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Zé Maria transforma corte na Copa de 1978 em lição de superação

Lateral viveu situação parecida à de Daniel Alves e conseguiu superar a ausência no Mundial da Argentina

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 07h00

Quarenta anos atrás, o lateral Zé Maria viveu exatamente o mesmo drama de Daniel Alves. São histórias quase iguais: o Super-Zé era titular da lateral-direita e nome certo para a Copa de 1978, na Argentina. Uma lesão no joelho direito acabou com o sonho de disputar a terceira Copa, a primeira como titular. 

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“Foi um momento difícil, eu estava muito bem. Hoje, eu consegui superar, mas ainda fico pensando como teria sido”, diz o ex-jogador que atualmente é assistente de Direção da Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente), antiga Febem, que trata da recuperação de menores infratores.

A superação do momento difícil, provavelmente um dos mais dramáticos para um atleta, na opinião de Zé Maria, transformou-se em tema das palestras que ministra para os meninos que estão tentando se reabilitar. “O esporte coloca situações em que precisamos fazer escolhas e superar as dificuldades. É exatamente como na vida”, diz. “Naquela época, jogar pela seleção era o máximo que eu jogador podia alcançar. Jogar numa Copa do Mundo era algo que eu nem imaginava. Foi um sonho que ficou pelo caminho”, lamenta.

Antes do corte, que ocorreu às vésperas da Copa de 1978, José Maria Rodrigues Alves teve uma carreira vitoriosa na seleção. Em 1970, Zé foi tricampeão mundial como reserva de Carlos Alberto Torres. Não chegou a jogar, mas ajudou a compor o time estrelado por Pelé, Jairzinho e Tostão. Conquistou a Copa Roca de 1971, a Taça Independência, em 1972 e o Mundialito de Cali, em 1977. Jogou 64 jogos, de 1968 até 1978, sem marcar gols. 

 Em 1974, participou dos quatro últimos jogos da equipe quarta colocada na Copa da Alemanha. Ele foi bem, mas a equipe não conseguiu superar o carrossel holandês. Em 1978, o então técnico Claudio Coutinho convocou Nelinho para completar a vaga deixada por Zé Maria. Ele não decepcionou, mas a equipe não conseguiu o título e deixou o Mundial invicto. A Argentina se sagrou campeã. “Fiquei torcendo em casa, acompanhei alguns jogos, mas estava bastante chateado. O Brasil merecia ter conquistado o título na Argentina”, afirma Zé. 

Um ano depois, agora como jogador do Corinthians, ele resumiu toda sua carreira em uma atuação histórica. Diante da Ponte Preta, na primeira partida da final do Paulistão de 1979, ele sofreu sangramento devido a um corte profundo no supercílio, mas disse ao médico que só sairia só tivesse uma fratura. A imagem com a camisa ensanguentada virou o sinônimo de raça e garra. De Zé e do próprio Corinthians. Foi aí que o apelido Super-Zé pegou. Sem exageros, Zé é considerado o maior lateral-direito do Corinthians em todos os tempos. 

“Fui bem por causa do meu preparo físico. Desde que comecei a jogar na Ferroviária, eu sempre corria muito e eu percebia que não me cansava. Isso me ajudou bastante. A raça também me fazia diferente dos outros. Para mim, nunca tinha bola perdida”, diz.

 O final da carreira foi emocionante. Na despedida, enquanto a torcida tirava a sua camisa, Zé Maria afirmou: “Estão tirando um pedaço de mim”. Sua despedida oficial foi em um jogo Corinthians e Palmeiras, no Morumbi, mas Zé Maria nem chegou a entrar em campo. Apenas deu a volta olímpica, e foi aplaudido pelo estádio todo, inclusive pelos torcedores rivais. 

 

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