Zveiter opta em deixar o STJD

Com a decisão do Conselho Nacional de Justiça de impedir que juízes acumulem atribuições com os tribunais esportivos, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e suas quatro comissões disciplinares sofrerão uma profunda mudança. A começar pela saída do presidente do STJD, o desembargador do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Luiz Zveiter, pivô da polêmica anulação de 11 partidas do Campeonato Brasileiro por causa da ação da Máfia do Apito. Ele confirmou hoje que só continuará com suas atribuições no Judiciário. Assim como Zveiter, o vice-presidente do STJD, Nelson Tomaz Braga, juiz do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, também terá de deixar de lado os julgamentos na esfera esportiva. Ainda na lista dos auditores do Pleno do STJD consta o nome do juiz do TJ-RJ, Antonio Augusto Toledo Gaspar, que seguirá o caminho de Zveiter e Braga. Ao todo, o Pleno do STJD reúne nove auditores. Dos seis restantes, o mais velho, Virgilio Costa Val, vai ter de convocar uma assembléia para a escolha da nova composição do tribunal. A indicação das nove pessoas que muitas vezes definem o rumo do futebol brasileiro obedece a um critério. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Ordem de Advogados do Brasil (OAB), os clubes da Primeira Divisão e entidades ligadas a atletas são responsáveis pela nomeação de dois auditores, cada. A outra vaga pertence a um representante dos árbitros. Nas comissões disciplinares, a primeira instância do STJD, há dois juízes, Antonio Maria Patino Zorz e Marcelo Oliveira da Silva, e um desembargador, Marcus Basílio. Também vão ter de deixar de analisar processos esportivos e devem ser substituídos por nomes indicados pela nova presidência do STJD. Os procuradores do tribunal, Murilo Kieling, e Alexandre Chini, são outros impedidos de continuar na esfera esportiva, por conta da decisão do CNJ. Política ? A saída de Zveiter é uma vitória da CBF. A diretoria da entidade não gostava da autonomia do desembargador no comando do STJD e, ano passado, tentou manobrar para que Nelson Braga assumisse a presidência do tribunal. Na ocasião, o Vasco obteve uma liminar na Justiça comum, garantindo a permanência de Zveiter no STJD. Braga então ficou com a vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

Agencia Estado,

19 de dezembro de 2005 | 19h38

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