Zagueiro do Botafogo morre em Ribeirão Preto

O zagueiro do Botafogo de Ribeirão Preto, Maximiliano Patrick Ferreira, o Max, de 21 anos, morreu no final da tarde desta quarta-feira pouco depois de sentir-se mal durante um treinamento coletivo no Estádio Santa Cruz. Ele reclamou de tontura, num lance de escanteio, no ataque, caiu e teve uma crise convulsiva. Foi atendido rapidamente pelo médico Alexandre Vega e levado ao Hospital Ribeirânia, a menos de 500 metros do estádio. Por cerca de 50 minutos, Vega tentou reanimá-lo, com massagens e medicamentos, sem sucesso. ?Em momento algum o atleta respondeu às tentativas de reanimação", disse o médico. Segundo ele, a morte pode ter sido causada provavelmente por um quadro neurológico (talvez um aneurisma), provocando a parada cardíaca. O corpo foi levado à noite para ser necropsiado no Instituto Médico-Legal (IML) e será sepultado nesta quinta-feira. A morte de Max ocorreu seis dias após a do volante camaronês Marc-Vivien Foe, ocorrida durante a semifinal da Copa das Confederações, na França, contra a Colômbia. Os companheiros de Max, diretores e funcionários do Botafogo, e até do Comercial, não acreditaram no que aconteceu com o jogador. O corpo do zagueiro foi velado durante a noite no Poliesportivo do Botafogo, na Vila Tibério. Profissional desde 2000, Max, nascido em Ribeirão Preto, filho de um motorista e de uma enfermeira, só saiu do Botafogo no início deste ano para defender a Internacional, de Limeira, na Série A1 do Campeonato Paulista. Thiago, de 22 anos, o parceiro de Max na zaga botafoguense, era um dos mais abalados. Ele está há um mês no clube, preparando-se para disputar a Série C do Campeonato Brasileiro, e era um dos mais próximos de Max, que estava no clube ribeirão-pretano havia mais de dez anos, desde a escolinha. Por volta das 17 horas desta quarta-feira, Max e Thiago estavam no ataque, numa cobrança de escanteio. ?Ele falou para eu ir na bola, pois estava tonto. Depois, caiu, tentou se levantar e sentou-se novamente", relembrou Thiago. Vega chegou em seguida e viu o princípio do quadro convulsivo. Dali, levaram o zagueiro para o vestiário e, no carro de um diretor, para o hospital, tudo em cerca de dez minutos. O técnico Roberto Fonseca, ex-zagueiro do São Paulo nos anos 1980, encerrou o treino e os jogadores seguiram para o hospital. ?Esperava encontrá-lo tomando um soro... ainda não caiu a ficha", disse Thiago, em frente ao hospital. Antes do treino, Max conversou com Thiago sobre uma possível viagem para o Paraná, onde compraria um cão rotweiller. ?O baque vai ser grande e, com calma e tranqüilidade, teremos que trabalhar dobrado para, pelo menos, homenagear o Max", comentou Thiago. Bell, ex-companheiro de Max durante três anos e meio e atualmente defendendo o rival Comercial, não acreditou na notícia da morte do zagueiro, após o treino de seu time, no outro estádio de Ribeirão Preto. ?Encontrei ele na segunda-feira, numa oficina mecânica, e o Max ainda disse: ?se Deus quiser vamos ter um Come-Fogo neste ano??, relembra Bell. ?Era um moleque obediente, se dedicava muito e sempre queria aprender com os jogadores maix experientes", emendou Bell. ?Foi uma fatalidade, como a morte do jogador de Camarões", disse o técnico Fonseca, lembrando que o Botafogo adiou um jogo-treino contra o Lemense, em Leme, de quarta para quinta-feira, também já cancelado. O grupo só reiniciará os treinamentos na segunda-feira. ?Temos que trabalhar, mas não será fácil, pois a maioria dos jogadores tinha ligação com ele, que nasceu no clube", enfatizou Fonseca. O treinador disse que já viu um jogador morrer em campo, em 1993, quando defendia o América, em São José do Rio Preto, contra o Marília. Na preliminar, no jogo entre juniores dos dois times, o goleiro do Marília morreu. ?Assim mesmo o jogo de fundo foi realizado", recordou ele. Para o massagista João da Silva Neto, o Sebinho, com mais de 40 anos de Botafogo, a morte de Max foi mais triste do que a do ponta-direita Zé Mário Baroni, vítima de leucemia, em 1977. ?Naquela época já esperávamos a morte do Zé Mário (que não ocorreu em campo), mas a do Max nós vimos tudo acontecer", explicou ele. O presidente Walcris da Silva, do Botafogo, disse que o clube irá amparar os familiares de Max do velório ao sepultamento e cancelou a reunião do Conselho Deliberativo, que seria nesta quinta. O rival Comercial, em respeito a Max, não treinará nesta quinta-feira.

Agencia Estado,

02 de julho de 2003 | 18h54

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