeto extremamente sustentável; com a cidade, a torcida e os funcionários envolvidos. O sucesso é fruto da simbiose entre todos”, destaca o CEO.

Times de futebol da Red Bull pelo mundo

Considerado o clube mais bem sucedido da marca, o Salzburg, fundado em 1933 na Áustria, firmou parceria com a Red Bull em 2015. Terceiro maior vencedor da liga austríaca, com 14 títulos, o clube não perde o posto de campeão nacional desde 2014. Com seis títulos consecutivos, o Salzburg retornou à fase de grupos da Liga dos Campeões  depois de 24 anos.

Também presente na liga de clubes mais famosa do mundo, a trajetória do RB Leipzig, antigo SSV Markranstädt, começou em 2009 na Alemanha. Desde então, foram dois títulos, da 5.ª e 4.ª Divisões, em um intervalo de três temporadas; um acesso para a 2.ª Divisão em 2014; e um vice-campeonato da Bundesliga II, que conferiu a promoção à elite na temporada 2015/2016. Em 2016/2017, o RB Leipzig beliscou o vice-campeonato e se classificou para a Liga dos Campeões. Em 2018/2019, o clube ficou em terceiro e, mais uma vez, estará na Liga dos Campeões.

Segundo time mais antigo da marca, o New York Red Bulls começou como MetroStars, um dos pioneiros da Major League Soccer (MLS) que foi fundada em 1994. Treinado brevemente por Carlos Alberto Parreira em 1997, o time de Nova York passou a ser associado à marca de energéticos em 2006, período em que o francês Djorkaeff era o craque do time e MVP da liga. Em 2010, o clube contratou Thierry Henry diretamente do Barcelona, o que ficou marcado como sua principal contratação. Ainda com todo alarde, o melhor resultado da equipe em 23 participações na MLS foi um vice-campeonato em 2008.

“Contar com outros clubes sob o mesmo guarda-chuvas é uma condição bastante especial e quase única no mercado. Há a possibilidade não só de estudar e fazer imersão em outros lugares, como também de trocar informações, conhecimentos e ideias. Cada clube tem a sua independência, identidade e respeito à cultura do país em que está inserido, evidentemente, mas a troca contribui bastante para nós”, pondera Scuro.

 

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