Beto Costa/DIvulgação
Beto Costa/DIvulgação

2016 está na mira de Gabriel Corrêa

Atleta de Ribeirão Preto se destaca na fossa olímpica e sonha com os Jogos

Paulo Favero, Jornal da Tarde

04 de outubro de 2011 | 08h09

SÃO PAULO - Em um esporte em que o normal é atingir a maturidade depois de muitos anos de prática e treinamento, e é bastante comum ver competidores com mais de 40 anos, Gabriel Corrêa, de apenas 16, começa a se destacar. Ele é uma das apostas do Brasil no tiro esportivo para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Praticante da fossa olímpica, modalidade que consiste em acertar pratos feitos de argila, calcário e alcatrão saídos de uma fossa, o garoto de Ribeirão Preto pensa grande, apesar das dificuldades.

"Este é um esporte muito caro e meu objetivo é conseguir uma vaga para a Olimpíada de 2016. Eu acho que até lá ainda há um bom tempo e sei que preciso treinar muito para ver se tenho alguma chance", diz Gabriel, que aprendeu os segredos do tiro com o pai e o avô. "Eles sempre atiravam na fazenda, e depois fomos para o Clube de Tiro (de Ribeirão). Desde pequeno eu via como era a prática deles e atiro no prato desde os dez anos."

Na fossa olímpica, 15 máquinas lançam os pratos à velocidade de 140 km/h. O atleta fica a 15 metros de distância e, para complicar, não sabe o lado em que o objeto vai sair. "É muito rápido, o tempo de reação do competidor é de 0,5 a 0,8 segundo, caso contrário não consegue acertar", explica o menino.

O primeiro grande obstáculo de Gabriel é o fato de ainda treinar em sua cidade natal. Ele explica que o Clube de Tiro não possui uma estrutura adequada para um treinamento mais profissional. "Aqui até estão tentando organizar melhor, deu uma melhorada boa, mas quando dá eu vou para Americana, que fica a cerca de 200 quilômetros de distância daqui."

A falta de tempo é outro problema que impossibilita um aperfeiçoamento maior do atleta. Ele vai para a escola todos os dias, uma exigência de seus pais. "Tenho de estudar", diz. Gabriel costuma praticar o tiro esportivo apenas duas vezes por semana. "Lá fora tem muita gente que vive do tiro, mas aqui no Brasil é complicado."

O jovem atirador não tem patrocínio, mas graças ao bom desempenho nos últimos torneios ganhou a Bolsa Atleta internacional (ele atualmente recebe a nacional). Sendo assim, no ano que vem ele passará a receber R$ 1,9 mil por mês (hoje recebe R$ 980). "Mesmo assim, os gastos são muito altos. Tenho de comprar séries de pratos, cartuchos, pagar algumas viagens... Sorte que muitas delas são bancadas pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo", conta, lembrando ainda que sua arma, importada, é específica para a fossa olímpica.

No mês passado, Gabriel conquistou a Copa Continental Americana, no Chile. Ele agora está sem técnico, pois a CBTE vive um momento de transição causado pela saída do antigo treinador, o espanhol Gaspar Castañón, que ficou no cargo de junho até o mês passado. A entidade queria alguém com dedicação exclusiva e que morasse no País. Agora, precisa escolher um novo profissional para iniciar o trabalho em 2012.

O garoto diz que sente falta de um especialista mais próximo para auxiliar seu desenvolvimento profissional. "Eu tenho aprendido bastante, mas o que falta mesmo é patrocínio, incentivo e um técnico."

Gabriel diz que escolherá a melhor forma para se aperfeiçoar na fossa olímpica e não descarta treinar em outro estado ou até mesmo fora do País. Ele também comenta que vai precisar exercitar a mente. "Depois que se chega a um nível técnico bem alto, o que manda é a cabeça, a concentração."

QUEM É GABRIEL CORRÊA

Nascido em 19 de janeiro de 1995, o rapaz começou no esporte aos dez anos estimulado pelo pai, Eduardo, que já praticava a fossa olímpica. Gabriel conquistou a medalha de ouro na categoria júnior na Copa Continental Americana, disputada em setembro, no Chile, e levou também o ouro na categoria B sênior. Seu recorde pessoal é 114 pratos, de 125 possíveis. "Isso é pontuação de sênior A", diz ele.

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