Zainal Abd Halim / Reuters
Zainal Abd Halim / Reuters

11 de setembro de 2001: relembre como era o esporte no ano do atentado terrorista

Felipe Massa entrando na F-1, Guga no US Open e o Brasil sofrendo nas Eliminatórias para a Copa do Japão e da Coreia do Sul

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2021 | 20h00

Nesses 20 anos do 11 de setembro, quando os Estados Unidos foram atacados pelos terroristas da Al-Qaeda em suas torres gêmeas do World Trade Center e também no Pentágono, a pergunta mais comum entre as pessoas que revivem o trágico episódio que matou 3 mil pessoas é 'onde você estava quando isso aconteceu'. Nesse esforço de memória, o Estadão deu um mergulho nas notícias daquele mês em 2001 relacionadas ao esporte. Era um mundo completamente diferente de hoje, mas também com algumas semelhanças. É certo que tudo mudou depois dos ataques, aumentando a preocupação de todos e a certeza de não estar mais seguro dentro da própria casa.

No Esporte de setembro de 2001, por exemplo, um garoto surgia na Fórmula 1 para rejuvenescer as esperanças dos brasileiros nas pistas. Ele tinha 20 anos e corria na F3000 da Europa com olhos grandes na competição mundial de corridas de carro. Seu nome era Felipe Massa. Naquele mês de setembro, Massa vivia a expectativa de ser chamado para a categoria. A Sauber estava para anunciá-lo no lugar de Kimi Raikkonen. O japonês Takuma Sato aguardava pela mesma definição junto à Jordan. O campeonato era vencido pelo alemão Michael Schumacher. 

Havia ainda na Fórmula Indy uma engenheira francesa que quebrava barreiras e atuava no acerto dos carros da equipe Mo Nunn, que tinha o brasileiro Tony Kanaan como um de seus pilotos. Ela colocava a mão na graxa. Seu nome era Brigitte Castaing. A Indy era uma competição que chamava muita atenção dos torcedores no Brasil.

No futebol brasileiro, o Santos apresentava um novo treinador, Cabralzinho, que chegava com o discurso de tantos outros técnicos: a confiança de tirar o time do buraco. Ele assumiu o posto na Vila Belmiro depois das passagens de Serginho Chulapa, Geninho, Carlos Alberto Parreira e Carlos Alberto Silva. Também chegava na Vila o meia-atacante Marcelinho Carioca, que dizia ter na camisa do Corinthians sua segunda pele. 

Da mesma forma, Luxemburgo sofria pressão para levar o Corinthians na temporada. Ele e o diretor de futebol Antônio Roque Citadini não se bicavam. Havia cutucadas dos dois lados. Foi em setembro daquele ano também que o atacante Paulo Nunes pediu para sair do Corinthians alegando que sua família sofria ameaças de morte. O time estava mal e a torcida pegava no pé dos atletas. O ex-palmeirense pediu que o clube o liberasse do contrato assinado.

No São Paulo, Kaká, Luis Fabiano e França eram comandados por Nelsinho Baptista. Kaká havia sido lançado por Vadão no começo daquele ano, se destacando na final do Torneio Rio-São Paulo.

O Palmeiras liderava o Brasileirão após 18 rodadas. Tinha um jogo a mais do que seus adversários. O São Caetano era o segundo, seguido por Atlético-MG, Athletico-PR e Fluminense. O time do ABC era forte, com bons jogadores e encarava qualquer rival maior do que ele de igual para igual. Foi derrotado apenas da decisão daquele ano. O título ficou com o Athletico-PR.

Felipão tentava de todas as formas levar a seleção brasileira para a Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão. Era a primeira vez que a competição aconteceria em dois países. Faria naquele mês de setembro um jogo duro com o Chile. Precisava ganhar naquela 15ª rodada das 18 do torneio. O Brasil ocupava a quarta colocação, com 24 pontos, atrás de Argentina (38), Paraguai (29) e Equador (26). Edilson Capetinha e Marcelinho Paraíba eram suas apostas para um jogo rápido. A torcida estava desanimada. O Brasil nunca havia ficado fora de uma Copa do Mundo. Felipão também corria a Europa naquele mês para acompanhar de perto alguns dos jogadores que poderiam ser usados na seleção. Estava preocupado com a recuperação de Ronaldo na Inter de Milão. O treinador contava com o atacante na Copa.

No dia 5 de setembro daquele mês que mudaria o mundo com os ataques aos Estados Unidos, um clássico no futebol sul-americano chamava a atenção. Era Argentina e Brasil, pelas Eliminatórias da Copa. O time argentino era comandado por Marcelo Bielsa e tinha no ataque um jovem jogador que adorava fazer gols. Não havia Messi ainda. Seu nome? Hernán Crespo. No time de Felipão, quem comandava o meio de campo era Rivaldo. Todos queriam ver o clássico.

No tênis, Gustavo Kuerten disputava o US Open pela primeira vez como cabeça de chave número 1. Apesar disso, o brasileiro não conseguiu confirmar o favoritismo e foi eliminado nas quartas de final pelo russo Evgeni Kafelnikov. O australiano Lleyton Hewitt ficou com o título ao derrotar o americano Pete Sampras. 

O mundo esportivo naquele 11 de setembro de 2001 era bem diferente. Os brasileiros tinham mais heróis e esperança no esporte. Um ano depois, em 2002, a seleção ganharia o penta no Japão.

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