10 horas: o mais longo jogo de tênis da história

E ainda não acabou: hoje, após 2 dias de disputa, o americano John Isner e o francês Nicolas Mahut voltam à quadra

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

Nem a noite foi capaz de bater Nicolas Mahut e John Isner. Apenas conseguiu interrompê-los no jogo mais longo da história do tênis. O francês e o americano estão há exatamente 10 horas disputando uma partida da primeira rodada do Torneio de Wimbledon, em Londres. Ontem, quando o placar estava 59 a 59 em games no quinto set (fato espetacular, inusitado e que já entrou para o Livro dos Recordes), seu fim foi adiado pela segunda vez em dois dias por falta de luz natural aos gritos de "We want more!" (Nós queremos mais) da plateia.

A escondida quadra 18 do All England Lawn Tennis and Croquet Club virou vitrine, o lugar para onde os olhos dos fãs do esporte se viraram mesmo em dia de decisão de vaga para as oitavas de final da Copa do Mundo de futebol - os tópicos Wimbledon, Nicolas Mahut e John Isner passaram o dia entre os mais comentados do Twitter. Os incansáveis Isner e Mahut não admitiam nem por um minuto entregar a partida ao adversário e disputaram um quinto set que, por si só, já foi mais longo do que qualquer outra partida de tênis em todos os tempos: 7 horas ininterruptas. "É inacreditável, nada como isso ocorrerá de novo, nunca mais", gritou Mahut, na saída da quadra. "A pior sorte dos dois é que estarão muito cansados amanhã e provavelmente até o fim do mês", brincou Federer.

"É verdade? É verdade?", perguntavam-se fãs incrédulos pelo mundo todo. Sim, era verdade. Para desespero do juiz de cadeira, Mohamed Lahyani, o único que foi obrigado a acompanhar todo o desdobramento da partida desde as 13h30 até as 20h30 de Londres. Sem direito a refeições ou saídas para ir ao banheiro. "É por essas e outras que o tênis é um dos esportes mais difíceis do mundo", comentou o britânico Andy Murray no seu Twitter, entre um salgadinho e outro no quarto de sua casa.

Ainda haverá mais suplício. Eles voltam à quadra 18 hoje, a partir das 11h30 (de Brasília) para tentar definir um vencedor para a disputa - Thiemo De Bakker já espera adversário há dois dias. Os primeiros quatro sets da contenda foram disputados ainda na terça-feira e terminaram - surpresa! - empatados. Isner venceu o primeiro (6/4), mas depois tomou a virada, 6/3, 7/6(9/7), e teve de buscar a igualdade em novo tie-break (7/3).

Os recordes mais importantes já foram batidos. A partida nem acabou e já é a mais longa em tempo e em número de games jogados de toda a história. E ambos os jogadores quebraram a marca de 78 aces em uma partida do croata Ivo Karlovic. Isner somou 98 e Mahut, 94. Difícil entender como os dois tenistas podem ter disputado por tanto tempo um jogo em que erros e oportunidades perdidas foram tão raros. O americano cometeu apenas 53 erros não-forçados, enquanto o francês, 56. Bolas vencedoras? Foram incríveis 333 para Isner e 318 para Mahut. Se mantiverem esse padrão, apesar do cansaço e do pouco sono, o árbitro Lahyani pode se preparar: o terceiro dia de batalha não tem hora para terminar. / COM AGÊNCIAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.