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Reginaldo Leme
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1974, Brasil bicampeão na F-1

Neste domingo o Esporte Espetacular mostra como foi a conquista do bicampeonato mundial de Emerson Fittipaldi em 1974. Só pelo fato de ter 12 minutos de duração, vocês já podem imaginar que deu muito certo uma produção pensada desde o começo do ano, mas que, pelo calendário apertado do Emerson, deu um trabalho danado. Foram cinco dias de produção em cinco cidades e uma fazenda de dois países, começando por Monza, na Itália, e passando por Londres, mais três cidades do interior da Inglaterra - Woking, Weybridge e Colnbrook - e uma fazenda a 100 quilômetros da capital, onde Jody Scheckter, sul-africano que foi um dos rivais de Emerson naquela disputa, tem uma linha de produção orgânica de alimentos.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2014 | 02h05

Scheckter, pela Tyrrell, esteve na briga pelo título até a penúltima etapa. Assim como o argentino Carlos Reutemann, da Brabham, e a dupla de pilotos da Ferrari, o suíço Clay Regazzoni e o austríaco Niki Lauda. Regazzoni morreu no começo de 2014 em um acidente de estrada. Reutemann, que foi o vencedor da corrida final em Watkins Glen, hoje dedicado a uma carreira política na Argentina, não atendeu aos pedidos de entrevista. O brasileiro José Carlos Pace, segundo colocado naquela corrida, morreu em um acidente aéreo em 1977. Lauda, hoje ainda presente no mundo da F-1, como um dos chefes da Mercedes, participou desta reconstituição da história e esteve junto com Emerson no motor-home da McLaren em Monza para o lançamento de um livro que a equipe editou em homenagem ao brasileiro, chamado "Emmo, a alma de um competidor". Além de Lauda, Emerson recebeu outros convidados ilustres, como o presidente da FIA, Jean Todt, o diretor adjunto de provas na F-1, Herbie Blash, na época um mecânico da Brabham, e Damon Hill, campeão mundial de 1996, filho de Graham Hill, que também faleceu em acidente aéreo, e disputou aquele Mundial de 74.

No livro, Emerson lembra a difícil batalha contra o bom carro que a Ferrari tinha naquele ano. Para os mais jovens, que têm na McLaren uma das maiores vencedoras da história da F-1, é difícil imaginar que aquele foi o primeiro título mundial conquistado pela equipe inglesa e que ela somava apenas doze vitórias. Hoje ela tem 182 vitórias (35 só com Ayrton Senna), 155 pole positions (46 de Senna), doze títulos mundiais de pilotos e oito de construtores. Mas aquela conquista, a primeira de todas, foi conseguida na última corrida do ano, nos Estados Unidos, quando os dois largaram empatados em 52 pontos, e na disputa lado a lado na reta de Watkins Glen, empurrado por Regazzoni para fora da pista, Emerson foi obrigado a passar com duas rodas na grama. Ele diz que foi um dos momentos em que mais arriscou na carreira e até pensava em reclamar depois da corrida, mas como tudo deu certo, preferiu ficar quieto.

Emerson sempre foi um cara do bem. Uma das histórias contadas por Lauda é que na segunda-feira depois de vencer pela primeira vez com um carro da Ferrari, no GP da Espanha, recebeu um telefonema de Emerson dizendo que "depois da primeira, tudo fica mais fácil". Conhecendo a rivalidade do mundo da F-1, ainda hoje Lauda acha incrível que isso tenha acontecido. Na pista, a Ferrari tinha o melhor carro, mas enquanto Regazzoni e Lauda se rivalizavam dentro da equipe, Emerson, que tinha um forte companheiro, o campeão mundial de 67, Denis Hulme, foi somando pontos, inclusive três vitórias e mais quatro pódios. Por isso Lauda diz que "eu era muito inexperiente para competir contra ele".

Quando resolveu deixar a Lotus no final de 73, pela qual tinha sido campeão em 72, Emerson recebeu da Philip Morris o direito de escolher uma nova equipe. Ele conversou com algumas, mas escolheu a McLaren porque acreditava no M23, um carro bem simples e convencional, que já tinha andado bem com Scheckter. Na época as equipes não faziam carros novos todos os anos. Eram apenas aperfeiçoados. Em 75 poderia ter vindo mais um título, mas foi quando ele levou o troco de Lauda. No final deste segundo ano com a McLaren, Emerson decidiu que devia dar força à sua própria equipe, a Copersucar-Fittipaldi, e deixou o mesmo M23 para James Hunt, também em disputa com Lauda, ganhar o título de 76. Esta é a história que o filme "Rush" conta muito bem.

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