Zinho fala em voltar à seleção

Campeão da Copa do Brasil aos 34 anos, Zinho descarta que o título conquistado neste domingo seja o último de sua carreira. Campeão brasileiro, mundial, da Libertadores, gaúcho, paulista, carioca, ele ainda quer voltar à Seleção Brasileira. "Estou jogando bem, meu time está jogando bem, os títulos estão voltando, tenho fôlego, físico e trabalhei muito bem com o Felipão. Por que não posso voltar?", questiona entre um grito e outro, uma lágrima e outra. Os argumentos são tão sólidos quanto o futebol mostrado neste domingo pelo campeão mundial de 94, presente em todo o campo, combatendo, armando e até fazendo gol. Após o jogo, escolheu até um rival na luta por um lugar no time de Scolari. "O Ricardinho é ótimo jogador, acho que podemos fazer uma luta boa por essa camisa da Seleção".Ele foi o comandante da vitória. No intervalo do jogo, já havia feito uma previsão capaz de assustar os corintianos. "Nosso gol demorou para sair, mas se a gente mantiver essa mesma vontade em campo, as dificuldades vão aumentar para eles". E ele mesmo, com um minuto e meio do segundo tempo, foi quem tornou dramática a situação do Corinthians, completando com tranqüilidade um passe de Marcelinho. "Foi com o pé direito. Não é o pé bom, mas deu certo". Não foi a primeira vez que Zinho fez um gol de pé direito em uma decisão contra o Corinthians. "Em 93, eu estava no Palmeiras e nós saímos da fila contra eles. Fiz um gol de pé direito naquele jogo também".E quem considerou exagerada a cobrança do capitão a Marcelinho, ficaria assustado com o segundo tempo. Faltou pouco para brigar fisicamente com Marinho, fortíssimo zagueiro de seu time. "Cobrei mesmo, é do jogo. Esse grupo do Grêmio é muito unido, muito forte, mais do que qualquer outro com quem já trabalhei. Fui campeão em equipes fortes como o Flamengo e Palmeiras, mas aqui é mais forte ainda, me adaptei muito bem no Sul", diz Zinho. "Foi uma briga de quem sonha em ganhar. Falei que a gente estava com um a mais e levava sufoco lá atrás e ele achou que eu estava abrindo os braços e culpando o pessoal da frente. Não foi nada disso e o que interessa é que vencemos", diz Marinho.Coincidência ou não, o Grêmio, após a briga, começou a recuperar-se no jogo, que começava a ficar difícil com o gol de Ewerthon. Chegou ainda, no momento de maior pressão a fazer o terceiro gol. Começou aí a grande festa de Zinho, que correu, abraçou amigos e chorou após falar com os filhos por telefone.

Agencia Estado,

17 de junho de 2001 | 18h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.