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1975: 'corintiano' Pace e 'palmeirense' Fittipaldi fazem dobradinha

Brasileiros ficam com 1º e 2º lugar no pódio pela 1ª vez

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2015 | 12h00

Quem diria que a primeira zebra em Interlagos seria justamente a de um brasileiro? Emerson Fittipaldi tinha ganhado o GP do Brasil em 1973 (quando a corrida começou a contar pontos para o Mundial de  Fórmula 1) e 1974, mas na prova em 1975 quem cruzou primeiro a bandeira quadriculada foi a 'surpresa' José Carlos Pace, que hoje nomeia o autódromo de Interlagos, em São Paulo. Ele chegou à frente do  tricampeão do mundo. Era a primeira vez que Pace vencia um Grande Prêmio de F-1. Até então sua melhor colocação havia sido um segundo lugar, no GP dos EUA, em 1974.

"O Emerson é o Palmeiras e o Pace é o Corinthians. O Emerson sempre foi um sujeito cauteloso, calculista, só ataca na hora certa, enquanto o Pace é mais impulsivo, tem o sangue quente e procura a vitória com mais raça, esquecendo que isso pode lhe valer o fracasso", dizia o Estado após a corrida, reproduzindo o comentário ouvido nas arquibancadas de Interlagos.

O jeito "corintiano" de Pace já havia dados as caras na primeira corrida da temporada daquele ano. No GP da Argentina, o brasileiro acabou tendo de se retirar da prova devido a um problema de motor. No Brasil, logo na largada, conquistou o terceiro lugar. Assumiu a 2ª posição ultrapassando Carlos Reutemann (que venceu o 1º GP do Brasil, em 1972) na 13ª volta. O verdadeiro desafio naquela tarde de verão foi Jean-Pierre Jarier pilotando pela Shadow. O piloto chegou a estar incríveis 24 segundos à frente de Pace.

A sorte dos brasileiros foi que na 33ª volta o carro do francês teve um problema mecânico é o tirou da corrida. O caminho então estava aberto para a primeira dobradinha brasileira na Fórmula 1, levando a loucura os mais de 100 mil presentes no autódromo de Interlagos: "Tudo isso, assistido por um público de quase 150 mil pessoas, revela a maior vitória do automobilismo em todos os tempos e demonstra que esse é, no País, o grande esporte do futuro", publicou o Estado.

Pace nunca mais ganharia um Grande Prêmio na Fórmula 1. Chegou no máximo ao segundo lugar no pódio, no GP da Argentina, em 1977. No mesmo ano, sofreria um acidente fatal de avião. Sua última corrida foi na África do Sul, conquistando apenas o 13º lugar.

PROBLEMAS

Mas nem tudo foram flores no dia 26 de janeiro de 1975 em Interlagos. Mesmo com a dobradinha brasileira, a prova recebeu muitas críticas da Federação Internacional da Automobilismo, a FIA. O mau comportamento do público, que atirou latas e garrafas na pista, atrasando o início da corrida, o excesso de credenciais e as más condições de segurança, foram as principais reclamações. A CBA já articulava tirar a prova de São Paulo, fato que iria acontecer em 1978 e em toda a década seguinte, quando Jacarepaguá, no Rio, seria sede da prova. 

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