Zveiter promete rigor contra o Vasco

O Vasco será punido com perda de mando de campo em função dos incidentes ocorridos após a partida com o Coritiba, na noite de quinta-feira, em São Januário, quando torcedores do clube agrediram atletas e dirigentes da equipe visitante. Entre os atingidos, o meia Jackson e o atacante Gélson sofreram várias escoriações. As vítimas registraram queixa na 17ª Delegacia de Polícia, no bairro de São Cristóvão.O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, prometeu agir com rigor e adiantou que o Vasco será denunciado ao tribunal com base no Artigo 300 do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF) - "deixar de tomar providências capazes de prevenir ou reprimir desordens em sua praça de desportos" - cuja pena prevê a perda do mando de campo de um a três jogos. "O que houve é inadmissível", disse Zveiter.Também agredido na confusão, o presidente do Coritiba, Giovanni Gionédis, afirmou que não havia a mínima segurança dentro do estádio."Se fazem isso com os jogadores, imagina se houvesse torcedores do nosso clube em São Januário", disse, antes de voltar para sua cidade."Os atletas foram agredidos dentro do ônibus por um grupo da Força Jovem (facção da torcida do Vasco que assumiu a responsabilidade pela baderna)", prosseguiu. Gionédis afirmou que entrará com ação cível e criminal contra o clube carioca, além de tomar medidas na esfera da Justiça Esportiva.Ele negou que algum atleta do Coritiba tenha provocado os torcedores exibindo uma camiseta do Flamengo. "Não houve isso. Mesmo se houvesse, não justifica." Nesta sexta-feira, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, eximiu o clube de culpa, deixando a responsabilidade pelo "incidente" para os policiais militares, que abandonaram São Januário "mais cedo". De acordo com o dirigente, o clube cumpriu todas as "providências" necessárias para a realização da partida."Com certeza, a briga não aconteceria se o policiamento estivesse lá.Parece que a polícia entendeu que poderia ir embora porque tinham poucos torcedores assistindo ao jogo", afirmou o presidente do Vasco, hipotecando solidariedade ao Coritiba e repudiando os acontecimentos."E a situação só não ficou pior, porque os seguranças e dirigentes do meu clube foram para lá ajudar." Miranda explicou que, de acordo com relatos de seus dirigentes, a briga começou porque o jogador Jackson provocou os torcedores, na área destinada ao ônibus do Coritiba, agitando uma camisa do Flamengo. O fato fez com que os torcedores invadissem o local e também o ônibus.Outra passagem citada pelo presidente do Vasco foi uma conversa com o major Marcelo, do Grupamento Especial de Policiamento nos Estádios (Gepe), onde ficou sabendo que uma bandeira de uma facção de torcida organizada do Flamengo foi apreendida com torcedores do Coritiba. Além disso, um segurança que presta serviços ao Rubro-Negro também teria sido identificado trabalhando para a delegação paranaense.Testemunhas contaram que torcedores de uma das principais facções de torcidas organizadas do Vasco foram os responsáveis pela agressão. No entanto, Miranda preferiu ignorar a acusação e frisou que quem deve apurar os responsáveis pela violência é a polícia. Ele aguardará o desfecho das investigações."Vou tomar as mesmas atitudes que a Justiça. Sou a favor das torcidas organizadas e acho que clube de massa não sobrevive sem elas", defendeu o dirigente. "Não me compete apurar quem estava lá. Eu fiz o que deveria fazer, solicitei a segurança à Polícia Militar (PM)." Sobre a punição a ser imposta pelo STJD, o presidente do Vasco pareceu conformado. Frisou que, caso seja condenado, não terá como deixar de cumprir uma determinação judicial. No entanto, não escondeu sua intenção de recorrer contra qualquer decisão desfavorável ao clube."Acho que qualquer tipo de tribunal é soberano em suas decisões. Se houver uma contra o Vasco só resta cumprir", disse Miranda. "Claro que vou tentar recorrer sempre que existir possibilidade." Na tentativa de defender a segurança de São Januário, o presidente do Vasco lançou um desafio aos clubes co-irmãos. Argumentou que não existe no Brasil um estádio mais seguro do que o dos vascaínos."Não existe estádio mais seguro e que dê mais condições de segurança que o nosso. Qual foi o clube no Brasil que não teve um episódio deste tipo envolvendo torcida?", indagou o dirigente. "No Maracanã teve inclusive vítima fatal. No Morumbi um torcedor se espetou na grade. Ponte Preta e São Paulo dá até morte."

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