Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

2012: o último título da Fórmula 1 decidido em Interlagos

Sebastian Vettel se tornou o mais jovem tricampeão da F-1 em uma das mais emocionantes edições do GP do Brasil

O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 12h00

Em 2015, o GP do Brasil de Fórmula 1 vai ser disputado já com o campeão da temporada conhecido, o inglês Lewis Hamilton, mas nem sempre foi assim. Há três anos, Interlagos não viu apenas uma de suas mais emocionantes corridas, mas a consagração de Sebastian Vettel, o mais jovem piloto a conquistar por três vezes o mundial da categoria. Teve de tudo: batidas, mudanças no clima e um final digno para uma das temporadas mais competitivas de todos os tempos, com oito vencedores diferentes durante as 20 etapas.

"Essa foi a corrida mais difícil da minha vida", afirmou um exausto Vettel ao Estado após a bandeira quadriculada e o título garantido no currículo. O alemão conquistou o tri de forma épica: para ter certeza de que ficaria com a taça sem depender de ninguém precisava ganhar a bandeirada no mínimo em 4º. Caso o rival Fernando Alonso, da Ferrari, não vencesse, poderia até cruzar a linha em 5º, 6º ou 7º. Era uma combinação de resultados. Caso o espanhol fosse terceiro, Vettel precisaria terminar em 8º ou 9º e poderia não pontuar se o adversário chegasse abaixo do quarto lugar. Nas arquibancadas autódromo José Carlos Pace, havia bandeiras de todas as cores, dos brasileiros apaixonados e eternos fãs de Fittipaldi, Piquet, Senna e Rubinho, além de Massa, claro, como os tradicionais ferraristas de Alonso.

Mesmo largando na pole, o piloto da Red Bull acabou em sexto, no limite para conquistar o título, já que Fernando Alonso terminou na segunda colocação. A corrida foi emocionante. Logo na primeira volta, o ar de uma possível tragédia para as pretensões de Sebastian  Vettel surgiram: o alemão se envolveu num acidente com Bruno Senna (então piloto da Williams), rodou e caiu para a 22ª colocação. Faria uma corrida de recuperação, como tantas que Ayrton Senna nos propiciou nas manhãs de domingo, ante de morrer em 1994. Para piorar para o alemão, um problema no rádio o deixou sem contato com a equipe, o que prejudicou os pit stops (fazendo o piloto trocar os pneus para chuva e mudar novamente duas voltas depois) e a chuva, temida pela equipe austríaca, apareceu logo após 10 voltas. 

"O mais jovem tricampeão do mundo, aos 25 anos, lembrou que o feitiço virou contra o feiticeiro: 'Na realidade, a chuva hoje nos ajudou. Após 10 ou 20 voltas eu era o quinto, atrás de Fernando (Alonso)'", escreveu o Estado após a corrida. Com a bandeirada final, Interlagos viu o terceiro piloto a conquistar o tri de forma consecutiva, atrás de Juan Manuel Fangio, de 1954 a 1956, e Michael Schumacher, de 2000 a 2003. Uma tarde histórica em São Paulo. 

ADEUS

Mas nem só das façanhas de Vettel viveu a tarde de 25 de novembro de 2012. Jenson Button, da McLaren, ficou  com a vitória na prova. Quem completou o pódio ao lado de Alonso foi um emocionado Felipe Massa, também da Ferrari, encerrando de forma digna um ano difícil para o brasileiro. "Não sabia o que falar e pensar após terminar a corrida. Estava muito emocionado porque a primeira parte do ano foi um desastre", disse ao Estado o piloto, revigorando a esperança do torcedor de ver um corredor brasileiro mais vezes no pódio.

Outro grande personagem da história de Fórmula 1 se despediu das pistas pela segunda vez também no autódromo de Interlagos. Michael Schumacher, então na Mercedes, competiu pela última vez na modalidade no GP do Brasil de 2012. "De 2010 até hoje Schumacher foi bem diferente: não anda muito rápido, inconstante, confuso, a ponto de envolver-se em vários acidentes, e, essencialmente, sem resultados", escreveu o Estado no dia da corrida. Schummy quis parar pela primeira vez,mas não conseguiu ficar longe das pistas, sua vida desde garotinho nos tempos do Kart.

Largou em um distante 13º lugar e terminou a corrida em 7º, o mesmo número de títulos que carrega na bagagem. Se não deu certo nas pistas em sua volta, foi melhor como vidente.  Antes de se aposentar disse ao Estado: "A Mercedes é hoje um time muito melhor do que era e está no caminho certo para se tornar vencedor". Três anos e dois títulos mundiais depois, a profecia do alemão, que ainda briga entre a vida e morte após acidente fazendo esqui, se confirmou.  


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