Zé Carlos chega com a fama de problemático

O Parque São Jorge se transformou em um retiro de jogadores problemáticos. A chegada de Zé Carlos, liberado pelo São Caetano, só vem confirmar uma estranha tendência do vice-presidente Roque Citadini. Depois de Fábio Costa, Régis Pitbull e Piá, a contratação do lateral-esquerdo chega para completar o que parece ser um clã de ?desajustados?. Cada um ao seu estilo. ?O Zé Carlos tinha contrato até junho de 2005 com o São Caetano e eu pedi para a diretoria e ele foi liberado. Fez os exames médicos e ficará no Corinthians até dezembro deste ano?, disse o empresário Gilmar Rinaldi enquanto o jogador assinava seu contrato nesta quinta-feira no Parque São Jorge. O que fez uma equipe que está disputando a Libertadores da América aceitar pacificamente a saída de um atleta talentoso de 23 anos? O seu comportamento. Zé Carlos, que por ser muito técnico atua como lateral-esquerdo, volante e meia, não tinha mais ambiente no São Caetano. O técnico Muricy Ramalho percebeu que o grupo o rejeitava. O motivo, de acordo com jogadores e pessoas ligadas ao clube do ABC, é o tamanho do seu ego. Ele não se conformou em perder a posição para Triguinho e, de comunicativo e líder positivo, passou a ficar calado e a demonstrar enorme insatisfação com Muricy. O técnico percebeu que ele estava quebrando a harmonia do elenco e alertou a diretoria da necessidade de negociá-lo. O que animou demais Roque Citadini foi saber que o jogador era dono dos seus direitos federativos. O dirigente percebeu que poderia repetir a sua maneira peculiar de economizar. Como fez com Régis Pitbull e Piá, que cansaram de criar problemas na Ponte Preta, conseguiu contratar Zé Carlos de graça. O Corinthians não precisou gastar um centavo para trazê-lo. Para a diretoria do São Caetano, que se viu livre da necessidade de pagar o lateral até dezembro de 2005, foi muito oportuno o interesse corintiano. Dos desajustados, apenas Fábio Costa conseguiu se firmar no time. Seu bom futebol tem compensado as brigas com repórteres e torcedores em que se envolveu. Régis Pitbull foi uma completa decepção. O jogador não fez um gol sequer e apenas treina para manter a forma até ser dispensado ao final do seu contrato, em junho. O triste é que não apareceu nenhum clube interessado em seu futebol. Apenas um empresário coreano circulou pela Ásia com fitas de vídeo, mas não conseguiu convencer nenhum clube a contratá-lo. Piá, que antes de Zé Carlos, havia sido o único reforço corintiano para o Brasileiro, caiu em desgraça depois de suas fracas atuações. ?Não foi esse o Pía que mandei contratar?, deixou escapar Oswaldo de Oliveira. Contra o Vitória, nesta quinta, não ficou nem no banco. O caminho dos excluídos como Adrianinho, Édson Pelé e Samir parece ser o seu destino. O meia Juliano foi dispensado semana passada na surdina. Com a chegada de Zé Carlos, o Corinthians ganha mais confiança para até baixar o preço de Kléber, que será devolvido pelo Hannover. A diretoria se conscientizou que não conseguirá os sonhados US$ 2,3 milhões pelo lateral. E espera qualquer oferta da Europa. ?Nós ouvimos falar que o Basel da Suíça poderia estar interessado nele. Mas não acredito. Não nos procurou. Estamos só esperando alguém interessado?, diz Roque Citadini, ávido por melhorar a triste situação financeira corintiana. O clube acumula R$ 30 milhões em dívidas. E está prestes a anunciar o fracasso na parceria com uma empresa portuguesa para ampliar o Parque São Jorge. Sem perspectiva de lucros, os portugueses querem desistir.

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