Zico lamenta lambança da arbitragem

Zico saiu de campo com a sensação de dever cumprido, mas inconformado. O ex-astro da seleção e um dos responsáveis pela ascensão do time do Japão não lamentou as oportunidades perdidas, nem mesmo o último lance, em que Fukunishi cabeceou à queima-roupa e Marcos defendeu. O desapontamento do eterno ídolo do Flamengo concentrou-se no árbitro tunisiano Mourad Daami, que anulou gol impecável de Kaji aos 3 minutos do primeiro tempo, sob a alegação de que foi impedimento. "Perder chances faz parte do jogo, acontece e não me incomoda", comentou o técnico que já garantiu presença japonesa no Mundial de 2006. "Nem sofrer pressão do Brasil, que tem enorme qualidade", reforçou. "O que não pode ocorrer é uma decisão como aquela do juiz, em que todo mundo viu e falou que não havia nenhuma irregularidade." Zico foi um dos grandes personagens da partida. Meia hora antes do início, quando as duas equipes entraram em campo para aquecimento, recebeu apertos de mão e abraços de praticamente toda a delegação brasileira. Mais tarde, assim que se dirigiu para seu lugar, no banco de reservas, batalhão de fotógrafos o colocou no foco das lentes, para vê-lo cantar o hino nacional, embora pela primeira vez como adversário. Enquanto o alto-falante tocava os acordes do hino, o Galinho manteve a classe e a atitude respeitosa. Mas se esforçou demais, para driblar a emoção com a mesma categoria com que driblava rivais, em seus tempos de estrela. Uma experiência nova, que não pretende viver outra vez. "O coração bateu forte, o sentimento foi profundo", admitiu. "Ainda bem que o hino parou no meio", brincou. "Fui criado cantando o hino brasileiro na escola, durante 10 anos defendi a camisa amarela, tenho uma identificação grande com ela", reconheceu. "Não gostaria que outros passassem o mesmo." Depois, com a bola rolando, prevaleceu o profissionalismo. Zico vibrou com os gols, protestou contra o lance polêmico e fez caretas de decepção com os lances perdidos. No fim das contas, elogiou o comportamento de seus jogadores. "Eles mostraram competência, qualidade e respeito pelo público e pelo Brasil", enumerou. "O Japão provou aqui que pode jogar de igual para igual contra qualquer equipe", comparou. "Além disso, foi boa nossa participação, porque assim os atletas puderam ver o que lhes espera, dentro de um ano, quando voltarmos para o Mundial." Os japoneses sentiram, por exemplo, como a arbitragem tem força para influir no resultado. O lance de Kaji não saiu da cabeça de Zico, que fez questão de ressaltá-lo, a ponto de lembrar de Antunes, seu irmão mais velho e que já morreu. "Ele costumava dizer que um golzinho faz uma diferença danada", recordou. "O problema é que, nesse tipo de competição, sempre ajudam os times da casa ou os mais fortes. Aquele gol no começo poderia ter feito com que o Brasil se abrisse e teríamos mais espaço para as jogadas de contra-ataque. Mas agora não adianta, já foi."

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