2011, adeus

Quero entrar em 2012 pra cima. O ano que termina hoje não fará parte da minha seleção particular daqueles que merecem ser lembrados.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h04

Profissionalmente, mesmo sem nenhum grande momento, fiz a minha parte cobrindo uma Fórmula 1 que parece ter reencontrado seu caminho, mas foi terrível para os brasileiros, uma Stock Car de ótimo nível técnico, mas merecendo reforma nas regras, e alguns bons programas Linha de Chegada, entre os quais dois que reuniram duas famílias extremamente importantes na história - os Fittipaldi e os Piquet.

Segundo a avaliação que recebemos - o SporTV, eu mesmo e a minha pequena equipe de produção - esses dois programas podem ser considerados o que eu tive de melhor no ano. Da pouco interessante F-1, certamente, não poderia ter vindo momento algum que pudesse concorrer com essas duas reuniões históricas, que resultaram em ótimos bate-papos, inclusive com revelações inesperadas.

Do encontro com a família Piquet - Nelson, Nelsinho, Geraldo e Pedrinho - o próprio Nelson acabou contando que tem um problema cardíaco sem cura, mas que pode ser vencido desde que a pessoa só faça o que goste e, pelas palavras do próprio Nelson, "não tenha mulher chata".

Do encontro com os Fittipaldi, conversando com Wilsão, Wilsinho, Emerson, Christian e Pietro (neto de Emerson), saiu, no puro acaso, a revelação de que, dois dias após conquistar o primeiro título mundial em 1972, Emerson disse a Wilsinho e ao pai Wilsão que pretendia parar de correr. Era uma época em que a F-1 tinha de 2 a 3 acidentes fatais por ano.

Eu tento imaginar o que seria do Brasil na F-1 se o Emerson não tivesse continuado a vencer corridas e mais um título, preparando o campo para o aparecimento das gerações seguintes, as dos geniais Piquet e Senna, que trouxeram mais seis títulos mundiais para se juntar aos dois de Emerson e um total de 101 vitórias, incluindo as de Barrichello, Massa e Pace. O Brasil teve até hoje 31 pilotos na F-1. O fraco desempenho de 2011 resultou no primeiro campeonato desde 1998 sem nenhum brasileiro no pódio, e apenas a quinta vez que isso acontece desde que Emerson venceu pela primeira vez em 1970.

Este 2011 que se encerra hoje foi também para mim um ano de perdas pessoais. Gustavo Sondermann, piloto querido de todos; o mestre Sid Mosca, Affonso Serra, meu companheiro de momentos inesquecíveis; Antonio Torello, brasileiro mais ferrarista do que qualquer italiano; Luiz Vicente, ao lado de quem trabalhei nos últimos dez anos na produção do meu anuário AutoMotor, e o meu pai, de quem guardo lembranças que ainda vão doer muito. Vamos fechar o ano pensando no país Brasil que está pintando. Na caça à corrupção, na valorização do que e de quem é do bem. Que o povo brasileiro entenda a cena ridícula das caretas do filho do ficha suja Jader Barbalho como o retrato do desprezo que políticos desse naipe têm pelos brasileiros, inclusive aqueles idiotas que os elegem.

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