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1972: GP do Brasil é inaugurado com a vitória de um argentino

Fittipaldi desiste no final e Carlos Reutemann fica com o troféu

O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 12h00

Demorou 22 anos, mas Interlagos recebeu finalmente um grande prêmio de Fórmula 1 no dia 30 de março de 1972. Era um outro Brasil. O autódromo, inaugurado na década de 1940, abriu seus portões inicialmente para 12 pilotos em uma corrida que não contaria pontos para o mundial de F-1. Era uma espécie de evento-teste que homologaria a pista para o campeonato do ano seguinte. Acabou sendo um festival de desistências, com apenas metade dos carros cruzando a linha de chegada, como a do favorito Emerson Fittipaldi, que parou a poucas voltas do fim e dando a vitória para um argentino Carlos Reutemann. 

"Dos onze carros que largaram - Jean Pierre Beltoise nem conseguiu alinhar para a saída - apenas seis chegaram até a final da corrida", descreveu o Estado no dia após o GP do Brasil. A maior parte das quebras aconteceu logo na primeira volta, quando vários carros entraram agrupados na curva 1, e a terra levantada entrou pela tomada de ar dos March de José Carlos Pace, que mais tarde batizaria o autódromo paulista, e Henri Pescarolo, da equipe de Frank Williams, travando a lâmina que funcionava como válvula na injeção direta.

Uma corrida tranquila, sem grandes ultrapassagens e que caminhava para a vitória de Fittipaldi. Estava tudo pronto para o torcedor celebrar a vitória do piloto brasileiro. "Ele não perde, só se acontecer um desastre", afirmou o então governador de São Paulo, Laudo Natel, responsável por entregar o troféu, já na 29º volta. Pouco depois, o carro negro número 1 entrava no boxe. O resultado mudou até a cerimônia oficial: o governador foi aconselhado a evitar a multidão após a prova, devido a uma confusão no fim da corrida. Coube ao então presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Evanio Galvão, entregar o troféu a Reutemann. 

"Os brasileiros ficaram sabendo bem qual é a influência de um problema mecânico no resultado de uma prova de Fórmula 1", escreveu o Estado.  O responsável pelo balde de água fria na torcida que lotou o autódromo não apenas no dia da corrida, mas também nos dois dias anteriores foi uma quebra no braço esquerdo da suspensão traseira da Lotus. 

O melhor brasileiro colocado na corrida acabou sendo outro Fittipaldi, Wilson, irmão de Emerson, que terminou em terceiro lugar, atrás ainda do sueco Ronnie Peterson. Mas nem tudo foi perdido no fim de semana para o então piloto da Lotus. No classificatório ele quebrou o recorde da pista, com 2m32s364, andando a 188 km/h. Na corrida a volta mais rápida também foi dele: 2m35s248. Tal velocidade daria a Emerson Fittipaldi o título mundial da Fórmula 1 no ano, o que junto com o início do GP do Brasil, impulsionou a paixão dos brasileiros pelo esporte. 

DIFERENÇAS

Já em 1972 ir ao GP do Brasil era uma atividade diferente e que chamou a atenção não apenas dos aficionados por automobilismo. "Os que pretendem ir à corrida, devem saber de uma coisa muito importante: Interlagos, cujas arquibancadas têm capacidade para 36 mil pessoas, deverá receber 60 mil hoje", escreveu o Estado no dia da prova. As dicas vinham logo no título da matéria: levar pelo menos 70 cruzeiros, chegar o mais cedo possível, ter paciência, escolher um lugar que não seja perigoso e tomar cuidado com o sol. 

Outra recomendação curiosa era a de não levar crianças, mesmo com a gratuidade para menores de 12 anos. "Os guard-rails podem ser transpostos com facilidade, depois deles vem a pista onde os carros estarão a uma velocidade média de 180 km/h". Algo totalmente impensável para a segurança que é o autódromo hoje em dia. 

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