Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

Zico questiona regras de eleição da Fifa e Platini ironiza

Brasileiro também questiona Michael Platini e a Conmebol

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 12h39

Zico, brasileiro candidato à presidência da Fifa, ataca o processo eleitoral na entidade e diz que se as regras não forem modificadas a eleição "dificilmente terá legitimidade". Nesta terça-feira, ele entregou ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, carta em que defende que as regras estipuladas para a apresentação de candidaturas sejam modificadas com urgência. Em entrevista ao Estado, Zico ainda questiona o francês Michel Platini, presidente da Uefa e como ele também candidato ao cargo, e a própria Conmebol.

Falando com jornalistas no lob de um hotel em Zurique, na Suíça, Michel Platini ironizou as críticas de Zico. "Ele não tem as cinco cartas?", disse o francês. "Bom, essas são as regras do jogo. Eu não posso fazer nada", completou. Platini já havia questionado a candidatura de Zico há mais de um mês.

A eleição ocorre no dia 26 de fevereiro de 2016, mas os candidatos precisam apresentar seus nomes até fim de outubro. O problema é que o ex-jogador brasileiro ou qualquer outra pessoa que quiser fazer parte da corrida eleitoral na Fifa precisa ter o apoio de cinco Confederações nacionais diferentes para que sua candidatura possa ser validada. Zico, por enquanto, não tem nenhuma ao seu lado e admite que não sabe se vai obter os apoios necessários. Nem da CBF. 

Em sua carta à Blatter, entregue neste terça em Zurique, Zico deixa claro que a reforma na Fifa precisa começar pela própria eleição. "Não é possível que exista uma regra como essa, que desconsidere que eu tenho 45 anos de história no futebol", criticou. "Essa regra cria um real obstáculo." A norma foi criada há quatro anos como forma de evitar que um nome de fora do mundo do futebol pudesse surgir. Mas foi considerada como uma manobra de Blatter para dificultar o aparecimento de nomes que não sejam cartolas. "Quero o fim dessas condições e outras pessoas já desistiram por conta dessa lei", disse Zico.

O brasileiro pediu apoio em todo o mundo. "Mas muito pouca gente respondeu", disse. Segundo ele, existe uma "pressão" e "ameaças" a dirigentes que saiam de acordos regionais. "Não existe uma independência no voto e isso precisa mudar. Esse sistema abre a possibilidade para a corrupção", afirmou o Galinho, eterno ídolo da torcida do Flamengo. Zico contou que recebeu cartas da Itália e do Japão, países onde atuou. Mas mesmo nesses países, não havia confirmação do voto. "Eles foram muito gentis, mas não garantiram nada", disse. No caso da CBF, Zico apenas terá um apoio se ele obtiver os demais quatro votos. "É difícil ter legitimidade assim na eleição", insistiu.

PLATINI

O ex-craque da seleção brasileira também não poupou questionamentos à Michel Platini, presidente da Uefa e considerado favorito no processo eleitoral da Fifa. "Ele faz parte da estrutura da Fifa, é membro do Comitê Executivo. Não acredito que será dele que virá uma reforma da entidade", diz Zico. Na avaliação do brasileiro, se Platini for eleito o resultado será uma "concentração ainda maior do poder do futebol na Europa". "O resto do mundo está ficando abandonado. A América do Sul, que se dane. Ela já está em peso na Liga dos Campeões da Europa", disse. "Platini ali significa que vai haver uma concentração ainda maior."

Zico também fez questão de atacar a Conmebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol. "Será que ela representa mesmo o futebol brasileiro? Será que a Conmebol representa o Brasil?" E alerta que a Conmebol tem como seu "homem-forte" o filho do presidente da Federação Espanhola de Futebol, Gorky Villar, braço-direito do presidente da entidade sul-americana, Juan Napout. "A quem a Conmebol representa?", questiona. "Não é a América do Sul".

O brasileiro sabe que não está surpreendido pela situação da eleição na Fifa. "Mas precisamos tentar mudar as coisas. Precisamos abrir a caixa preta da Fifa", insistiu. "Se ficarmos quietos, nunca vamos mudar nada. Não podemos continuar assim".

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