Zagueiro Cris é suspenso por 270 dias

Custou muito caro ao zagueiro Cris e ao goleiro Eduardo a troca de socos e pontapés após o clássico mineiro do dia 18 abril, pela decisão do campeonato estadual. Na ocasião, o Atlético-MG venceu por 1 a 0, mas o título ficou com o Cruzeiro. Em julgamento que durou mais de cinco horas e só terminou na madrugada desta quarta-feira, a Terceira Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Mineira de Futebol (FMF), puniu Cris com uma suspensão de 270 dias (o equivalente a nove meses). Eduardo recebeu uma pena de 120 dias (quatro meses) longe dos gramados. Segundo o relator do processo, Fernando Marteletto, as severas penas devem servir de exemplo. Para ele, punições duras como a aplicada neste caso representam "o fim da era dos valentões e dos justiceiros" no futebol. Logo após a decisão, o advogado do Cruzeiro, Obregon Gonçalves, disse que havia entrado com um pedido de efeito suspensivo para o zagueiro cruzeirense, mas o vice-presidente do TJD, Eduardo Machado Costa, afirmou no final da tarde que o Cruzeiro não formalizou recurso, apenas manifestou verbalmente tal intenção. Com isso, a punição está mantida e Cris não poderá enfrentar na noite desta quarta-feira o Deportivo Cáli, na Colômbia, pelas oitavas-de-final da Copa Libertadores. "Nós não temos um recurso formalizado, mas simplesmente um pedido de efeito suspensivo atípico, sem que esse recurso esteja formalizado e possa ser apreciado", disse Costa. Cabeçada - A pena de Cris foi maior porque, além da briga, ele foi julgado também pela cabeçada que deu no meia Tucho, ainda no primeiro tempo da partida, o que lhe rendeu um cartão vermelho. O jogador foi punido com base no artigo 253 - no qual estava incurso duplamente - do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por agressão ao adversário. O goleiro atleticano pegou a pena mínima prevista no mesmo artigo, que estabelece punição de 120 a 540 dias de suspensão. Ao contrário do colega, o advogado do Atlético, Roberto Vasconcelos, disse que o Departamento de Futebol do clube iria analisar a hipótese de entrar com um recurso, solicitando o efeito suspensivo, o que não havia acontecido até o final da tarde desta quarta-feira, de acordo com o vice-presidente do TJD. Os advogados dos dois clubes deverão apresentar os recursos nesta quinta-feira. Já esperando por uma punição severa para o titular do gol alvinegro, a diretoria atleticana contratou o goleiro Danrlei, que foi apresentado na segunda-feira. De certa forma resignado com o gancho de quatro meses, Eduardo não perdeu a esperança de manter-se como titular do time. "Eu estou confiante para que o juiz aceite esse recurso para ter um novo julgamento", disse o goleiro, que considera o seu caso "mais tranqüilo" do que o do zagueiro cruzeirense, que ainda foi suspenso por um jogo pelo artigo 258, por arremessar objetos em direção à torcida. A pena, no entanto, foi revertida em doação de cestas básicas. Bastante abatido, o jogador, que estava com a delegação do Cruzeiro em Cáli, evitou comentar a suspensão de nove meses. Clássico da Paz - Cris e Eduardo deram início a uma confusão generalizada no gramado do Mineirão, que envolveu jogadores, funcionários dos dois clubes e torcedores, após a última partida da final do Campeonato Mineiro. O zagueiro foi comemorar a conquista próximo à torcida do Atlético e teria jogado um sinalizador no espaço reservado aos torcedores da equipe adversária. Irritado com o que considerou uma provocação, o goleiro atravessou o campo e partiu para cima do zagueiro, que reagiu com murros e chutes, prontamente devolvidos. O tumulto manchou toda uma campanha contra a violência promovida pelos clubes e pela mídia local durante a semana anterior à decisão, já que horas antes da primeira partida da final, o torcedor cruzeirense Francisco Agnaldo Felício, de 24 anos, foi morto durante uma briga entre as duas torcidas. O jogo chegou a ser intitulado de "Clássico da Paz".

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